Raissa
Do lado de fora da igreja, eu sentia o corpo inteiro tremer. A respiração estava acelerada, como se meu próprio vestido me sufocasse. Eu não conseguia sair da limusine. A ficha finalmente havia caído: eu estava prestes a me casar com Dimitri Romanov.
Amara: — Minha querida, vá logo. Se você demorar muito, seu noivo vai vir te arrastar até o altar.
Ela dizia em tom de brincadeira, mas eu sabia que não era exagero.
Com a ajuda de Amara e da estilista, saí do carro. O vestido era longo, pesado. Cada passo parecia um sacrifício.
A cerimonialista entrou na igreja e avisou que eu estava pronta. Meu pai se aproximou de mim, sorrindo, orgulhoso.
Ele não via a filha. Via apenas a peça final de um grande acordo de poder.
Nos posicionamos diante das portas da igreja. A marcha nupcial começou. As portas se abriram com solenidade.
Lá estava ele.
Dimitri. Impecável, como sempre. Postura firme, expressão impenetrável.
Caminhei sobre o tapete vermelho, sentindo os olhos de todos em mim. Mafiosos, aliados, rostos sérios e atentos. Mas os únicos olhares que me incomodaram foram de três mulheres sentadas no meio da igreja. Mulheres que eu havia visto na boate com ele naquela noite.
Mantive a postura. Não poderia demonstrar fraqueza. Não ali.
Chegamos ao altar. Meu pai me entregou a Dimitri com o mesmo orgulho de quem fecha um grande negócio.
O padre falou. Palavras bonitas misturadas a votos obscuros que só a máfia compreende.
Eu respondi a tudo como se estivesse no automático.
Meu corpo estava ali. Minha mente, longe.
Troquei alianças. O padre autorizou o beijo.
Dimitri me beijou com intensidade.
A igreja explodiu em aplausos. Mas, em seus olhos, eu vi outra coisa. Desejo? Triunfo?
Não soube distinguir.
Saímos direto para a limusine que nos levaria à recepção. Assim que entramos, o silêncio foi cortado pela voz dele.
Dimitri: — Agora você é oficialmente minha.
Abaixei a cabeça. Não disse nada.
Dimitri: — O que foi? Não está feliz em se casar comigo?
Sua voz carregava sarcasmo.
Continuei calada. Então ele tocou meu queixo com força, obrigando-me a encará-lo.
Dimitri: — Eu fiz uma pergunta. Quero uma resposta.
Engoli seco.
Raissa: — Eu… estou feliz.
Mentira.
Dimitri: — Hm. Isso é melhor.
Ele se aproximou mais.
Dimitri: — Beije seu marido.
Aproximei-me. O beijo foi mais intenso do que eu esperava. Ele era rápido, invasivo, como se quisesse marcar território.
Dimitri: — Esse vestido esmagando seus seus seios… seu rosto angelical. Você não faz ideia do quanto me provocou hoje.
Ele me beijou mais uma vez e me puxou para seu colo, com fervor ele enfiou a mão por baixo de todo o pano do vestido é passou a mão sobre minha parte intima, me senti amendotrada, queria a todo custo sair daquela situação pavorosa.
Senti o ar pesar. Fiquei desconfortável. Ele se ajeitou no banco, mas não passou disso.
Dimitri: — Relaxe. Ainda temos a noite toda.
Disse com um sorriso frio.
Desviei o olhar e encarei o pequeno espelho da limusine.
Meus olhos… estavam vazios.
Como se toda a minha luz tivesse sido apagada.
E o casamento… mal havia começado.
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