Henry POV.
Fiquei esperando o telefonema dela no dia em que ela se despediu, mas nada. Assumi que as fotos deveriam ter se estendido e que ela ficou até a madrugada trabalhando, e por isso não me ligou ou mandou mensagem, crendo que eu estaria dormindo. Mas não estava; estava na verdade esperando por sua comunicação.
Que não aconteceu.
No dia seguinte, telefonei para Agnes várias e várias vezes, mas não obtive resposta. Ela não respondia nenhuma das minhas mensagens e isso estava me deixando preocupado, mesmo sabendo que, Deus me livre, se tivesse acontecido algo de ruim a notícia voaria e já teria chegado aos meus ouvidos.
"Como foram as fotos?"
"Tá tudo bem?"
"Por que não me responde?"
"Agnes, aconteceu alguma coisa?"
Encarava o celular mais uma vez na esperança de ter alguma resposta da parte dela, mas a lista de mensagem mais parecia um monólogo.
Eu estava gostando de Agnes, estava mesmo. Ela era espirituosa, alto astral, iluminava cada cômodo que entrava e me deixava boquiaberto com suas ideias e visões para o futuro. Uma mulher incrível, que infelizmente mais uma vez estava me ignorando.
Eu recapitulei passo a passo daquele dia, tentando lembrar de algum momento que falhei ou fiz algo que pudesse a deixar descontente; e juro que não achei. Ainda mais que quando estou com ela, me esforço ao dobro para ser atencioso e cavalheiro para poder impressioná-la.
- Ainda encarando esse telefone? - minha assistente Anne entrou na sala que eu estava aguardando para fazer uma entrevista para uma revista.
-Pois é. - tentei sorrir mas tenho certeza que saiu como uma careta.
- Eu já vi você encarando esse celular da mesma forma não tem muito tempo. - ela disse se sentando na cadeira destinada a entrevistadora bem na minha frente.
- Viu. E eu estou encarando pelo mesmo motivo e pela mesma pessoa. - suspirei.
- Ela sumiu de novo? - assenti com a cabeça. - Quer que eu ache ela pra você? Posso movimentar meus contatos. - ela continuou e eu gesticulei que não.
- Da primeira vez eu pisei na bola, dormi com outra pessoa com ela estando no mesmo hotel. Dessa vez eu não fiz nada de errado, e quero que ela apareça e fale comigo por espontânea vontade.
- Mas tem gente que só funciona por espontânea pressão. - ela disse o que me fez rir um pouco, já que ela usava essa frase no escritório com frequência.
-Melhor não. Mas obrigada Anne. - ela deu de ombros e se levantou.
- Vai ficar por aqui mesmo? Se quiser ficar no seu camarim eu te chamo quando a equipe da entrevista chegar.
- Acho que vou ficar aqui mesmo. Lá é muito silencioso. - eu disse e ele respondeu com um balançar de cabeça. Até que me ocorreu uma ideia e antes que Anne pudesse chegar a porta de saída eu a chamei - você pode me emprestar seu celular?
- Meu celular? - ela questionou, mas já tirando o aparelho do bolso de trás da calça.
- Ela não está me atendendo por estar vendo meu número aparecendo na tela. Se eu tentar por um número desconhecido talvez...
- ... ela crie vergonha e te atenda. - ela terminou a frase colocando o aparelho na minha mão - isso aí Henry. Livre e espontânea pressão.
Deixou o celular em minha mão e foi até a porta, me deixando sozinho na sala.
Debati comigo mesmo por alguns segundos se realmente era para eu continuar a telefonando e insistindo nisso, mas instantaneamente seu sorriso apareceu em minha mente e eu vi que valia à pena a tentativa.
Disquei o número e na verdade esperei que ela não atendesse, que tivesse dado algum problema em seu aparelho e esse fosse o motivo da falta de contato. Mas depois de quatro toques, Agnes atendeu. Esperei ela dizer "alô" pela segunda vez pra ter certeza que era ela.
- Não desliga. - falei e pude perceber que ela reconhecera minha voz, pelo suspiro que ela tentou prender. O silêncio do outro lado da linha durou por alguns segundos a mais que o normal e eu tive que chamá-la para ver se continuava na linha. - Agnes?
- Henry... - ela respondeu apenas.
- Tá tudo bem? - perguntei.
- Tá... tudo bem sim. Número diferente...
- É porque no meu você não ta atendendo, então tive que recorrer a outros métodos. - ela suspirou - tem algum motivo pra você não estar me respondendo?
- Henry, eu... é complicado.
- Eu sei que a gente não ta namorando nem prestes a se casar mas eu achava que a gente pelo menos tinha uma responsabilidade de conversar e expor as coisas um para o outro, já que somos adultos.
Ela não falava nada e o silêncio dela me frustrava de certa forma, porque eu simplesmente não entendia o motivo.
- Você sumiu de novo. E do nada, sem me dar explicações. Achei que, mais uma vez, a gente estivesse se descobrindo. Mas, novamente você me faz ficar correndo atras de você como um moleque e eu não preciso disso Agnes. - cuspi.
- E eu não quero que você corra atrás de mim Henry. - ela respondeu e dessa vez quem ficou sem palavras fui eu.
- O que eu fiz?
- Nada, eu só não quero mais. - ela soava fria.
- E você descobriu isso segundos depois de ter aceitado ir até meu quarto e passar o dia comigo? Literalmente de um segundo a outro.
- Sim... eu sou fodida Henry. Minha mente, minha vida... é tudo uma bagunça. - ela falava com um tom menos frio que o anterior mas as palavras ainda assim doíam.
- Já entendi Agnes.
- Eu não quero te envolver nessa confusão.
- Quem deveria tomar essa decisão era eu. - respondi e desliguei o número de telefone.
O que mais em deixava chateado nessa história toda era que se eu não telefonasse e buscasse saber o que realmente estava acontecendo, ela deixaria as coisas inacabadas como estavam e seguiria a vida sem ao menos dar uma explicação da escolha dela, que agora eu entendi. Agnes não me queria mais.
Quando eu decido deixar toda a festança e uma mulher diferente a cada dia, eu quebro a cara. E quebrei feio.
- Henry - Anne bota a cabeça pra dentro da sala depois de uma leve batida - o pessoal da entrevista chegou, posso deixar entrar ou você quer um tempo?
- Pode mandar entrar.
- Tá tudo bem? - ela perguntou enquanto deixava a porta atras de si aberta para a equipe entrar, e andava na minha direção.
- Tudo esclarecido. - devolvi o celular a ela, que tinha um olhar questionador, o qual eu respondi apenas com um aceno de cabeça, demonstrando que eu não queria conversar sobre o assunto agora. Graças a anos de trabalho em conjunto, ela me conhecia e me entendia e depois de guardar o celular de volta na sua calça, começou a coordenar a arrumação na sala, de quem ficava onde e de que luz era pra qual ângulo.
A repórter que me entrevistaria foi a última a entrar na sala, e ela era linda. Tinha os cabelos ruivos e me direcionou um dos sorrisos mais abertos que já vi. Minha primeira reação foi apenas sorrir de volta cordialmente, mas logo me lembrei que não devia respeito e nenhum tipo de fidelidade a ninguém, e sorri aberto, a convidando pra se sentar na minha frente.
Era mais fácil ser desse jeito, mesmo que a escolha não tivesse sido inteiramente minha.
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Colleagues.
RomanceAgnes Alden. 28 anos, atriz em ascensão e promessa pra nova fase do Universo da DC como Batgirl no filme "Aves de Rapina". Participa de sua primeira Comic Con, e logo a mais famosa de todas: San Diego. Lá além de ter seu primeiro contato com o públi...
