🍄Sweet home🍄

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Depois de alguns minutos caminhando por ruas até que bem vazias enfim chegamos.
durante o caminho percebi que não é um lugar muito movimentado, poucas lojas e pessoas nas ruas, carros também não passam muito em comparação a 2020.

Sobre o destino final, uma casa cor de creme com janelas e portas azuis, na frente um pequeno mas lindo jardim com flores coloridas, porém um portão verde emperrado atrasou nossa entrada em uns 10 minutos.

-Desculpa o transtorno... acontece o tempo inteiro...- Eric disse enquanto tentava abrir o bendito.

O que óbvio me fez rir, e muito. O problema foi que eu não conseguia parar.

-Elisabeth! Rir não ajuda a abrir!- Resmungou rindo provavelmenge contagiado pela crise.

Depois de risos e piadinhas sem graça o portão abriu e pudemos entrar.

-Ric?- ouvi uma voz feminina sair de dentro da casa.

-Sim vó...- Respondeu abrindo a porta de madeira azul.

lá dentro uma cozinha pequena e aconchegante cheirava a café e bolo, uma mesa de madeira ao centro com frutas e pães que por sinal pareciam deliciosos.

-Por que não avisou que tinha visita!- exclamou apoiando o pano em mãos sobre a mesa. -Qual seu nome querida?

-Elisabeth, muito prazer!

-Lisa teve alguns problemas e vai ter que ficar aqui por um tempo, até encontrar um lugar pelo menos... Tudo bem?- Eric pergunta enquanto me abraça de lado. Por alguma razão todo meu corpo arrepiou, provavelmente pelo nervoso da resposta ser não.

-Querido claro que tudo bem! Mas o quê aconteceu com você mocinha?-  senhora me pergunta pegando minha mão e puxando uma cadeira para que eu sentasse

-Bem, meus pais me expulsaram de casa por conta de brigas com meu irmão, eram bem frequentes e assustadoras pra falar a verdade, como ele é o protegido pela família eu tive que sair de lá...- contei tentando parecer real

Aparentemente funcionou, afinal a senhora ficou completamente horrorizada com a "atitude dos meus pais"

-Que terrível! Acho melhor você subir e tomar um banho, ajuda a relaxar... E não precisa se aborrecer com o tempo, leve o que precisar. - Ofereceu.

Eu normalmente negaria, mas dessa vez foi necessário, eu precisava disso, afinal estava suja da queda por conta do desmaio e meus pés estavam me matando pela caminhada até aqui.

Subimos a pequena escada de madeira e chegamos ao segundo andar, um estreito corredor com 4 portas, entramos na primeira e um pequeno mas aconchegante quarto pareceu me abraçar, com a cama encostada na parede, em sua frente uma cômoda de madeira escura e uma mesa ao seu lado lotada de papéis e canetas.

-Vai precisar disso...- disse o mais alto me entregando uma toalha branca com um delicado bordado em verde -E pode usar isso como pijama se quiser, deve ser mais confortável- completou me estendendo uma camiseta muito maior que eu.

Fui guiada até o banheiro onde enfim pude sentir a água quente tocar minha pele, era a melhor coisa do dia.

Por mais que fosse relaxante e me acalmasse um pouco, não pude deixar de pensar como meus pais estavam sem mim, se é que estavam sem mim, será que oitra eu estava no lugar? será que eu fui considerada morta? Que acontece no futuro enquanto eu estou aqui?

Além disso tudo não tenho um emprego e nem como estudar, e óbvio que não pude deixar de pensar que enquanto estou aqui perco a oportunidade de conhecer meus meninos...

Não queria sair daquele banho nunca, mas foi necessário, e até que a camiseta larga serviu perfeitamente bem naquele momento.

Ao fechar a porta do banheiro e voltar ao corredor ouvi uma melodia tocar meus ouvidos, certamente Eric com o violão. Afinal como pude esquecer quem ele seria um dia?

Segui o som e entrei na pequena porta de madeira, obviamente assustando o garoto que parou de tocar imediatamente.

-Isso foi incrível, como se chama?- perguntei me sentando na cama.

-Não tem um nome ainda... mas realmente gostou?- disse com o olhar brilhante

-Claro que gostei, era linda...Toca a quanto tempo?

-5 anos...- Wow, é um tempo razoável... talvez por isso seja tão bom -Eu espero que isso me renda alguma coisa qualquer dia- falou rindo e apoiando o instrumento na parede amarelada.

-Com certeza vai...

-Meninos o jantar!- Ouvimos a voz da senhora ecoando. Eu estava morrendo de fome mais uma vez, será que a viagem no tempo interferiu no meu estômago?

Em pouco tempo estavamos de volta à cozinha servindo nossos pratos com sopa de cenoura.

-Realmente gosta de cenoura?- perguntou o mais alto

-Quem não gosta de cenoura?

-Eu... Mas já que a senhorita gosta, vou cometer o caredoso ato de te doar todas as minhas!- Disse colocando todas as rodelas alaranjadas no meu prato.

Não foi de todo ruim, afinal quanto mais melhor nesse momento.

Foi uma refeição até que agradável, claro que com algumas mentirinhas aqui e ali ainda seguindo a história de que fui expulsa de casa, mas nada de mal.

Subimos novamente ao quarto e por incrível que pareça, me sentia muito mais confortável em relação a Eric, e aparentemente ele comigo, afinal assuntos fluiram e passamos horas conversando, principalmente sobre música e como eu sou péssima quando tento tocar algum instrumento, até que o sono estava quase me vencendo.

-Posso pedir uma coisa?- perguntei

-Diga- disse o mais alto me entregando um travesseiro e um cobertor

-Pode tocar aquela de mais cedo mais uma vez?- Falei enquanto me encolhia enrolada na manta que acabei de receber.

O rapaz apenas sorriu e assentiu com a cabeça, quando se sentou e novamente começou a dedilhar as cordas do violão.

Acordes vão e vêm quando de repente adormeci, afinal tinha sido um dia muito cansativo...

A sensação de não estar sozinha naquele momento foi tranquilizadora...

It's going wrongOnde histórias criam vida. Descubra agora