VIII(Revisado)

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No jatinho

Já acomodados nas poltronas, o ronco suave dos motores nos embalava. Dimitri estava concentrado no notebook até o piloto avisar que íamos decolar. Guardou o aparelho, olhou para mim e, por um segundo, pareceu querer conversar — mas em vez disso aproximou‑se e me beijou. Foi um beijo brusco; tentei afastar‑me.

Raissa: — Pare, Dimitri. Se alguém nos ver...

Ele sorriu com desdém, como se o mundo inteiro estivesse a seu favor.

Dimitri: — Está tranquila. Ninguém entra nessa cabine sem minha ordem. Relaxe.

Fiquei em silêncio e tentei cochilar, mas a inquietação não me deixou.

Mais tarde, quando eu finalmente adormecera por um instante, despertei ao perceber que estava sendo carregada para outra parte da pequena suíte do jatinho. Dimitri deixou‑me no sofá com cuidado — não havia agressão física, mas havia uma sensação forte de controle no ar.

Ele se sentou ao lado de mim e falou com voz baixa, calculada.

Dimitri: — Não vou forçar algo que vai contra a sua vontade agora. Mas entenda: ser minha esposa tem consequências. Você tem obrigações.

Seu tom era firme, frio — não de carinho, mas de comando. Eu tremi.

Raissa: — Eu... eu não queria me casar, Dimitri.

A confissão saiu num sussurro. Seus olhos escureceram por um instante, não de violência, mas de raiva contida.

Ele se levantou, ajeitou o terno e falou direto, sem rodeios.

Dimitri: — Não vamos ficar casados por muito tempo, se tudo correr como espero. Assim que cumprir seu papel em me dar um Herdeiro irei te enfiar em um bordel.

A ameaça estava colocada — velada, estratégica: exílio, perda de influência, expurgo dentro da organização. Era uma punição política e social, não uma promessa de sangue, mas pesava tanto quanto qualquer outro aviso.

Em um ato de desespero dei um beijo em Dimitri, desesperada com a possibilidade de ir parar em um bordel.

Os bordéis da Máfia são lugares horrendos, sei de várias moças que se entregaram antes do casamento e seus pais como forma de castigar as mandaram para os Bordéis e lá foram usadas e abusadas de forma cruel por qualquer um que pagasse.

Dimitri: — Vejo que minha esposa mudou de ideia sobre nosso casamento, terá que fazer muito mais que isso para tirar essa ideia da minha cabeça Raissa, vou te dar uma dica me diga a relação de seu pai com  Adam Russel.

Eu tremia.  Sabia quem era Adam, ele era um dos meus pretendes. Meu pai queria me casar com ele só desistiu porque Dimitri era um peixe maior.

Dimitri

Eu observei cada palavra, procurando contradições. Ela soava sincera — transparente demais para mentir bem. Guardei aquilo. Não fiz promessas de morte; fiz promessas de investigação.

Dimitri: — Muito bem. Você me deu algo. Vou lidar com seu pai de forma cirúrgica: retirar influência, expor alianças, cortar a credibilidade dele. Não quero transformá‑lo em um inimigo público, quero torná‑lo impotente. Entende a diferença?

Ela assentiu, aliviada por não ouvir palavras de destruição direta — mas temerosa do que viria a seguir.

O avião continuou seu curso. Por trás da janela, as nuvens passavam calmas. Dentro daquela cabine, porém, as nuvens eram de outra ordem: intriga, poder e decisões que mudariam a vida de muitas pessoas.

Império RussoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora