XV(Revisado)

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Dimitri

Infeliz.
Aquela infeliz teve a audácia de me agarrar no meu próprio escritório.
Não haveria piedade. Não haveria perdão.

- Amor... - Felipa implorou, a voz trêmula. - A gente tem uma história... por favor...

Apertei um botão na mesa.
Em segundos, um segurança entrou.

- Leve essa desgraçada daqui. Prenda-a - ordenei, frio.

Saí em busca de Raissa. Ela se trancara no quarto.
Não era para ela ter visto aquilo. Ela havia entendido tudo errado.
Não podia magoar minha bonequinha. Ninguém tinha esse direito.

Bati na porta, mas não obtive resposta.
Peguei a chave reserva do quarto e entrei.

Ela não estava lá, mas o som do chuveiro denunciava sua presença.
Caminhei até o banheiro. Tirei a roupa e entrei calmamente.

Raissa estava de costas, a água escorrendo pelo corpo, alheia à minha presença.
Agarrei sua cintura. Ela se virou, tentando me empurrar.

- Me solta - implorou, assustada.

- Princesa, você entendeu tudo errado - falei firme. - Felipa se jogou em mim. Aquilo foi armado.

- Não... - sua voz tremia. - Eu só pedi que, se quisesse me trair, fosse discreto. Mas vejo que quer me humilhar.

- Se eu quisesse te trair, não estaria tentando provar nada.

Ela se encolheu, soluçando, suas lágrimas misturadas com a água do chuveiro.

- Para de chorar! - perdi a paciência. - Quer o quê? Uma declaração?

- Eu queria ser livre... uma garota comum... normal - sussurrou, quebrada.

- Pare com isso. Você é minha esposa. Nasceu para ser. Esse é o seu destino.

- Dimitri...

- Cala a boca.

Terminamos o banho e saímos do banheiro em silêncio.
Raissa não disse uma palavra - não que eu permitisse.
Ela tem tudo... e ainda reclama.

Assim que terminou de se vestir, tentou sair do quarto.

- Seu castigo: quando eu digo algo, é verdade. Eu não preciso mentir para ninguém - avisei, firme.

- Não... por favor, me deixa sair - implorou.

- Não. Você ficará aqui até segunda ordem.

- Nem um mês de casados e você já é assim... eu vou sumir daqui.

Sorri friamente.

- Deixa eu te explicar uma coisa, boneca. Aqui, você não manda em nada. Se tentar fugir, eu vou te encontrar. Tenho um lugar especial para meninas fujonas.

- O quê? - ela arregalou os olhos.

- Não ouse fugir, Raissa. Não ouse. Tenho olhos no mundo inteiro.

- Eu te odeio.

- Você não me odeia, esposinha. E se me odiar... farei você me amar.

- Isso é impossível.

- Ah, Raissa... é mais fácil do que você imagina, minha bonequinha.









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