Narrador ON
As luzes claras do hospital so evidenciavam mais ainda tudo o que Henry não queria ver: a jaqueta antes dele, mas que agora envolvia o corpo de Agnes completamente banhada em sangue, e cada vez a cor pálida tomando conta do rosto de sua amada.
Tentou, em vão, acompanhar Agnes até o quarto. Uma equipe de paramédicos ja aguardava a chegada da ambulância, e conseguiu no máximo seguir até a porta por onde ela atravessou na maca, rodeada de médicos e enfermeiros falando termos difíceis, até que desistiu de tentar entender e enquanto as portas se fechavam e uma outra equipe, essa com menos profissionais, chegava até ele para realizar o atendimento do mesmo, tentava mandar energia positiva, como se Agnes por meio de algum laço, de alguma matéria sobrenatural, como se por meio do amor que ele tinha por ela pudesse entender e atender as súplicas de seu amado
"volta pra mim Agnes, fica comigo..."
Ele repetia como um mantra, mesmo quando o médico falava e fazia perguntas a ele, Henry não respondia e nem o olhava nos olhos, apenas repetia em sua mente as palavras que ele achava que eram a salvação de Agnes.
Nem mesmo quando recebeu uma injeção ou quando o curativo em seu ombro e braço estavam sendo feitos esboçava nenhuma reação.
O único momento em que sentiu seu coração errar a batida mas por uma leve agitação foi quando se lembrou do fim de Anthony. O causador disso tudo, de todos os traumas e marcas que Agnes e agora ele mesmo nunca se esqueceriam, estava agora morto. Não teve a chance de se ver cara a cara com aquele homem. Embora temesse sua própria reação ao possível encontro com o algoz que atirou na mulher que ele queria que fosse a da sua vida.
- Não foi nada muito grave - disse o médico, e ao perceber que Henry não fez nem mesmo menção de olhar para ele, falou um pouco mais alto - não foi nada grave, só vou pedir que fique algumas poucas horas em observação, mais por questão de praxe mesmo.
- Eu não quero ficar em observação, preciso saber como Agnes está. - respondeu Henry.
- Se foi a moça que chegou com você aqui, receio que não vai ter como ter notícias nem tão cedo. Ela foi levada para a ala de cirurgia e somente os médicos ligados a casos de lá tem acesso.
- Eu preciso saber dela, qualquer coisa, qualquer notícia.- Henry suplicava enquanto tentava se levantar.
- Eu entendo seu desespero, juro que entendo. Vejo isso todos os dias. - disse o médico tentando tranquilizar um agitado Henry, e depois continuou - mas deixa a equipe médica fazer o trabalho dela. Assim que eles puderem se posicionar e dar alguma notícia eles vão.
Henry, desolado, voltou a se sentar na maca só pensando em como tudo aconteceu tão rápido e em tão pouco tempo tudo virou de cabeça pra baixo.
Ele é direcionado pelo médico para a sala de espera. Agora com o sangue mais frio, sente uma fisgada no braço a cada movimento que faz. Quando chega na sala se encontra sozinho, e tem uma tv no fundo da sala que noticia o ocorrido.
Henry observa a narrativa contada pela repórter e suspira pesado. Pela primeira vez em horas se sente sozinho, literal e fisicamente. E quer chorar. Ele coloca a mão no cabelo e o puxa, como se para sentir alguma dor além da que ele já sentia por conta de Agnes.
Ele ouve um barulho vindo da direção da porta e olha intrigado para a mesma, até que relaxa e suspira aliviado ao ver Susie e Carlie entrando na sala.
- Minha filha... - diz Susie chorosa e vai em direção a Henry que a abraça sem conseguir nem imaginar a dor de uma mãe ao não saber o estado da filha.
Carlie se manteve em pé ao lado de Susie durante o abraço, e assim que ele se desfez voltou a segurar as mãos da mãe de Agnes.
- Henry... - ela falou e acenou com a cabeça. Claramente não estava bem, mas tentava não demonstrar tanto. Tinha a sensação de que alguém deveria ser o centro, o pilar de toda aquela situação e tomou a responsabilidade para si mesma. Continuou a falar - eu vou ver o que consigo pegar de informação dos médicos ou recepcionistas... de alguém.
- Já tem quase uma hora, talvez até mais, que vocês chegaram. Tem que ter algum tipo de notícia pelo menos - diz Susie, tentando parecer esperançosa. Não queria e não se permitia pensar na ideia de algo dar errado.
- Eu tentei, eles não me falam nada - dizia Henry - me desculpa Susie, foi tudo muito rápido, eu tentei evitar, nem de longe eu queria que isso acontecesse...
Susie abraçou novamente o homem. Ele era tão grande em comparação a ela, mas mesmo assim naquele abraço ele se sentiu um menino que precisava também de atenção e de consolo.
- Vai dar tudo certo, nossa menina vai estar com a gente já já, e vamos ficar livres de toda essa situação.
Era o que Henry esperava, ver sua amada de volta.
Era o que Susie esperava, ver sua filha de volta.
Era o que Carlie esperava, mesmo enquanto se segurava para não chorar durante o tempo que voltava com a notícia que recebera para a sala de espera. Ao abrir a porta sentiu dois pares de olhos otimistas direcionados a ela.
- E aí, conseguiu alguma coisa? - perguntou Henry chegando mais perto.
- Ela está em uma cirurgia.. delicada e decisiva, segundo os médicos. Vamos ter que esperar mais algumas horas para saber o resultado final.
E se sentaram os três, um perto do outro em um silêncio que dizia tudo. Unidos por uma mulher, por um amor e uma vontade: a de ver Agnes bem novamente.
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Colleagues.
Любовные романыAgnes Alden. 28 anos, atriz em ascensão e promessa pra nova fase do Universo da DC como Batgirl no filme "Aves de Rapina". Participa de sua primeira Comic Con, e logo a mais famosa de todas: San Diego. Lá além de ter seu primeiro contato com o públi...
