Dimitri
As palavras de Raissa me pegaram de surpresa. Eu não esperava aquilo.
Thomas iria me pagar por isso - de uma forma ou de outra.
Raissa era frágil, embora acreditasse que eu não percebesse sua tristeza. Havia algo nos olhos dela que denunciava uma melancolia silenciosa.
Natália, por outro lado, sempre fora simples de lidar: bela, disponível, minha foda fixa. Funcionava bem... até começar a cobrar um casamento. Foi ali que deixou de servir.
Raissa observava a cidade pela janela do carro, o olhar perdido entre luzes e sombras. O silêncio dela era pesado.
Eu nunca quis uma amante. Nunca pensei em ter uma.
- Eu não quero uma amante, Raissa - quebrei o silêncio. - Natália é passado.
Ela respirou fundo antes de responder, como se já soubesse o final daquela conversa.
- Dimitri... não precisa mentir. Desde o momento em que você me escolheu, eu já sabia como seria nosso casamento.
Apertei o volante.
- Pare de dizer asneiras. Não tenho intenção de te trair - disse, num tom firme. - Posso ter minhas necessidades, sou esse tipo de homem... mas você vai aprender a me satisfazer. Muito bem.
Acelerei o carro. Precisava chegar logo ao hotel.
Raissa se calou.
E foi naquele silêncio que percebi: não sei como, nem quando, mas ela despertou algo em mim.
Nunca me preocupei com mulheres. Sempre foram descartáveis, passageiras. Eu não devia nada a nenhuma delas.
Mas Raissa era diferente. Inocente. Não carregava maldade no olhar, nem jogos escondidos.
Quando chegamos ao hotel, fomos direto para o quarto. Já passava da meia-noite, e a noite parecia nos engolir junto com aquele corredor silencioso.
Dimitri: Tire sua roupa.
Raissa é minha, ela jamais irá se afastar de mim.
Seu corpo foi feito sob medida para mim.
Comecei a tirar peça por peça da minha roupa.
Sentia a excitação de Raissa; minha bonequinha está ligada a mim.
Ataquei Raissa, deitei em cima da cama.
Tivemos uma noite intensa com muito sexo. Assim que terminamos, ela repousou sua cabeça no meu peito.
Fiz carinho em seus cabelos até ela adormecer.
Mais uma vez gozei todas as vezes dentro dela; logo ela estaria grávida.
Raissa
Acordei desnorteada, com o corpo dolorido, como se um caminhão tivesse passado por cima de mim durante a noite. Cada músculo reclamava, mas, ainda assim, havia algo diferente em mim.
Dimitri estava me transformando.
Eu me sentia poderosa. Desejada. Como se fosse a mulher mais desejada do mundo.
Ainda não tinha certeza de um pensamento que insistia em se formar, mas percebi que havia me enganado sobre ele.
Achei que Dimitri seria cruel comigo. Que me machucaria. Que me trataria como um objeto.
Mas, mesmo estando casados há tão pouco tempo, eu não conseguia enxergá-lo como alguém ruim.
Ele parecia... quebrado.
Como alguém marcado por um passado pesado, triste, que ainda sangrava em silêncio.
Peguei meu celular e acessei antigas redes sociais que quase não usava mais. Rolei a tela sem muito interesse até que o Pinterest chamou minha atenção.
Ideias para quartos de bebês.
Meu coração acelerou.
Então me lembrei: Dimitri não havia usado preservativo.
E eu não tomava nenhum remédio.
Passei por cada imagem com cuidado, absorvendo detalhes, cores, berços, pequenos objetos que pareciam carregar sonhos inteiros. Fiquei ali por alguns minutos, perdida.
A porta do quarto se abriu.
Dimitri entrou, me observou por alguns segundos antes de perguntar:
- O que tanto mexe nesse celular?
Meu estômago se contraiu. Fiquei nervosa. Não queria que ele pensasse que eu estava planejando algo. Talvez ele não quisesse filhos. Talvez achasse que eu estava tentando prendê-lo.
- Não é nada - respondi rápido demais.
Ele se aproximou, e bastou isso para que eu ficasse imóvel, hipnotizada pela presença dele.
Sem pedir permissão, tomou o celular da minha mão e olhou a tela.
- Planejando o quarto do nosso filho? - perguntou, com um tom calmo demais para o caos que provocou em mim.
- Não é isso... - balancei a cabeça. - Eu só vi... fiquei curiosa.
Ele me encarou por alguns segundos, depois falou com naturalidade:
- Não se preocupe, boneca. Você vai comprar tudo o que quiser para o nosso filho.
Engoli em seco.
- Você... pretende ter um filho comigo?
Ele não hesitou, não desviou o olhar, não demonstrou dúvida alguma.
- Não só um - respondeu. - Quero vários. Com você.
