Maxine

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-Música!- gritou correndo até a estante com os vinis assim que abrimos a porta de casa.

Chegar até aqui com ele nesse estado já foi difícil, mas pelo menos Ginger estava lá pra me ajudar, agora eu estava sozinha cuidando de alguém loucamente bêbado que eu certamente não conseguiria levantar caso caísse.

-Por Deus fala um pouco mais baixo...- Eu implorava na inocência de pensar que funcionaria.

-Eu estou falando baixo!- respondeu com a voz embolada como se um nó estivesse na ponta de sua língua- Agora vem!- Gritou denovo correndo em minha direção e segurando minha cintura.

-Esquece música! É muito mais tarde que pensa...- Eu não sei porquê eu ainda dou explicação pra ele.

-Mas Lizzie...- Tentou argumentar afundando seu rosto em meu pescoço.

-Sem mas, esquece isso!- Eu respondi tentando chegar até a estante com todo o peso do seu corpo junto ao meu.

-Malvada Lisa! Isso que você é! Uma pessoa terrível que gosta de tirar a alegria de pessoas inocentes que só querem ouvir música livremente em suas casas- Falou se jogando no sofá e agarrando uma das almofadas, vendo aquela cena parecia uma criança abandonada pelos pais, e eu não tinha a mínima idéia de como ajudar com aquilo.

E fiz a única coisa que eu tinha certeza que conseguiria, sentei no chão, apoiei o queixo sobre as mãos e olhei naqueles olhos com expressão irritada, óbvio que estava bravo, qualquer coisa que seja impedido de fazer destrói seu bom humor, por mais estúpido que seja, a única coisa que eu fazia era caçar nas minhas memórias alguma coisa que pudesse ajudar, e nada aparecia.

Nada aparecia até que eu praticamente pudesse ouvir a voz de Jim na minha mente.

-Banho frio!- Gritei me levantando e indo até o sofá.

-Não- Falou cruzando os braços e se afundando cada vez mais no meio das almofadas coloridas.

-Como não?- Se ele acha que tem escolha está muito enganado.

-Não vou! Eu não sou uma criança Elisabeth! Eu não preciso que tome conta de mim- Isso só me prova que eu precisava.

-Se eu estou falando é porque eu sei que é bom pra você, vem comigo...- Eu disse estendendo minhas mãos, óbvio que nenhum de seus dedos encontrou os meus.

-Eu não preciso de ajuda Elisabeth, já disse que não preciso de você cuidando de mim- Tinha começado a falar mais sério e óbviamente mais alto.

-Não?- Perguntei e respondeu com a cabeça- Ótimo, então com licença- E fiz o que eu faria normalmente, virei as costas e fui até o quarto, eu não ia ficar implorando pra cuidar dele.

Não levou muito tempo depois que fechei a porta para que eu começasse a ouvir os passos pesados pela sala, a maçaneta do banheiro virar e a porta ser aberta de maneira rude, eu sabia que ele ia acabar seguindo meu conselho.

A água do chuveiro começou a tocar o piso frio, e os outros barulhos de coisas caindo ou do seu corpo batendo nos móveis era insuportável, como eu não queria receber ordem de despejo na manhã seguinte, era melhor eu ir lá.

Sem muita pressa fui até lá, abri novamente a porta de madeira e o encontrei sentado olhando confuso para o teto com os dedos tamborilando sobre o colo.

-Confia em mim não confia?- Perguntei baixo em seu ouvido e sua resposta foi mais um balançar de cabeça- Então vem comigo e sem birra!

Tirar a roupa daquele corpo nunca foi tão complicado, nosso banheiro nunca ficou tão bagunçado antes, completamente molhado e com peças de roupa jogadas por todo canto.

Seus lábios insistiam em ficar colados com os meus, suas mãos pareciam que se ficassem paradas cairiam do lugar, e esses eram os menores dos problemas, suas reclamações sobre a temperatura da água não paravam por um segundo...

Por mais que tenha sido difícil, passou, e eu espero que isso ajude...

___________

Estávamos enfim deitados, eu esperei tanto por esse momento que nem consigo explicar, agora é só esperar um sono tranquilo e profundo, o que teria chego mais rápido se alguém não insistisse tanto em me ter no colo, e eu sei exatamente o que isso quer dizer.

-Por que?- Perguntei sorrindo já sabendo que o melhor estava por vir.

-Por nada, eu só te quero aqui...- Respondeu sussurrando e logo em seguida seus lábios frios tocaram a pele quente e sensível do meu pescoço.

Depois de algumas mordidas sutis e movimentos calmos de suas mãos, meus quadris começaram a se mover quase que involuntariamente, aos poucos murmúrios começaram a escapar de minha boca e eu sentia meu corpo flutuar.

Foi algo tão magicamente intenso que me faltam palavras pra descrever, era como se soubéssemos exatamente o que fazer, ou como se cada centímetro do corpo um do outro já fosse perfeitamente memorizado, já sabiamos como fazer, quando fazer e porquê fazer, era sensacional.

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Adormecemos depois daquilo, acordei na manhã seguinte com uma cama vazia, o que era estranho, quase nunca acontecia e hoje era quase impossível de acontecer, mas foi.

-Lizzie!- O ouvi gritar da sala, que raios estava acontecendo?

E eu fui óbvio, chegando lá o encontrei sentado no sofá com uma caixa em mãos, tinha um laço vermelho enorme encima e parecia um tanto pesada.

-Abre com cuidado e sem chacoalhar!- Disse logo que me sentei ao seu lado, seus olhos brilhavam esperando minha reação.

E fiz como pedido, sem chacoalhar abri a caixa e me deparei com um... gato?

-Sério?- Perguntei sorrindo enquanto pegava aquela minúscula e frágil bolinha de pêlos.

-Seríssimo!- Respondeu pulando no lugar e deixando a caixa cair ao seu lado- Maxine, é o nome dela.

-Hi Maxine- Falei olhando no fundo dos enormes olhos azuis daquela siamesa minúscula em minhas mãos.

-Já chegou a hora que briga comigo porque eu não devia ter adotado ela sem te contar antes e que é responsabilidade demais pra nós dois e tudo mais, mas eu juro Lizzie, quando eu passei por lá era como se esses olhos enormes gritassem me chamando...- Ele estava tão feliz com aquele filhote que eu certamente não ia fazer nenhuma das citações anteriores.

-Sabe que eu não vou falar nada disso...- Murmurei olhando aquele monte peludo se ajeitar em um canto do sofá.

-Max is our first baby!- Exclamou me puxando para seu colo e rodopiando pela sala.

-Why first?- Quantos gatos ele espera ter?

-Sabe que vão ter mais- Ele ria me colocando no chão novamente- And I dont mean cats...

-Cachorros? Papagaios? Hamsters?- Eu acabo sempre desviando desse assunto, me assusta...

-Kids Lizzie! Babes!- Respondeu sorrindo e novamente pegando a gata em seus braços.

-Calm down dear... Calm down...- Gatos são uma ótima escolha por enquanto, quem sabe algum dia quando tivermos maturidade o suficiente ou uma casa de verdade com mais de um quarto e uma sala de tamanho decente...

It's going wrongOnde histórias criam vida. Descubra agora