"Quanto mais forte você fica, mais gentil será" - Provérbio japonês
Eliza Armstrong:
A sala do grande galpão antes abandonado era preenchida por gritos contidos dos três adultos que andavam em círculos em torno de um quarto integrante que estava amarrado à uma cadeira. Cada um contido em seu momento de fúria, enquanto disputavam entre si quem estava mais decidido a cometer um novo homicídio.
Minhas botas pretas de cano curto realizavam um pequeno estalo ao entrarem em contato com o chão, enquanto eu tentava organizar meus pensamentos ao som das palavras de desprezo de Dylan, que percorriam uma curta trajetória repetitiva entre uma mesa e outra. Enquanto isso, Damon permanecia em seu estado de mais perfeita calma, enquanto vez ou outra tentava cessar a discussão que ocorria entre mim e o moreno tatuado, falhando miseravelmente nesta missão.
Em meio a gritos de desaprovação, trouxemos Anthony Lombardi dentro do carro para ajudá-lo com os ferimentos, e neste momento, o jovem Lombardi estava sentando em uma cadeira caído no sono — em uma posição um tanto quanto desconfortável — enquanto orbitavam em sua volta falando sobre o que faríamos com ele como se o próprio não estivesse no local.
— Temos que levá-lo de volta e soltá-lo no lugar que encontramos! — reclamou Dylan, pela vigésima vez.
— Nesse exato momento o dono de uma das maiores empresas dos Estados Unidos está apagado no chão da própria Indústria, cercado por um bando de soldados feridos e provavelmente mortos imersos em um banho de sangue — expliquei
— Na realidade, ele não deveria estar sequer aqui! — rebateu Dylan, aproximando-se a cada palavra que dizia — Sinceramente, você quer tanto assim nos colocar em uma cela de prisão?
— Eu não podia deixá-lo para morrer lá, muito menos dentro do "nosso" carro! — falei, a raiva aparecendo em evidência em meu rosto.
— Você já fez isso muitas vezes ao decorrer da sua vida! — Dylan devolveu.
Qualquer argumento que eu tinha em mente foi perdido com aquilo. Eu não era alguém que me incomodava com as opiniões alheias ao meu respeito, mas nos últimos dias, sempre que podia, Dylan colocava em jogo tudo que fiz nos últimos anos — pelo menos, o que ele sabe — era sempre assim, e aquilo sempre me corroía por dentro.
— A novela mexicana está super interessante, mas temos um problemas! — Damon interrompeu, indicando com a cabeça para a cadeira onde o loiro se encontrava.
Nela, Anthony dava os indícios de que estava acordando de seus sono — ainda sentado — a princípio deu um leve sacudir de cabeça antes fixar seu olhar em nós — que ainda estávamos com os mesmos trajes de antes, com exceção apenas das máscaras de meio rosto.
O loiro passou seu olhar pelos dois homens ao meu lado, até sua atenção se fixar de fato em mim, tendo seu rosto transformado em uma expressão de surpresa.
— Senhorita Rushman? — sussurrou ele, fazendo Dylan revirar os olhos ao meu lado — Você é a Justiceira?
— Vai lá, Rushman! — provou Dylan
Anthony encontrava-se ainda sentado, enquanto analisava a seguinte situação. Uma mulher que se apresentou como uma empresária bem sucedida, poliglota que vez ou outra saía com seu pai. Agora, ele estava diante da mulher que invadiu a casa da sua família, mandou seu irmão para o hospital duas vezes, promoveu um tiroteio dentro da empresa de seu pai, e agora estava preso em um sala no meio do nada.
— Eu nunca sequer desconfiei de você! — disse Anthony, os olhos brilhando de surpresa — Você é boa em fingir!
— Mais do que você imagina! — sussurrou Dylan do outro lado, não fazendo questão de esconder a desaprovação.
— Vocês podiam parar de se atacar uma vez na vida? — gritou Damon, irritado — Estou cansado de ser babá de vocês dois. Você é meu melhor amigo rabugento e mau humorado cuja vida se resume a reclamar de tudo, e isso eu já estou acostumado. Mas você é uma agente e espiã de uma organização secreta muito inteligente que se quisesse poderia enganar o mundo apenas com um piscar de olhos. Os dois são incrivelmente talentosos mas agem como duas crianças emburradas.
