06- O nascimento de uma heroína

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Música da mídia: savin'me - Nickelback

"A experiência é um troféu composto por todas as armas que nos feriram" - Marco Aurélio 

Eliza Armstrong:

O relógio marcava exatas uma hora da manhã, e por incrível que pareça o movimento nas ruas continuava o mesmo que durante o dia. Após o "encontro" com os detetives de Spokane eu não consegui dormir, e temendo que os pesadelos com um passado nem tão distante assim me atingisse, decidi que era a hora de agir.

Abri pela primeira vez desde que cheguei em Nova York a mala com o meu traje de trabalho que por questões de segurança sofreu uma pequena alteração. A calça de tecido negro, seguido por uma blusa de mangas compridas preta ganharam um toque especial com o capuz e a máscara de meio rosto da mesma cor.

A calça carregava um cinto onde alguns "acessórios" — para não dizer armas — estavam presos. Eu fazia questão de carregar os mais variados tipos, desde lâminas de porte pequeno, lançadoras de flechas com fios de escapatória, e para casos especiais, alguns refis de lançadores de fumaça — que na maioria dos casos, eram usados apenas para cegar o oponente por alguns segundos — mas estes que carregava, possuíam uma toxina com efeito mortal quase instantâneo.

E aqui estou eu, no telhado de um grande edifício de Manhattan há alguns quilômetros da fábrica de aviões dos Lombardi — de uma delas na realidade — enquanto analisava o perímetro do local.

A fábrica ficava em uma área mais afastada do coração da ilha, bem próxima a saída de Manhattan e quase entrada do Brooklyn, um local que claramente era deixado de lado pelas autoridades maiores a julgar pelas péssimas condições das ruas, o péssimo odor que vinha dos becos sem saída — graças a enorme quantidade de sacos de lixo.

Eu estava prestes a seguir caminho por cima dos telhados, porém, um ponto em específico lá em baixo chamou minha atenção. Um pequeno e humilde restaurante cujo dono era um senhor de cabelos grisalhos estava prestes a fechar quando dois brutamontes altos irromperam pela porta, uma típica cena de assalto.

Eu sabia que deveria seguir meu plano e seguir em frente, porém, também sabia que se eu não fizesse algo, ninguém faria, porque as autoridades são cegas e surdas para o grito de socorro da população.

Então, em um movimento automático, ergui a lançadora no ar que em estalo liberou um elástico de fuga que prendeu-se firmemente à parede de concreto do outro lado da rua. Segurei firmemente no elástico que estava esticado, e com o grande impulso dos pés lancei-me pelos ares percorrendo uma trajetória retilínea em direção ao restaurante.

Quando estava prestes a ir de encontro com o vidro da vidraça do restaurante, coloquei meus pés a frente do restante do corpo, estes que com a força do restante do corpo rompeu drasticamente a vidraça, levando-me para dentro do local, e consequentemente, espalhando cacos de vidro por todo parte.

Caí apoiada no joelho direito — já dentro do estabelecimento — sendo recebida pelo olhar dos dois ladrões e do senhor dono do restaurante. Um dos homens apontava uma arma — que claramente era de brinquedo — para o idoso, enquanto o outro mexia na caixa registradora. Porém, naquele momento, todos me encaravam, o que era compreensível, já que não era todo dia que uma mulher desconhecida e mascarada entrava por uma vidraça durante um assalto.

— O restaurante está fechado, garotos! — falei, erguendo-me do chão.

O homem que estava armado virou a mira para mim, que em um movimento quase que natural, escorreguei pelo chão em uma rasteira derrubando-o chão abaixo em um baque estrondoso. Mesmo no chão, o homem apontava a arma para mim — que de perto dava para ver ainda mais que se tratava de um brinquedo de plástico — em um golpe certeiro, distribuí um chute em seu pescoço, fazendo-a apagar no chão.

A Justiceira {CONCLUÍDA}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora