Raissa Vassilev
Fomos o caminho inteiro em silêncio.
Dimitri mal me olhava. Quando chegamos à entrada, ele abriu a porta e me ajudou a descer os degraus.
Raissa: — Obrigada pelo passeio, senhor Dimitri.
Disse com pouca vontade.
Dimitri: — De nada, bonequinha. Diga ao seu pai que virei aqui amanhã.
Assenti e já ia me afastando quando ele puxou minha mão e acrescentou, com uma voz baixa:
Dimitri: — Um beijo, minha noiva?
Encostei os lábios, com um misto de nojo e raiva. O beijo foi breve; quando ele me soltou, ordenou:
Dimitri: — Vá agora.
Atravessei o jardim da casa devagar, sentindo o peso do dia em cada passo. Ao entrar, encontrei Amara, nossa governanta, na sala de estar.
Amara: — Olá, Raissa. Gostou do passeio?
Raissa: — Não foi como eu esperava, Amara. Não quero me casar com ele... — perguntei baixinho — papai já dormiu?
Amara: — Não, minha filha. Ele está no escritório.
Corri até o escritório, o coração apertado. Ao abrir a porta, vi meu pai sentado, com a expressão fechada, um copo na mão.
Ivan: — Gostou do passeio?
Raissa: — Papai... tudo deu errado. Ele... me humilhou.
Comecei a contar, mencionando cada pequena humilhação. Meu pai permaneceu em silêncio, a face tensa.
Raissa: — Eu não quero me casar, papai...
De repente ele se levantou, falou com voz firme e segurou meu braço com força, me machucando, o bastante para me calar.
Ivan: — Você vai se casar, Raissa.
Minha contrariedade fez com que sua voz aumentasse. Ele deixou claro que não aceitava ouvir "não" daquela forma, naquela hora.
Senti o mundo girar; não era só a raiva dele, era o medo do que significaria desafiar a família. Comecei a chorar — lágrimas que tinham mais desespero que dor física. Papai nunca me havia tratado assim antes; a rigidez na voz dele me feriu mais do que qualquer gesto.
Raissa: — Mas papai, ele me humilhou... por favor, cancele — implorei, tentando recobrar a compostura.
Ele respirou fundo, soltou meu braço e me deu um tapa no rosto, com força o suficiente para me derrubar, depois de caída ele ainda me deu um chute no estômago.
Ivan: — Não ouse colocar em risco o que planejei para nós. Entendo seu medo, mas isso é maior do que ambos agora. Vai para o seu quarto e não saia de lá até segunda ordem
Saí do escritório mancando com dor. Subi as escadas em passos trôpegos e, ao chegar ao meu quarto, joguei o vestido no chão e me deixei cair sentada. No banheiro, lavei o rosto até que as lágrimas misturadas à água me deixassem exausta.
Deitei com roupas simples, o corpo tremendo de tanto chorar. Doía-me mais a sensação de ser propriedade do que qualquer ferida visível.
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Mais tarde, Dimitri atendeu uma ligação de um de seus contatos na casa — Walace.
Walace (na linha): — Senhor, Ivan perdeu a compostura com a menina. Ela está bastante abalada e saiu apoiando-se nas paredes.
A voz do homem carregava preocupação. Dimitri fechou os olhos por um segundo, a raiva contida.
Dimitri (no telefone): — Informe-me sobre o estado dela e mantenha a casa sob observação. Ela não deve ficar desamparada.
Ao desligar, senti a fúria crescer, mas de forma controlada — não por possessão simples, e sim porque ninguém, além dele, decidiria o que aconteceria a Raissa. Pedi a meus homens que assegurassem discrição e cuidado.
Ninguém, além de mim, iria machucá-la. Eu iria garantir que somente eu pudesse machucá-la, Ivan estava entrando em um caminho obscuro, ser meu sogro não seria fácil, a filha dele agora me pertence e quem dita as regras para ela sou eu.
