"O maior castigo consiste em ser governado por alguém pior do que nós, quando não queremos ser nós a governar" - Platão
Eliza Armstrong:
O vento gélido mesclado à algumas gotículas de água denunciavam a aproximação do inverno, e mesmo assim, eu ainda estava na rua a essas horas da noite. Em específico, na lage de um edifício cuja pintura estava vencida, as janelas eram trancadas com tábuas de madeira e os canos d'água rangiam a cada vez que alguém ligava o chuveiro.
O Bronx era de longe a região onde havia mais pobreza em Nova York — mesmo que a taxa de criminalidade fosse bem menor do que a do Brooklyn — mas ainda assim, era assustadora a maneira como as pessoas viviam.
Os meus dias vinham se resumindo em, durante o dia ouvir os boatos e as fofocas das pessoas sobre as várias maneira que Arthur Lombardi iria acabar com a Justiceira quando a pegasse — e confesso que houve momento em que não consegui disfarçar a risada sarcástica com as ideias fantasiosas e fanáticas de alguns — Em alguns intervalos do dia, eu continuava insistindo no pen drive criptografado, ainda sem conseguir muito sucesso.
Porém, à noite eu me dedicava a fazer algumas vistorias em cada um dos cinco distritos de Nova York — Manhattan, Bronx, Brooklyn, Queens e Staten Island — noite após noite dando uma "mãozinha" aos oficiais de justiça com a criminalidade.
Era algo cansativo, é verdade, mas fazia com que eu me sentisse bem durante o dia, e confesso, que estava ficando mais motivada a continuar com esse trabalho do que com a missão dada pela HARPIA.
E durante esse período, a cidade inteira encontrava-se com suas opiniões divididas a respeito do verdadeiro interesse da Justiceira. Alguns eram mais mirabolantes e aventuravam-se em dizer que as duas mulheres — tanto a que invadiu as propriedades do senhor Lombardi, e a que ajudava os indesejados de classe baixa — eram pessoas diferentes.
E devo confessar, que eu gostaria que fossem.
Havia aqueles que apoiavam a existência de alguém para lutar com eles e por eles — em suma maioria, aqueles que ela ajudava — E também havia aqueles que a odiavam — que neste caso, era a Elite escandalosa que temia que ela se virasse contra eles — de toda maneira, eram opiniões contrárias que se batiam entre si.
Eu nunca conseguia referir-me ou associar-me à Justiceira. Em minha concepção, ela e eu eram como termos contrários, um belo exemplo de palavras opostas. Quando me encaro no espelho, não consigo ver nada além do sangue derramado pela Víbora Negra.
Neste caso, era mais fácil referir-me à Víbora Negra como parte de mim mesmo. Ela era audaciosa, uma espiã inescrupulosa que enrolava-se em uma cortina de mentiras enquanto empunhava lâminas banhadas em veneno. Ela não tinha nada de heroína.
Minha linha de raciocínio foi interrompida por um estrondo de vidros se partindo, chamando minha atenção para a rua cujos postes de luz elétrica estavam apagados.
Em uma casa humilde do outro lado da rua, um grupo constituído por três adolescentes havia acabado de jogar um tijolo na janela de vidro ornamentado unicamente por uma cortina de cor salmão. Os três passavam um atrás do outro, praticamente espremendo-se para passar pela estreita janela.
Ainda pela mesma janela, pude ver quando uma luz foi acesa dentro de casa, revelando uma senhorinha de cabelos grisalhos que estava acomodada em seu próprio sofá, que era surpreendida pelo bando de marmanjos que estavam em sua sala.
Antes de ser consumida totalmente pela raiva, lancei-me noite a dentro, escorregando pelo fio da lançadora em direção ao outro lado da rua, sentido o capuz bloqueando a revolta dos meus fios negros pertubados pelo vento.
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A Justiceira {CONCLUÍDA}
AzioneEliza Armstrong uma agente que serve à uma organização secreta é enviada para a cidade de Nova York com uma única missão: quebrar o grande sistema de corrupção, latrocínio e lavagem de dinheiro que está se formando dentro de uma das maiores empresas...
