19- Confissões

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"Estas alegrias violentas têm fins violentos, falecendo no triunfo, como fogo e pólvora, que num beijo se consomem" - Shakespeare

Eliza Armstrong:

A cidade inteira parecia prestes a desabar sobre mim, nos noticiários os jornalistas praticamente brigavam entre si para saber quem tinha mais informações falsas sobre o que estava se formando aqui dentro.

Meu pai estava de volta, Arthur prosseguia com seu plano e a única coisa que eu pensava era na HARPIA. Durante esse tempo todo em que eu estava me infiltrando em organizações, espionando suspeitos, viajando no mundo à missões, tudo isso acreditando fielmente na palavra daqueles que se chamavam de "salvadores da pátria", era tudo uma farsa e novamente eu assumi o papel de cobradora da morte do lado errado.

Com a chegada de Hilary, nós tínhamos uma nova força com quem contar, e somando o fato de tanto ela quanto Damon serviam as autoridades americanas tínhamos esperança de que o governo nos apoiasse. Mas é claro que isso teria um preço.

Eles certamente ficariam interessados em saber sobre minha longa trajetória até aqui, e isso incluía as minhas breves atividades como Justiceira iria com toda certeza chamar a atenção de todos. De qualquer maneira, eu não estou muito interessada em me esconder, não mais.

Os agentes da lei ficaram para trás no nosso esconderijo de sempre, e enquanto isso, sob insistência dos olhares acusadores sobre mim, resolvi retornar ao "meu" apartamento mentindo descaradamente ao dizer que iria tentar dormir.

Porém, por alguma razão, Anthony colocou-se na posição de meu guardião e decidiu pessoalmente me acompanhar até o local. Enquanto eu subia os lances de escadas, eu sentia seu olhar tensionado sobre a pele de minhas costas.

Quando meus pés estavam sobre o tapete de entrada, me virei para encarar o loiro que estava ao meu lado, e o encontrei encostado no corrimão no topo da escada.

— Estou entregue! — brinquei, fingindo um sorriso — Não que eu precise de um guarda costas, é claro!

— Não, você não precisa! — ele concordou sorrindo.

Me virei abrindo a porta, adentrando logo em seguida no apartamento ouvindo os passos dele as minhas costas, deixando claro que nossa breve conversa não tinha acabado ali.

Sentei-me no grande sofá de formato "L", cruzando meus dedos um no outro enquanto sentia como se minha mente fosse explodir com a bagunça que meus pensamentos estavam.

Anthony sentou-se calmamente ao meu lado, me encarando enquanto pressionava os próprios dedos um no outro, como se buscasse coragem para o que viria a seguir.

— Tá tudo bem? — ele perguntou.

— Claro que está, por que não estaria? — fingi indiferença

— Você nunca mentiu tão mal! — ele rebateu.

Nos últimos dias, eu vinha mentindo cada vez pior, talvez meu estoque de falsas expressões tenha se esvaído, talvez as minhas razões já eram inexistentes ou simplesmente eu já não tivesse mais nenhuma motivação para isso.

— Não é nada, só estava pensando! — falei, suspirando — Passei a vida inteira cometendo erros, e durante tanto tempo, acreditei que a HARPIA tinha sido meu único acerto. No fim das contas, só troquei uma organização criminosa por outra.

— Tá pegando pesado com você! — ele falou.

No fundo, eu gostaria de sentir autopiedade, seria mais fácil de lidar, mas naquele momento nós dois — ele e eu — sabíamos que eu tinha razão.

A Justiceira {CONCLUÍDA}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora