VII(Revisado)

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Raissa

Depois de cumprimentar tantos convidados, finalmente consegui me sentar e respirar um pouco. Dimitri havia desaparecido com uma mulher loira minutos antes e agora voltava, impecável, se sentando ao meu lado.

Alguns olhares se voltaram para mim; percebi risos discretos e cochichos. Não sabia se era impressão minha ou se todos estavam realmente se divertindo às minhas custas.

Dimitri: — Dê pelo menos um sorriso, printsessa. É nosso casamento, o dia mais feliz da sua vida.
Disse com sarcasmo.

Forcei um sorriso leve, sem conseguir responder.

Logo ele se levantou e, sem me dar tempo, puxou minha mão para dançar. O salão estava cheio de casais, a música era suave, mas minha mente estava barulhenta.

Dimitri: — Estou ansioso para ter você comigo de verdade.
Senti minhas bochechas queimarem.

Dimitri: — Mais uma hora e vamos para nossa lua de mel.

Raissa: — Iremos ficar por aqui mesmo, não é?

Dimitri: — Não.

Raissa: — Para onde iremos então?

Ele respirou fundo, irritado com as perguntas:

Dimitri: — Tenho negócios em Dubai. Iremos para lá.

Apertou-me um pouco mais contra si durante a dança.

Dimitri: — Quero ver se consigo esperar as sete horas de viagem.

Raissa: — Dimitri… por favor, as pessoas estão olhando.

Ele apenas sorriu, como se estivesse se divertindo com meu desconforto, e continuou a dançar como se nada tivesse acontecido.

Olhei para meu pai à distância. Ele bebia e conversava animado, como se nada estivesse fora do lugar. Parecia outra pessoa — ou talvez eu nunca tivesse conhecido o verdadeiro Ivan.

Quando a música terminou, Dimitri me conduziu até alguns convidados para despedidas rápidas. Logo depois, fui trocar de roupa para algo mais leve antes de partirmos.

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Na limusine para o aeroporto

O silêncio era pesado. Dimitri digitava algo no notebook, e eu tentava me manter calma.

Dimitri: — Espero que se comporte.

Fingi não ouvir. Mas, num segundo, senti sua mão firme em meu braço.

Dimitri: — Não me ignore, Raissa. Não me obrigue a ser mais duro.

Raissa: — S-sim…

Ele me soltou. Engoli o choro, tentando não deixar que as lágrimas caíssem.

Dimitri: — Pare de chorar. Não combina com você.

Voltou a olhar o computador e me chamou:

Dimitri: — Venha ver isso.

Olhei a tela. Cinco mansões apareciam em fotos brilhantes.

Dimitri: — Qual você gosta mais?

A pergunta me pegou de surpresa. Eu estava tão perdida em meus pensamentos que levei alguns segundos para entender. Apontei para uma.

Raissa: — Gostei mais da segunda.

Dimitri: — Iremos morar nela então.

Eu não disse nada. Queria estar longe, mas estava presa ao meu destino.

Dimitri: — Está tão sem ânimo… vou mandar fazer um espaço só para você lá. Vai poder descansar.

Engoli seco. Mesmo as promessas soavam como prisões.

Raissa: — Dimitri…

Ele ergueu um dedo para que eu me calasse.

Dimitri: — Chegamos. Vamos. O voo decola em meia hora.

Desceu primeiro e abriu a porta para mim.

Alguns paparazzi se aproximaram imediatamente, fazendo perguntas.

Repórter: — Senhor Romanov, para onde irão na lua de mel?

Dimitri: — Para Dubai.

Os seguranças fizeram um círculo em torno de nós. Suspirei. Já me via estampando manchetes como a “esposa Romanov”.

Dimitri: — Por que o olhar triste?

Raissa: — Não vou aguentar tanta humilhação.

Falei bem baixinho, mas ele ouviu.

Dimitri: — Quem te humilhou, Raissa? Estou sendo um bom marido nas primeiras horas.

Raissa: — Todos vão debochar de mim.

Ele soltou uma risada curta:

Dimitri: — Não vão. Você vai aprender rápido a lidar com tudo isso.

Seu tom não era de carinho, mas de aviso.

Engoli mais uma vez o nó na garganta. Dubai não era uma lua de mel — era um campo de guerra disfarçado de viagem.

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Império RussoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora