Capítulo 10

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Maju 🦋

Hoje era dia de festa na escola, eu estava empolgada pois teria show de talentos e eu abriria o show. Me arrumei da melhor maneira possível e mesmo que Rafaella ficasse me puxando pra tirar fotos, evitei o quanto pude.

Assim que nós chegamos, peguei um violão na sala de música e fui em direção ao enorme pátio onde muitos pais de alunos ali já estavam.

Me posicionei no meio do palco improvisado e me sentei na cadeira sorrindo, todos me olhavam ansiosos e assim que a diretora deu abertura, comecei a tocar.

Eu, entendo que a vida nem sempre
Caminha pro caminho que a gente
Tinha acostumado ir, entre doses e brigas ainda 'to aqui

Juro que também te entendo
A vida tem mudado com o vento
Mas eu permaneço aqui, independente da vontade de partir
Temos vivido a sua maneira
E eu querendo modelar seus caracóis uma semana inteira

Fugir daqui pra mais perto de nós
Chamo de lar quando estamos a sós
Eu sinto mó dificuldade em não te exibir pro mundo
Não manda mensagem, eu juro que te vejo em tudo
Pouco tempo, tudo intenso, ainda é tão confuso
Eu deixo tudo no tempo, eu já mudei meu próprio fuso

Gosto de chegar lá junto
Fazer rir quando acaba o assunto
Sentir seu corpo imperfeito, assim como o meu
Mesmo que 'cê jure que é tão sua
Eu agradeço o presente que alguém me deu

E aí pretinha, fala
Cê não me imagina esperando você na sala
Pra alguém acha incrível tudo que 'cê fala
Sua voz me acalma de uma forma, eu adoro escuta-lá

Jura pra mim que depois de hoje
Nunca mais vai reclamar das juras que se faz
Olhando no fundo dos meus olhos e esquecer os demais
Quero ver em você tamanha paz
Não ter vontade nem de olhar pra trás
Olhando nos fundos do seus olhos, não te esquecer jamais

Que depois de hoje
Nunca mais vai reclamar das juras que se faz
Olhando no fundo dos meus olhos e esquecer os demais
Quero ver em você tamanha paz
Não ter vontade nem de olhar pra trás
Olhando nos fundos do seus olhos, não te esquecer jamais

Não te esquecer jamais
Não te esquecer não

Algumas lágrimas caíram enquanto eu cantava. Sorri me levantando após agradecer e eu via muitas câmeras apontadas, principalmente dos meus alunos.

Sentei junto aos professores e fiquei assistindo minhas crianças mostrarem seus talentos. Camila tocava lindamente enquanto Pedro tocava bateria, assim que ele subiu mostrou língua pra mim que retribui fazendo o mesmo rir.

“As crianças devem postar seus vídeos.”

“Desde que não chegue em ninguém que me conheça.”

“Com certeza vai chegar Maria Júlia, para de empurrar com a barriga algo que já era pra ter sido feito.”

“Claro Rafaella, eu vou chegar na porta da casa dele e falar “Oi amor, não morri, vamos fazer outro filho e dessa vez num hospital que não tenha médicos incompetentes?”

“Acho perfeito assim.”

Revirei os olhos e fiz sinal de silêncio vendo meus alunos. Eu estava igual uma boba os olhando toda emocionada, acho que por instantes imaginei Laura ali.

Eu nunca a peguei no colo, nem senti seu cheiro, muito menos escutei sua primeira palavra mas sempre que eu via fotos e pensava nela, eu sentia algo forte dentro de mim e lembrei da minha mãe que sempre dizia o quanto era forte essa conexão, que era única.

E como eu sinto falta da minha mãe.

Assim que terminou, abracei um por um desejando o parabéns. Tiramos uma foto da turma toda e eu pedi pra que me mandassem, mesmo sendo uma fase conturbada, eles ajudaram eu esquecer toda essa confusão quando eu estava na sala de aula.

Vamos beber hoje, eu imploro.” falei e a Rafaella concordou.


“Férias irmã, o gosto das férias."

“Daqui um mês tudo volta.”

“Shh, não acaba com minha felicidade.”

Eu ri enquanto balançava a cabeça, daqui duas semanas ela fica resmungando que tá com saudade, já vi essa cena outras vezes.

Fomos rápido em casa tomar banho e trocar de roupa, assim que acabamos, pegamos um Uber e fomos em direção a primeira balada e nossa preferida.

“Hoje eu volto de ambulância.” falei pra ela que fez careta.

“Juízo, quero cuidar de bêbada não.”

“Sinto em te informar mas você vai.”

O Acaso II - Leozin McOnde histórias criam vida. Descubra agora