Por Noah Cooper
O tempo parou.
Sempre achei essa frase exagerada.
Até aquele instante.
Porque o mar continuava avançando e recuando sobre a areia.
O vento ainda balançava as copas das árvores atrás de nós.
As gaivotas riscavam o céu como faziam todas as tardes em Hamptons.
O mundo seguia exatamente igual.
Mas eu...
Eu não.
Depois de sete anos, Nina estava diante de mim.
A poucos passos.
Tão perto que bastava estender a mão.
Tão distante que eu ainda tinha medo de acreditar.
Meu peito apertou.
Passei anos imaginando como seria esse reencontro.
Em algumas lembranças, ela corria para mim.
Em outras, me virava as costas.
Houve noites em que imaginei discursos inteiros, pedidos de desculpas, explicações que começavam no estacionamento daquela noite e terminavam em todas as escolhas erradas que fiz depois.
Mas a verdade era infinitamente mais simples.
Quando finalmente a encontrei...
Esqueci todas as palavras.
Ela também não dizia nada.
Apenas me olhava.
Como se tentasse descobrir se eu era real.
Ou apenas mais uma lembrança daquele lugar.
Sorri de canto.
— Oi, Pimentinha...
Vi seus olhos brilharem imediatamente.
Ela abaixou a cabeça por um instante, como quem tenta esconder um sorriso impossível de controlar.
Quando voltou a me olhar, havia lágrimas.
E um sorriso.
O sorriso.
Aquele que eu reconheceria em qualquer lugar do mundo.
— Faz tanto tempo... — ela sussurrou.
Engoli em seco.
— Tempo demais.
O silêncio voltou a nos envolver.
Mas já não era um silêncio pesado.
Era confortável.
Como se duas pessoas que passaram anos separadas finalmente tivessem encontrado o caminho de casa.
Olhei para suas mãos.
Lembrei de quantas vezes caminharam entrelaçadas às minhas quando ainda éramos adolescentes.
Respirei fundo.
Levantei lentamente a minha.
Não para puxá-la.
Nem para convencê-la de nada.
Apenas...
Esperando.
Se ela quisesse.
Vi seus olhos acompanharem cada movimento.
Ela olhou para minha mão.
Depois para meu rosto.
Por um segundo inteiro, pensei que recuaria.
Mas não.
Nina deu um passo.
Depois outro.
Até que seus dedos encontraram os meus.
Foi como respirar depois de passar tempo demais debaixo d'água.
O encaixe continuava perfeito.
Natural.
Como se nossas mãos nunca tivessem desaprendido o caminho uma da outra.
Ela sorriu.
— Ainda cabem.
Franzi a testa, confuso.
Ela riu baixinho.
— Nossas mãos...
Olhei para elas.
Ri também.
— Acho que elas nunca deixaram de caber.
Começamos a caminhar.
Sem destino.
Sem dizer para onde.
Apenas caminhando.
Como fazíamos quando éramos crianças.
O mar molhava nossos pés.
A água estava fria.
Ela reclamou exatamente como reclamava aos quinze anos.
— Continua gelada.
Olhei para ela.
— E você continua reclamona.
Ela me deu um leve empurrão no braço.
— Chato.
Sorri.
Meu Deus...
Como senti falta disso.
Falta da leveza.
Da implicância.
Da menina que fazia qualquer lugar parecer casa.
Seguimos caminhando por alguns minutos.
Até que chegamos à velha rede.
Ela parou.
Passou os dedos pelas cordas gastas.
Sorriu para si mesma.
— Ela sobreviveu...
Olhei para a rede.
Depois para Nina.
— Igual à gente.
Ela ergueu os olhos.
Por alguns segundos, ninguém respirou direito.
O vento afastou uma mecha de cabelo do rosto dela.
Sem pensar...
Levei a mão até sua face.
Os fios deslizaram entre meus dedos.
Sua pele continuava absurdamente macia.
Nina fechou os olhos lentamente.
E soltou um suspiro que parecia carregar sete anos inteiros de saudade.
Meu coração perdeu completamente o ritmo.
— Eu senti tanto a sua falta...
As palavras escaparam antes que eu pudesse segurá-las.
Ela abriu os olhos.
Havia lágrimas.
Mas não eram lágrimas de tristeza.
— Eu sei.
Sorri sem entender.
— Como?
Ela deu uma olhada rápida para o horizonte.
Depois voltou para mim.
— Os girassóis.
Meu peito aqueceu.
— Achei que você não fosse perceber.
Ela riu.
— Eu percebia todos.
A caneca.
Os livros.
Os chocolates para a equipe.
Os cafés...
Ela deu mais um passo.
Agora nossos corpos estavam separados por poucos centímetros.
— Eu esperava por eles.
Minha respiração falhou.
Ela continuou:
— Toda vez que a recepção ligava dizendo que tinha uma entrega...
Meu coração fazia exatamente a mesma coisa.
Olhei para ela como se estivesse vendo um milagre.
Porque talvez estivesse.
Passei sete anos acreditando que a tinha perdido.
E ela acabava de me dizer que meu amor ainda encontrava um jeito de chegar até ela.
Ficamos apenas nos olhando.
Tão perto que eu podia sentir sua respiração tocar meu rosto.
Meu olhar caiu para seus lábios.
Voltou para seus olhos.
Eu queria beijá-la.
Mais do que já quis qualquer coisa na vida.
Mas o medo...
O medo de estragar aquele momento ainda era maior.
Ela percebeu.
Sempre percebeu tudo.
Abriu um sorriso pequeno.
Daqueles que sempre me desmontavam.
Levantou a mão.
Acariciou meu rosto.
E disse, quase rindo:
— Você continua demorando demais para me beijar, Noah Cooper.
Soltei uma risada nervosa.
— Passei sete anos imaginando esse momento.
Ela diminuiu o último centímetro entre nós.
Seus olhos nunca deixaram os meus.
— Então para de imaginar...
Sua testa encostou na minha.
Sua respiração se misturou à minha.
— Porque eu estou aqui.
E, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa...
Foi ela quem me beijou.
Lentamente.
Como quem nunca esqueceu o caminho.
Como quem voltou para casa.
E naquele instante, enquanto meus lábios encontravam os dela outra vez, tive a certeza de que existiam amores que o tempo não enfraquecia.
Apenas ensinava a esperar.
Porque, depois de sete anos...
Minha Pimentinha estava, finalmente, de volta nos meus braços.
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Meu lugar ao Sol
RomanceNina Carvalho perdeu a mãe ainda muito nova e cresceu em um lar com um pai ausente, convencida de que nunca seria amada de verdade. Sua visão sobre o amor era limitada ao que ela via nos livros, até que conheceu Olie e sua família, que lhe mostraram...
