"É muito mais fácil corromper, do que persuadir" - Sócrates
Maio de 2018:
Eliza Armstrong:
O grande edifício sede da HARPIA parecia estar esperando especialmente por mim, e enquanto caminhava apressadamente carregando em mãos o pen drive com os dados recuperados da missão deparava-me com inúmeros rostos conhecidos e novos por toda a extensão do prédio.
A HARPIA era uma grande organização secreta encarregada de proteger o país de qualquer ameaça possível. Não era à toa a escolha proposital de uma espécie de gavião para nomear o "grupo" não havia nada que acontecesse nos EUA que nós não soubéssemos.
Não importa quantas vezes eu use os elevadores do prédio, ou cruzes os corredores repletos de câmeras e pessoas circulando, eu sempre terei a mesma sensação de quando entrei aqui pela primeira vez, o dia em que busquei pelo perdão de uma traição que eu não cometi. Afinal de contas, é de se esperar que a filha de uma cientista americana super dotada de conhecimentos e segredos da maior potência mundial, que por vontade própria escolheu casar-se com um terrorista rival para juntos criarem os melhores e mais capacitados soldados do mundo não seria muito bem vista aos olhos do governo novamente.
Eu não sei se fiz bem em aceitar aliar-me à HARPIA, mas eu certamente estava melhor aqui ou na Arábia Saudita. E é me apegando a este pensamento que todas as manhãs eu acordo para fazer este trabalho.
Quando cheguei ao andar correspondente à sala escolhida, as portas do elevador se abriram revelando uma sala onde a típica mesa retangular abrigava naturalmente James Clinton e Hillary Roberts. Meu chefe e sua assistente representante do governo, respectivamente.
— Chegou bem a tempo da próxima! — disse Hilary, levantando-se para receber o pen drive que coloquei sobre a mesa.
— Diga-me que desta vez são caras americanos, não quero ver a cara de um russo tão cedo! — falei, sentando-me no assento mais próximo, de frente para James.
— Este é de longe um dos casos mais nacionais que você encontrará! — disse James, clicando em uma tela virtual sobre a mesa que em dois toques, revelou a imagem de um homem. — Precisamos ficar de olhos neste homem.
A imagem de um homem alto e loiro de olhos claros, o típico cidadão americano, trajando ternos caros e óculos escuros. As fotos apareciam uma atrás da outra à medida que James deslizava o dedo sobre a tela, todas pareciam ter sido tiradas em momentos em que o alvo sequer imaginava que estava sendo filmando, e a julgar pela quantidade, o homem estava sendo observado há muitos tempo.
— Arthur Lombardi! — disse James — Empresário dono da mais rica e produtiva empresa americana, vereador da cidade de Nova York, chefe de família, extremamente nacionalista, compartilha do pensamento de supremacia branca, anos atrás foi integrante do antigo e quase extinto grupo "KKK". Um belo exemplo de Hitler americano, se quer saber.
— Quais os movimentos dele? — questionei, com os olhos ainda fixos na tela.
— A HARPIA detectou uma estranha criação de armas nucleares sendo construídas no subsolo de suas empresas, sem contar é claro o grande número de dinheiro público desviado para fins pessoas. Tememos que ele esteja planejando algo um pouco mais radical do que a produção natural de seus aviões, porém, o governo precisa de mais do que suposições para agir — concluiu James.
— E é aí que eu entro! — falei
James empurrou sobre a mesa um envelope de papel em minha direção, que prontamente o peguei. Dentro do envelope, havia um passaporte, identidade, uma cópia de uma oferta de compra de ações nas Indústrias Lombardi, entre outros documentos com o nome de Elizabeth Rushman, e é claro, uma foto minha.
A descrição era do tipo que agradaria facilmente o empresário citado. Branca, americana, falante de sete idiomas — o que de fato era verdade — solteira, formada em Harvard. Era um belo perfil para se esconder dentro da elite de Nova York.
— Parabéns, agente, você acabou de comprar uma ação dentro das Indústrias Lombardi. — brincou James — Seu novo objetivo é conseguir as provas que o governo tão desesperadamente precisa para podermos agir. Dados copiados, fotos, vídeos, ou até mesmo um hipotético plano secreto. Tudo e qualquer coisa que comprove o envolvimento de Arthur Lombardi com a criação de armas de destruição em massa devem ser devidamente arquivadas e entregues à HARPIA. Não, falhe!
— E quando foi que lhe decepcionei? — perguntei, com um sorriso de lado.
Não esperei por mais nenhum veredito. Logo me coloquei de pé novamente, caminhando em direção à saída para arrumar as minhas malas, afinal de contas, Nova York estava à minha espera, assim como Arthur Lombardi.
Entrei nesta sala como Eliza Armstrong, saí dela como Elizabeth Rushman, algo que acontece diariamente comigo, mas mesmo assim, acaba ficando um tanto quanto cansativo. Por que, na realidade, de quantas mentiras uma mulher pode viver, e a quantas ela sobrevive?
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A Justiceira {CONCLUÍDA}
AçãoEliza Armstrong uma agente que serve à uma organização secreta é enviada para a cidade de Nova York com uma única missão: quebrar o grande sistema de corrupção, latrocínio e lavagem de dinheiro que está se formando dentro de uma das maiores empresas...