O outro loiro desabafou, ganhando a atenção de todos ali. Dylan o encarou, surpreso, assim como eu.
Desde que chegou, Damon sempre deixou claro que seria o que gosto de falar que é o palhaço do circo, então para chegar ao ponto do palhaço parar de fazer piadas, realmente era hora de repensar nossas ações.
— Temos que analisar a crepitação, precisamos quebrá-la! — Dylan falou, o tom mais calmo desta vez.
— Crepitação? — perguntou Anthony, chamando nossa atenção para si novamente — Eu posso ajudar!
O loiro dos olhos verdes ameaçou levantar-se do assento, mas foi reprimido pelo moreno tatuado, fazendo com que o mesmo voltasse para seu devido lugar.
Não é inteligente aceitar a ajuda do filho do homem que você quer derrubar, mas mesmo tendo o visto ao lado do pai naquela noite, ele não era uma ameaça aparente — mesmo eu mais do que ninguém sabendo que pessoas mentem, umas com mais facilidade do que outras.
— Olha, eu sei que eu pareço suspeito, mas se existe alguém que precisa entender o porquê de estarem caçando o meu pai, sou eu! — Anthony disse — Eu preciso saber isso, e vocês precisam da minha ajuda para decodificar esses dados, então acho que estamos no mesmo time!
Dylan e Damon se viraram para mim, como se buscassem uma solução para aquilo tudo, por mais que eu mesma estivesse buscando essa solução.
— O que Arthur pretendia fazer hoje? — Damon questionou
— Ele vem trabalhando em um sigilo completo com Brandon, mas como ele está incapacitado de ajudá-lo, ele me me pediu ajuda esta noite! — Anthony explicou, me encarando ao mencionar Brandon — Mas durante o percurso ele mencionou que tentaria pegar a Justiceira de surpresa!
E então armou um tiroteio! — respondi mentalmente — se Anthony mentia, ele o fazia tão bem quanto eu, ou talvez ele fosse um psicopata, porque no fundo eu sabia que queria acreditar nele, por mais que a inteligência dissesse o contrário.
— Eliza? — Damon me "acordou", atraindo minha atenção para o assunto novamente.
Eu não precisava envolver mais ninguém naquele emaranhado que se formava, eu nunca precisei na realidade. Mas por alguma razão — mesmo com toda a confusão que se formava lentamente — era reconfortante tê-los ao meus lados.
Dylan e Damon, eram duas personalidades diferentes e desconhecidas, assim como eu era uma personalidade diferente e desconhecida para eles. Mas ainda assim, era interessante a perspectiva de ter alguém para lutar ao meu lado, alguém que não soubesse tudo que me levou ao dia de hoje, neste caso, eu poderia por um único e breve período tempo ser alguém diferente de todos os papéis que eu exerci nas novelas da HARPIA.
— Precisamos descobrir o que eles escondem! — respondi, logo em seguida, caminhando em direção aos três homens que aguardavam a minha decisão — Mas você não vai me trair!
— Eu não pretendo... — ele iniciou, mas logo o interrompi.
— Isso não foi uma pergunta, você não irá me trair — adicionei — Porque se você pelo menos cogitar, eu saberei, então não terei escolha!
Não conclui a frase, mas mesmo assim ficou bem claro sobre o que eu não teria escolha.
— Você me matará! — ele disse
— Eu não quero, não é a minha intenção fazer isso — falei, sentindo um nó na garganta — Mas se você pelo menos tentar, eu não hesitarei em fazer!
Após isso, a sala se encontrou presa em um silêncio, onde o único mínimo barulho existente, era o do ar que se esvai dos pulmões de cada um dos presentes na sala.
— Muito bem, que assim seja! — disse Dylan, caminhando para o meu lado — Bem vindo, novo integrante!
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A Justiceira {CONCLUÍDA}
AcciónEliza Armstrong uma agente que serve à uma organização secreta é enviada para a cidade de Nova York com uma única missão: quebrar o grande sistema de corrupção, latrocínio e lavagem de dinheiro que está se formando dentro de uma das maiores empresas...
