-Nem imaginava que fosse tão demorado e trabalhoso não é?- Jim me pergunta enquanto se senta ao meu lado.
Eu tive uma folga das filmagens e os meninos tinham coisas pra gravar, não tinha nada pra fazer mesmo, por que não ir junto?
Eu só não pensei que passar o dia em um estúdio fosse tão chato.
-Como conseguem ficar tanto tempo aqui sem dormir?
-É menos chato quando tem o que fazer e toma litros de café- Respondeu sorrindo- Vem comigo- Completou me puxando pela mão.
-Não devia estar lá com os outros tocando?
-Devia, mas tem coisas mais legais aqui fora...- Respondeu passando seu braço ao redor da minha cintura.
E ficamos por alguns minutos andando por aí, entrando e saindo de saletas, falando com qualquer um que cruzasse nosso caminho e procurando qualquer coisa que pudesse nos entreter.
-Adoro vir aqui...- falou abrindo a porta do telhado.
Tinha a vista mais incrível que meus olhos já presenciaram, era fim de tarde e as cores rosadas e alaranjadas das nuvens formavam uma bela composição com o azul do céu, a brisa suave e a temperatura perfeita, era um dos momentos mais sensacionais da minha vida.
-Como sempre chega na hora certa nos lugares certos?- eu estava encantada com a vista- Já é a segunda vez que me leva pra ver a melhor paisagem possível...
-Sorte talvez?- Respondeu se sentando atrás de mim- Agora imagina, eu, você, essas vistas incríveis e só...- Concluiu apoiando seu queixo em meu ombro.
-Isso não vai acontecer Jim...- Falei me levantando. Era triste pra ele, pode ter certeza que pra mim também, mas era a realidade.
-Continuo te amando, mesmo que você tenha medo de me dizer o mesmo- Dizia me puxando pela cintura- Vai hoje?
-Como assim vai hoje? Vai onde?- Tem alguma coisa hoje e eu esqueci ou ele é louco?
-No Marquee, vamos gravar lá hoje de noite. Não sabia?
-Não!- Gritei enquanto corria escada abaixo. Iam apresentar ao vivo, eu podia ir diferente das outras vezes que eu estava trabalhando e não me avisou?
-'The Marquee Club' hoje à noite não é?- Perguntei logo ao entrar na sala com os braços cruzados.
-Não sabia?- Paul perguntou
-Não, decidiram não me falar sobre.- Respondi de forma seca
-Não contou pra ela?- Chris perguntou espantado.
-Não...- respondeu sem jeito e apoiando a guitarra sobre a cadeira.- Olha Liss não foi maldade... Eu só esqueci.
-Por que não me falou?- perguntei em tom baixo
-Eu já falei que só esqueci e que...
-Por que não me falou?- Perguntei mais alto- Não queria que eu soubesse?
-Não pensa besteira Elisabeth!
-Eu não te acusei de nada, mas já se defendeu? Nem tinha pensado nisso!- Tinha sim, eu estava fervendo de ciúmes.
Sim, eu Elisabeth Roux com ciúmes, pode parecer loucura mas era meio complicada aquela situação, eu sei como as pessoas veem guitarristas...
-Lisa não! Precisa confiar em mim!- Falava com as mãos apertando meus pulsos- Do mesmo jeito que eu confio em você, precisa fazer o mesmo por mim...
Droga, isso era verdade. Confiava até que demais em mim, e as vezes eu sinto que não faço o mesmo... Meu Deus como eu era estúpida.
-Desculpa, de verdade...- Falei me acomodando entre seus braços- Eu não sei como eu pensei nisso...
-Tudo bem Liss, acontece. Só não consegue afastar não é?- Perguntou e eu concordei com a cabeça- Sabemos que é bobo, mas fica rodeando nossa cabeça...
-Sabe como é?
