Dimitri
Raissa havia dado à luz ao meu primeiro filho.
Mas ela desmaiou.
Algo estava errado.
- Meu Deus... doutora Drizza! - ouvi uma das enfermeiras dizer, alarmada.
Quando prestei atenção no alvoroço ao redor, algo me paralisou por alguns segundos.
Raissa ainda estava em trabalho de parto.
- Tem outro bebê - disse alguém, em choque.
Minutos depois, outro choro ecoou pela sala.
Uma menina.
Minha mulher havia dado à luz a dois filhos.
Sentei-me no consultório da médica responsável pelo parto, tentando manter o controle.
- Senhor Romanov - começou a doutora Drizza -, ocorreu um caso raro. Sua esposa deu à luz gêmeos.
Permaneci em silêncio.
- O menino estava posicionado de forma a esconder a menina - continuou. - Além disso, ele estava absorvendo a maior parte dos nutrientes durante a gestação. É um verdadeiro milagre que a menina esteja viva.
Fechei os punhos.
- Quero saber o estado de saúde da minha mulher.
- Ela está bem, senhor - respondeu prontamente. - O desmaio foi causado por exaustão extrema. Raissa esgotou todas as forças, mas está fora de perigo.
- Quando ela vai acordar?
- Não aplicamos sedativos - explicou. - Ela pode acordar a qualquer momento. O senhor deseja ver seus filhos?
- Quero ver minha mulher.
- Senhor, talvez seja melhor deixá-la descansar...
Levantei-me lentamente.
- Eu quero vê-la agora. Não estou pedindo sua opinião.
A médica assentiu, tensa.
- Me siga, senhor.
Caminhei pelos corredores do hospital - meu hospital.
Mandei construí-lo para atender exclusivamente membros da Máfia.
Raissa estava no melhor quarto. Havia seguranças por toda parte.
Ivan ainda estava solto, e eu jamais permitiria que ela ficasse desprotegida.
Não era minha intenção ter uma filha.
Já era difícil proteger uma criança - agora eu teria que proteger duas.
Ao entrar no quarto, vi minha mulher pálida, exausta, com a aparência frágil que me tirava o controle.
Ainda não havia contado a ninguém da Máfia que ela tivera dois filhos.
Quando Raissa desmaiou, eu perdi a cabeça.
Se ela tivesse morrido por culpa daqueles incompetentes, todos estariam mortos agora.
Aproximei-me da cama e segurei sua mão com cuidado.
- Aguenta, bonequinha... - murmurei. - Eu estou aqui.
E ninguém jamais ousaria tocar nela.
Nem nos meus filhos.
