Raissa
Depois de cumprimentar tantos convidados, finalmente consegui me sentar e respirar um pouco. Dimitri havia desaparecido com uma mulher loira minutos antes e agora voltava, impecável, se sentando ao meu lado.
Alguns olhares se voltaram para mim; percebi risos discretos e cochichos. Não sabia se era impressão minha ou se todos estavam realmente se divertindo às minhas custas.
Dimitri: — Dê pelo menos um sorriso, printsessa. É nosso casamento, o dia mais feliz da sua vida.
Disse com sarcasmo.
Forcei um sorriso leve, sem conseguir responder.
Logo ele se levantou e, sem me dar tempo, puxou minha mão para dançar. O salão estava cheio de casais, a música era suave, mas minha mente estava barulhenta.
Dimitri: — Estou ansioso para ter você comigo de verdade.
Senti minhas bochechas queimarem.
Dimitri: — Mais uma hora e vamos para nossa lua de mel.
Raissa: — Iremos ficar por aqui mesmo, não é?
Dimitri: — Não.
Raissa: — Para onde iremos então?
Ele respirou fundo, irritado com as perguntas:
Dimitri: — Tenho negócios em Dubai. Iremos para lá.
Apertou-me um pouco mais contra si durante a dança.
Dimitri: — Quero ver se consigo esperar as sete horas de viagem.
Raissa: — Dimitri… por favor, as pessoas estão olhando.
Ele apenas sorriu, como se estivesse se divertindo com meu desconforto, e continuou a dançar como se nada tivesse acontecido.
Olhei para meu pai à distância. Ele bebia e conversava animado, como se nada estivesse fora do lugar. Parecia outra pessoa — ou talvez eu nunca tivesse conhecido o verdadeiro Ivan.
Quando a música terminou, Dimitri me conduziu até alguns convidados para despedidas rápidas. Logo depois, fui trocar de roupa para algo mais leve antes de partirmos.
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Na limusine para o aeroporto
O silêncio era pesado. Dimitri digitava algo no notebook, e eu tentava me manter calma.
Dimitri: — Espero que se comporte.
Fingi não ouvir. Mas, num segundo, senti sua mão firme em meu braço.
Dimitri: — Não me ignore, Raissa. Não me obrigue a ser mais duro.
Raissa: — S-sim…
Ele me soltou. Engoli o choro, tentando não deixar que as lágrimas caíssem.
Dimitri: — Pare de chorar. Não combina com você.
Voltou a olhar o computador e me chamou:
Dimitri: — Venha ver isso.
Olhei a tela. Cinco mansões apareciam em fotos brilhantes.
Dimitri: — Qual você gosta mais?
A pergunta me pegou de surpresa. Eu estava tão perdida em meus pensamentos que levei alguns segundos para entender. Apontei para uma.
Raissa: — Gostei mais da segunda.
Dimitri: — Iremos morar nela então.
Eu não disse nada. Queria estar longe, mas estava presa ao meu destino.
Dimitri: — Está tão sem ânimo… vou mandar fazer um espaço só para você lá. Vai poder descansar.
Engoli seco. Mesmo as promessas soavam como prisões.
Raissa: — Dimitri…
Ele ergueu um dedo para que eu me calasse.
Dimitri: — Chegamos. Vamos. O voo decola em meia hora.
Desceu primeiro e abriu a porta para mim.
Alguns paparazzi se aproximaram imediatamente, fazendo perguntas.
Repórter: — Senhor Romanov, para onde irão na lua de mel?
Dimitri: — Para Dubai.
Os seguranças fizeram um círculo em torno de nós. Suspirei. Já me via estampando manchetes como a “esposa Romanov”.
Dimitri: — Por que o olhar triste?
Raissa: — Não vou aguentar tanta humilhação.
Falei bem baixinho, mas ele ouviu.
Dimitri: — Quem te humilhou, Raissa? Estou sendo um bom marido nas primeiras horas.
Raissa: — Todos vão debochar de mim.
Ele soltou uma risada curta:
Dimitri: — Não vão. Você vai aprender rápido a lidar com tudo isso.
Seu tom não era de carinho, mas de aviso.
Engoli mais uma vez o nó na garganta. Dubai não era uma lua de mel — era um campo de guerra disfarçado de viagem.
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