Raissa Vassilev
Papai mandou que eu ficasse no quarto. Não estava autorizada a sair nem para comer.
As horas passaram lentamente, e eu sentia o estômago embrulhado de fome. Sempre tive problemas de pressão baixa; ficar sem me alimentar por muito tempo me deixa fraca.
Ele retirou todos os meios de comunicação do meu quarto — sem celular, sem computador. Eu só sabia que ainda era dia pela luz que entrava pela janela.
Estava deitada, cansada, sem lágrimas, o corpo inteiro dolorido. A semana havia sido um turbilhão. Minha barriga estava marcada, dolorida; cada respiração parecia pesar toneladas. Não conseguia mover-me direito.
Ouvi vozes no corredor, mas não levantei. O som da fechadura girando me fez gelar. Olhei de canto para a porta, sem coragem, e vi Dimitri entrar.
Dimitri: — Saia, Ivan. Preciso falar com sua filha a sós.
Meu pai sorriu friamente e saiu, fechando a porta. Dimitri trancou-a e se sentou ao meu lado.
Dimitri: — Está assim porque quis cancelar o nosso casamento?
Assenti, devagar.
Dimitri: — Confesso que fiquei desapontado com sua atitude.
Raissa: — Perdoe-me, mas, por favor... eu não aguento mais ser pressionada assim.
Dimitri: — Calma, printsessa. Mostre-me onde sente dor.
Levantei um pouco a blusa, envergonhada. Ele olhou atento, os olhos escurecendo de raiva.
Dimitri: — Sente dor aqui?
Apertou levemente um ponto.
Raissa: — Ah... sim, pare, por favor.
Dimitri: — Não parece haver nada grave, mas você está com febre.
Raissa: — Eu... eu prometo que não tentarei nada contra o casamento, mas, por favor, peça ao meu pai para parar de me vigiar e me deixar respirar.
Dimitri: — Vou mandar alguém cuidar de você. Não tente mais nada contra o nosso casamento, Raissa, ou farei pior que seu pai.
Raissa: — Eu prometo... não vou tentar nada.
Dimitri: — Mandarei uma empregada vir cuidar de você e te alimentar. Nosso casamento será no sábado.
Raissa: — Mas... uma semana não é muito pouco?
Dimitri: — Não. Iremos nos casar no sábado, e ponto.
Raissa: — Tudo bem, senh...
Dimitri: — Me chame pelo primeiro nome, Raissa.
Raissa: — Tudo bem, Dimitri.
Ele beijou minha testa, depois tocou brevemente meus lábios. Saiu sem dizer mais nada.
Alguns minutos depois, Amara entrou no quarto. Sorriu ao me ver.
Amara: — Minha pequena... não consigo acreditar no que estão te fazendo passar.
Raissa: — Estou com dor no corpo.
Amara: — Seu noivo confrontou seu pai. Disse que, se ele continuar te maltratando, vai ter problemas sérios.
Ela me deu sopa quente e alguns remédios para aliviar a febre.
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Uma semana depois — sábado
Era uma sensação sufocante, como se eu estivesse prestes a explodir a qualquer momento.
O dia do casamento havia chegado.
Nem meu vestido eu pude escolher. Nada do casamento tinha a minha vontade. Não importava; eu nem queria esse casamento. Torcia apenas para que Dimitri não pudesse ler meus pensamentos.
Estava pronta, arrumada, sentada diante do espelho. Meu pai passara a semana inteira reforçando que eu não deveria tentar nada.
Eu estava farta. O homem que eu chamava de herói agora parecia um estranho — um instrumento frio, sem alma, de um sistema maior do que nós dois.
Amara: — Está na hora, querida.
