I won't trust you nevermore

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Estávamos entrando pelos portões da nossa nova casa, de forma extremamente apressada eu era puxada pela mão, de modo com que eu nem pudesse olhar o jardim direito, apenas algumas pequenas árvores e arbustos bem cortados passavam pelo meu campo de visão.

E de repente paramos, de frente a uma curta escada que levava à uma grande varanda onde se localizava a porta de entrada.

Meus olhos brilhavam observando aquela estrutura encantadora, era gigantesca e tão bonita que me fazia querer chorar, janelas grandes, tijolos à mostra, tudo ali era fascinante.

Fui cortada de meus pensamentos sobre a beleza daquele lugar quanto meus lábios foram tomados, de uma forma diferente, de uma forma doce, apaixonada, lenta e como se o mundo estivesse parado ao nosso redor, como se cada movimento devesse ser desfrutado, como se fosse a primeira e última vez, o tempo pareceu não passar, e sinceramente, eu não queria que passasse.

-Nosso Lizzie, é nosso- Sussurrou sorrindo com sua testa tocando a minha.

Eu concordava com a cabeça como uma criança animada enquanto passava meus braços por seu pescoço e o puxava para perto, era isso que eu queria, isso que eu precisava: Ele, ali comigo, só, com isso nada mais tinha importância.

Seguimos casa adentro, onde nos foi revelado um pequeno hall, à esquerda um pequeno jardim de inverno ao fundo do corredor, à direita (por onde seguimos) uma grande escada levava ao segundo andar, e a nossa frente uma porta de madeira que quando aberta dava acesso à mais uma longa escada.

-Porquê tantos degraus?- Murmurei me agarrando ao seu braço enquanto tentava não deslizar pelos degraus escorregadios.

-Eu não sei, mas vale a pena...- Respondeu rindo enquanto corria me puxando até o grande espelho d'água- Par ou ímpar!

-Pra quê?- Perguntei colocando as mãos no peito, se ele acha que eu vou entrar nessa água fria...

-Saber quem entra primeiro? Temos uma piscina Lizzie! Não faz sentido não entrar nela- Falou se sentando na borda da piscina deixando os pés na água.

-Faz sentido entrar nela quando está quente pra isso, esse é o meu máximo e ponto final- Respondi me sentando ao seu lado.

-But baby... Isn't even that cold...- Disse fazendo biquinho e me puxando para seu colo.

-Ótimo desse jeito, você na água, eu fora... Ótimo assim e- Fui cortada quanto senti seu corpo deslizar para dentro da água.

-Eu disse que não estava fria!- Falou sem soltar meu corpo rodopiando.

-Eu nunca mais confio em você!- Gritei deixando tapas em seu braço, minha vontade era de esbofetear aquele rostinho lindo, mas infelizmente tudo que eu conseguia fazer mesmo com raiva era enche-lo de beijos..

-Ah Lizzie... Me desculpa...- Cochichou deixando seus lábios explorarem a pele úmida do meu rosto e pescoço- Mas podia ser pior...

-Como?- Perguntei sem muita importância, eu sempre me encontrava totalmente entregue quando isso acontecia, relaxava completamente e deixava todo meu peso ser suportado pelos meus braços apoiados ao redor de seu pescoço.

-E se eu fizesse isso?- E quando eu pensei que podia confiar nele, e que aquele momento de carinho foi sincero e sem querer tirar proveito da minha inocência, eu estava errada. Poucos segundos depois estávamos debaixo d'água fria.

-Ric!- Gritei passando as mãos pelo meu rosto tentando afastar os fios pretos na frente de meus olhos.

-Eu tropecei Elisabeth! Acontece...- Falou segurando o riso enquanto balançava os cabelos a fim de se livrar do excesso de água nos cachos.

-Eu odeio amar você!- Eu dizia me debatendo enquanto tentava sair de seus braços, esforço em vão, ele era muito mais forte que eu de qualquer maneira.

-Eu sei que me ama Lizzie, não precisa dizer tantas vezes...- Provocou me sentando na beira da piscina, o que foi muito pior agora, eu estava com o corpo molhado e o vento não ajudou em nada.

-No momento essa afirmação não vale, eu te odeio por enquanto- Rosnei tremendo e abraçando meu próprio corpo.

-Então eu amo o jeito que me odeia!- Falou afastando meus joelhos e posicionando seu corpo ali enquanto abraçava minha cintura.

-E eu odeio o jeito que me ama- Murmurei rolando os olhos, eu estava realmente irritada com aquilo.

-Não acredito que está brava comigo por uma bobagem dessas- Sussurrou enquanto tomava meus lábios mais uma vez hoje.

-Não! Da última vez que fez isso foi uma ótima ferramenta de manipulação, dessa vez não vai dar certo!- Interrompi colocando meu indicador em seu rosto.

-Falou sério quando disse que não ia mais confiar em mim?- Perguntou rindo e enfim sainda daquela água gélida, me puxando para seu colo e rolando até mais longe- Aqui confia em mim?- Concluiu seguindo com a ação inicial.

Seria ótimo, se não estivesse tão frio, eu precisava de alguma forma de me aquecer antes que eu congelasse aqui.

-Temos uma banheira agora... É um bom momento pra testar- Falou se levantando e me carregando até a porta.

-Como chegamos lá? Não temos toalhas e estamos encharcados- Se tentassemos íamos molhar a casa inteira, não ia ser algo bom...

-Se tirar esse vestido que já é inútil de tão transparente que está e tirar a água do cabelo vai ser menos pior...

Ele é completamente louco em sugerir uma coisa dessas do lado de fora de casa, eu não ia tirar aquele vestido.

-Lizzie, não temos vizinhos...- Explicou apontando para todas as árvores ao redor- Agora tira isso logo, não tem nenhuma novidade mesmo...- Pediu dando de ombros e apertando meus cabelos tentando seca-los ao máximo.

No final de tudo não deu tão errado, conseguimos chegar até o banheiro, por mais que isso tenha custado algumas poças e tapetes molhados.

Eu estava de olhos fechados deixando a água quente aquecer meu corpo congelando, eu estava fora de órbita enquanto isso ancontecia, até que fui tirada do transe por alguns lábios em meu corpo e mãos nervosas apertando minha cintura.

-Quando chegou aqui?

-Agora...- Respondeu sem tirar a atenção do que fazia.

-Entra sem ao menos pedir?- Perguntei rindo e me virando para o outro, não que eu me importasse...

-Exatamente, eu sei que gosta de surpresas- Murmurou me puxando para seu colo e encostando minhas costas quentes na parede fria.

E a partir desse momento eu murmurava, agarrava seus cabelos, mordia meus lábios e agradecia por cada mínimo toque que eu recebesse, sentia meu corpo flutuar ao mesmo tempo que minhas pernas tremiam incontrolávelmente até o último segundo daquela visita rápida aos céus...

-Ainda me odeia?- Perguntou baixo com o cansaço explícito na voz.

A resposta é mais que óbvia...

It's going wrongOnde histórias criam vida. Descubra agora