III(REVISADO)

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Raissa Vassilev

Hoje é domingo e vou jantar com Dimitri. É assustador pensar que, entre tantas mulheres, fui escolhida. Mas é assim que funciona: desde cedo aprendemos cinco regras básicas.

Nunca elevar a voz contra o Don, o consigliere ou os capos.
Mulheres não devem ter relações antes do casamento.
A vontade do Don é lei - não se desobedece.
Nunca envolver o nosso nome em polêmicas.
NUNCA falar da organização para terceiros.

Quem faz parte desse mundo precisa andar na linha para evitar problemas sérios. Mas, ironicamente, Dimitri sempre se envolve em controvérsias. Tenho certeza de que não serei uma prioridade para ele - temo ser traída e tratada como mais uma peça do jogo pelo poder.

O posto de primeira-dama é cobiçado, mas, para mim, soa vazio. O que há de bom em viver cercada de traições e sacrifícios por ambição alheia?

Estou sentada no meu quarto, pensando no que devo ou não dizer a Dimitri.

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Dimitri

Não pretendia escolher uma noiva apenas para agradar o Conselho. Mas não esperava que meu consigliere tivesse uma filha tão notável.

Raissa chamou minha atenção de um jeito que ninguém mais conseguiu. Todos estavam preparados para se apresentar caso eu escolhesse outra - mas eu fui cauteloso.

Ela é uma joia escondida; quando me cansar, a descartarei. Não sou homem de compromissos; fidelidade não faz parte dos meus planos. Mesmo no domingo, meu dia foi tenso.

Sair com Raissa naquele jantar seria um teste. Queria deixar claro para o pai dela que não tolero insubordinação - faria com que pagasse pelo que considero uma falta de lealdade ao meu legado.

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Cheguei à mansão dos Vassiliev e o mordomo me recebeu - um dos meus contatos dentro da casa.

Entrei e vi Ivan, firme como sempre.

Ivan: - Senhor, ela já está descendo.
Dimitri: - Ótimo. Tenho pressa.
Ivan: - Seja paciente. Vamos tomar um vinho antes.

Não precisei recusar. Raissa apareceu descendo as escadas num vestido preto elegante. Caminhou lentamente até mim.

Raissa: - Boa noite, senhor Dimitri.
Ivan: - Boa noite. Vou cuidar de umas coisas. Divirtam-se.
Dimitri: - Vamos.

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Fomos a uma boate escolhida por mim - um lugar onde as regras e os papéis ficam mais claros. Era a hora de testar minha noiva; queria marcar território e deixar um recado ao pai dela.

Raissa ficou desconfortável ao entrar. O ambiente era festivo e provocador - não o tipo de lugar em que ela se sentiria à vontade.

Sentamo-nos na área reservada. Algumas mulheres tentavam atenção; eu decidi usar aquilo a meu favor. Para humilhá‑la, beijei outra mulher à vista de todos - um gesto pensado para deixá‑la exposta, para mostrar quem mandava.

Raissa olhava para o chão, ferida e envergonhada.

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Raissa

Fiquei magoada, humilhada, despedaçada. Prometi a mim mesma que, ao chegar em casa, pediria ao meu pai para cancelar esse casamento. Não me casaria com um homem assim.

Segurei as lágrimas enquanto Dimitri lidava com duas mulheres à sua volta. A humilhação aumentava: ele me fazia buscar bebidas, eu obedecia sem reação.

Dimitri: - Vamos, Raissa. Depois eu volto para buscá‑las.

O que eu havia feito para merecer isso? Por que ele precisava diminuir‑me tão abertamente?

Eu queria acreditar que meu pai entenderia e recusaria esse destino. Mas pairava em mim um medo: naquela família, a palavra dele valia mais do que a minha vontade. E eu não sabia até onde estaria disposta a ir para me proteger - ou a quem pedir proteção, sem condenar quem sempre tentou me cuidar.

Império RussoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora