Dimitri
Enquanto Raissa dormia, meus pensamentos se voltavam para sua beleza. Cada curva de seu rosto, o ritmo calmo de sua respiração, até o leve franzir das sobrancelhas enquanto dormia me prendiam a atenção. Queria poder dar tudo o que ela desejasse, mesmo que esses pensamentos me fizessem parecer bobo. Mas não gostava de negar nada à minha mulher.
Poderia até deixá-la modelar, mas meu ciúme não permitia. Poderia investir em qualquer projeto para ela, até abrir uma agência própria, mas ver minha mulher exposta em capas de revistas, aos olhos de todos, era algo que meu sangue não suportaria.
Raissa não era completamente desobediente; ela tinha seu lado de submissão, mas precisava que fosse explorado com cuidado, sem forçar limites. Eu faria com que ela se apaixonasse por mim, que precisasse de mim em todos os momentos.
Mesmo que ela não quisesse admitir, nossos corpos e nossas vidas pareciam feitos um para o outro. Era a combinação perfeita, como se o universo tivesse planejado cada detalhe.
Mas sabia que, como líder de minha família, desafios surgiriam. Questões de sucessão e legado precisariam ser resolvidas sem jamais machucar quem eu amava.
Não contaria nada a Raissa; queria que tudo estivesse bem entre nós, que ela confiasse em mim plenamente.
Levantando cedo, olhei para minha pequena mulher ainda adormecida. Havia algo em sua fragilidade momentânea que despertava uma vontade protetora que eu não podia explicar.
Eu tinha muito dinheiro - licitamente, um bilionário russo - mas com meus negócios fora da lei, meu poder ultrapassava qualquer imaginação.
Quando adquiri o castelo, mandei fazer uma reforma detalhada. Não queria que perdesse sua essência medieval, apenas torná-lo mais moderno e confortável, com espaço suficiente para nós dois.
Assim que a reforma estivesse pronta, eu e Raissa passaríamos uma temporada lá, longe de olhos curiosos.
Donato
- Senhor - disse meu chefe de segurança, interrompendo meus pensamentos. - Precisamos discutir questões de segurança, tanto suas quanto da senhora.
Sabia que o pai de Raissa não confiava em mim. Sempre houve ressentimento, talvez inveja. E, pela primeira vez, percebi que não poderia subestimar seu poder de manipulação.
- Peguem o grupo fraco daquele desgraçado, Ivan - ordenei, sem deixar espaço para dúvidas.
- Senhor, descobrimos indícios de que o sogro da senhora planeja sequestrá-la - continuou Donato, com tom sério.
- Quero Ivan em minhas mãos o mais rápido possível. Não podemos correr riscos. - Meus pensamentos se misturavam entre Raissa, minha segurança e os perigos que nos cercavam, mas não podia deixar que o medo mostrasse qualquer fraqueza.
Raissa
Acordei sozinha. A cama parecia maior e fria sem Dimitri ao meu lado, mas eu precisava de distância, precisava aprender a resistir a ele.
Eu não podia ser aquela mulher que cedia a tudo, como uma criança que era castigada e depois recompensada. Eu precisava aprender a me impor, a ser minha própria mulher, mesmo que dentro de mim sentisse o desejo de ceder.
Queria muito falar com meu pai. Não sabia se deveria pedir permissão a Dimitri, mas assim que ele chegasse do trabalho, tentaria. A saudade era mais forte que minha raiva, mesmo depois das brigas que tivemos desde que nos casamos. Ainda assim, meu amor por ele permanecia, silencioso, intenso.
Nunca falei muito sobre minha mãe. Era um assunto doloroso, complicado demais para explicar, mas a ausência dela deixou marcas profundas. Ela se foi quando eu tinha apenas dez anos, deixando um vazio difícil de preencher. A raiva tomou conta nos primeiros meses, mas com o tempo deu lugar a uma saudade silenciosa, quase palpável, que permanecia em cada lembrança que eu tinha.
Um dia, talvez, eu pudesse reencontrá-la - ou ao menos entender melhor suas escolhas. Mas, por enquanto, restava-me aceitar a falta e conviver com essa sensação de abandono, sem deixar que definisse quem eu era.
Respirei fundo e sentei na beira da cama. A luz suave da manhã entrava pela janela, iluminando o quarto com tons quentes. O silêncio era quase reconfortante, e eu aproveitei para organizar meus pensamentos e planejar meus próximos passos. Aprenderia a lidar com Dimitri, a me tornar mais firme sem abrir mão do que eu era. Era hora de começar.
