Capítulo 15 - Entre o Certo e o Desejado

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Por Olivia Cooper

Existe uma diferença enorme entre amar alguém...
E permitir que esse amor exista.
Demorei anos para entender isso.
Durante muito tempo achei que o problema era eu.
Que eu tinha confundido carinho com paixão.
Admiração com desejo.
Proteção com amor.
Mas não.
O problema nunca foi sentir.
Foi descobrir que a pessoa que despertava tudo aquilo em mim era justamente Alex.
Meu irmão.
Ou quase isso.
Porque nunca fomos irmãos de verdade.
Só crescemos como se fôssemos.
E talvez tenha sido exatamente isso que tornou tudo tão complicado.
Fechei a mala sobre a cama do quarto da casa do tio Edu e me sentei na beirada.
A casa estava silenciosa.
Pela primeira vez em anos.
Tio Edu e Celeste finalmente estavam vivendo a lua de mel que tanto mereciam.
No andar de baixo eu conseguia ouvir Noah rindo de alguma piada do Ethan.
Nina também estava lá.
Era estranho vê-los todos juntos outra vez.
Como se o tempo tivesse voltado.
Como se os anos nunca tivessem existido.
Mas eles existiram.
E deixaram marcas em todo mundo.
Principalmente em mim.
Sorri sozinha ao lembrar do dia em que conheci Alex.
Eu tinha apenas seis anos.
Ele chegou segurando uma mochila maior que o próprio corpo.
Não sorria.
Não falava.
Só observava tudo como se estivesse esperando alguém dizer que aquilo era um engano.
Lembro de ter puxado a barra da camisa do tio Edu.
- Ele vai embora?
Tio Edu sorriu.
- Não.
- Nunca mais?
Ele se abaixou na minha frente.
- Nunca mais.
Olhei outra vez para o menino magro parado na porta.
Respirei fundo.
Caminhei até ele.
- Oi...
Ele ergueu os olhos.
- Eu sou Olivia.
Silêncio.
- Pode me chamar de Olie.
Mais silêncio.
Então peguei a mão dele.
- Vem.
Você vai gostar do meu quarto.
Naquele dia eu não fazia ideia de que estava conhecendo a pessoa que, anos depois, partiria meu coração tantas vezes.
...
Alex sempre esteve ali.
Na bicicleta.
Na escola.
Nos aniversários.
Nas férias em Hamptons.
Nos meus medos.
Nas minhas conquistas.
Quando caía, era ele quem estendia a mão.
Quando chorava, era ele quem brigava com quem tinha me feito sofrer.
Era impossível não amá-lo.
O difícil foi perceber que aquele amor havia mudado.
Eu tinha quinze anos quando tudo aconteceu.
Hamptons.
O pôr do sol.
A areia fria.
E um beijo.
Ainda consigo sentir a surpresa daquele momento.
Alex segurando meu rosto como se estivesse lutando contra alguma coisa.
Como se aquele beijo tivesse escapado dele.
Durou poucos segundos.
Mas mudou tudo.
Porque, no dia seguinte...
Ele fingiu que nunca aconteceu.
E continuou fingindo pelos anos seguintes.
Nunca falou sobre aquilo.
Nunca pediu desculpas.
Nunca explicou.
Sempre que ficávamos sozinhos...
Ele inventava alguma desculpa.
Sempre havia alguém mais importante para conversar.
Algum lugar para ir.
Alguma emergência.
Enquanto isso...
Eu ficava tentando entender o que tinha feito de errado.
Talvez ele tivesse se arrependido.
Talvez tivesse sentido nojo.
Talvez eu tivesse imaginado significado onde não existia nenhum.
Foi exatamente por isso que Ethan entrou na minha vida.
Porque ele nunca fugiu.
Nunca me deixou esperando.
Nunca me fez sentir insuficiente.
Com Ethan tudo era simples.
Leve.
Seguro.
Ele me olhava como se eu fosse exatamente a mulher que ele procurava.
E, por muito tempo, eu quis desesperadamente acreditar que isso bastava.
Porque era o certo.
E o certo deveria vencer.
Não deveria?
Então...
Por que meu coração acelerava toda vez que Alex entrava em um cômodo?
Por que bastava ele rir para eu esquecer completamente qualquer conversa?
Por que eu ainda procurava seus olhos em qualquer lugar?
Fechei os olhos.
Respirei fundo.
Não.
Aquilo precisava acabar.
Ethan merecia alguém inteiro.
Não uma mulher dividida entre o homem perfeito...
...e o homem impossível.
Foi quando ouvi uma batida na porta.
- Olie?
A voz de Nina.
Sorri imediatamente.
- Entra.
Ela apareceu encostada no batente, usando um moletom enorme, o cabelo preso de qualquer jeito.
Sorriu daquele jeitinho tranquilo que sempre conseguia me desarmar.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Sempre.
Ela me observou por alguns segundos.
- Você ama o Ethan?
Meu coração travou.
Olhei para ela.
Depois para o chão.
Demorei tanto para responder que acho que ela já sabia a resposta.
- Eu...
Minha voz falhou.
- Eu queria que amar fosse tão simples quanto escolher.
Nina não disse nada.
Apenas atravessou o quarto e segurou minha mão.
Às vezes, o silêncio de uma amiga diz exatamente aquilo que a gente ainda não consegue admitir.
E, pela primeira vez em muito tempo...
Eu me permiti ter medo da verdade.

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