-Claro que sei, só tem que aprender a controlar seus impulsos- Dizia com uma de suas mãos em meus cabelos- Agora que já sabe e que está mais calma, posso explicar?
-Prometo escutar sem surtos de ciúme agora- respondi selando nossos lábios
-Ótimo! Não te contei porque achei que ia trabalhar, eu não queria que ficasse magoada por não poder vir...- Eu devia ter ouvido primeiro? Sim, mas era tarde demais- Então não achei que faria mal fingir ser só mais uma apresentação aleatória e sem importância.
-Me desculpa denovo..- Que vergonha meu Deus- Agora que eu sei... Posso ir?
-Que pergunta tosca, sempre pode!- Respondeu sorrindo.
Eu já tinha onde ir hoje à noite!
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O insuportável dia de estúdio tinha chego ao fim, graças a Deus, eu estava mais que preparada para ver uma das coisas mais incríveis do mundo.
E nessa hora o carro de Jim foi útil, Keith preferiu ir no carro de Paul com os instrumentos, enquanto eu e os outros íamos felizes e confortáveis no carro vazio, e modéstia à parte: o nosso era muito mais divertido que o deles.
Foi até que interessante sair por Londres em uma corrida imaginária contra o carro do adversário (que nem sabia da competição) e cantando mais alto possível.
O Marquee fica em uma rua estreita de mão única e lotada de prédios, não era enorme, mas era razoável e tinha uma boa quantidade de pessoas lá dentro.
Tínhamos que esperar um pouco até a hora marcada, e como sempre, tínhamos um camarim incrível.
-Isso é o camarim?- Keith perguntou desapontado apoiando o baixo que tinha em mãos sobre uma mesa velha.
Era terrível, mesas aleatórias jogadas por lá e um sofá velho era o que eles chamavam de camarim...
Nossa sorte foi não ter que ficar lá por muito mais tempo, um pouco depois um homem alto e magro apareceu na porta chamando por eles.
-Então boa sorte!- Falei enquanto puxava todos eles ao mesmo tempo para um abraço.
-Cruze os dedos pra eu não levar muito tempo trocando as cordas dessa vez...
-Acho melhor eu cruzar para que não arrebente corda nenhuma...- eu disse rindo
-Isso não vai acontecer, já virou tradição...- Respondeu saindo da sala.
-Só um pra dar sorte!- Jim fala enquanto passa correndo e juntando nossos lábios rapidamente
-Jim!- Acho que ele não tem noção do perigo.
-Então só mais um pra dar sorte!- Diz enquanto corre até mim repetindo o ato anterior e enfim saindo da sala.
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Não tem muitas palavras que possam descrever esse momento a não ser incrível, foi sensacional!
E logo depois de acabar voltamos todos para a maldita sala, ou melhor dizendo, nosso querido e confortável camarim.
-Posso me sentir uma mega estrela do rock agora e te puxar pra um banheiro?- ouvi o guitarrista sussurrar em meu ouvido.
E fomos, óbvio que fomos.
-Sabe que vão ouvir não é?- Perguntei enquanto entrava naquele banheiro minúsculo.
-Vão, essa não é a primeira e nem vai ser a última vez que isso acontece- Parecia tão simples...
-E se mais alguém ouvir?- Era uma preocupação real agora.
-Se sua boca estiver fazendo o que deve fazer não vão te ouvir! Eu cuido do resto Lisa!- Falou com a mão em meu rosto.
Não acreditava ainda que tinha feito aquilo em um banheiro minúsculo e com limpeza suspeita, mas o desespero era bem maior naquele momento e eu não posso mentir: Foi uma ótima maneira de finalizar aquele dia.
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It's going wrong
RandomElisabeth é nada além de uma adolescente clássica, loucamente apaixonada pelos Beatles, com seus dezessete anos recém completos, enfrentando uma pandemia, Elisabeth se encontra com a oportunidade dos seus sonhos ao seu alcance, uma volta ao tempo lh...
