"A morte é um sono sem sonhos" - Napoleão Bonaparte
Eliza Armstrong:
O calor das paredes de rochas eram suficientes para queimar minha pele pálida, mas não importava, para mim era o suficiente ficar ali apenas observando as crianças brincando.
Mesmo as mãos mais conservadoras e as mais seguidoras de sua religião permitiam que seus filhos e filhas brincarem do lado de fora de suas casas, e mesmo sendo regrado por protocolos de limite, todos pareciam satisfeitos com aquilo.
Eu não lembro de em momento algum da minha vida ter brincado com algum brinquedo, ou sequer com algum amigo da escola — até porque, toda a minha educação foi dada por pessoas a serviço da minha família — são poucas as lembranças que eu tenho que não se resume àquela sala fechada e escura. Era um tanto quanto masoquismo ficar observando-as de longe, pois todas pareciam terem vidas normais, todas, menos eu.
Me encolhi entre as pedras da parede, desejando poder sumir daquele lugar, esperando que o homem encapuzado que perguntava sobre as outras pessoas da rua não me visse.
Se ele me ver, vai me levar para o meu pai. Ele vai me acorrentar novamente.
Foi difícil demais conseguir sair quando na verdade deveria estar treinando, mas a visão da janela de tamanho proporcional ao meu corpo de 1,57 de altura. Mas não importa o que viria depois, eu faria tudo de novo apenas para ficar livre daquela sala.
— Te encontrei, garotinha! — disse uma voz masculina atrás de mim.
O homem alto e igualmente encapuzado me arrastava praticamente pelas ruas, enquanto fazia um sinal para que o outro o acompanhasse. Eu não resisti, não adianta, ele sempre me encontrava, não importa quanto tempo demore, quanto tempo eu me esconda, ele sempre vai me achar.
...
— Eliza! — a voz de Damon me acordou, chamando minha atenção novamente para ele.
— O que dizia? — perguntei
— Na realidade nada, só estava assustado, há quase vinte minutos que você observa essa parede! — explicou ele
A parede branca era semelhante à uma tela de pintura, essa que parecia ser ornamentada com minhas lembranças que mais do que nunca pareciam dispostas a surgir.
Todas elas vinham me assombrando há tanto tempo que eu não teria como calcular, mas de todas elas, as piores certamente eram as dos quatorzes anos — como a anterior — naquele período, os treinos eram mais intensos, os castigos para cada fuga eram mais rigorosos, as torturas mentais eram mais enlouquecedoras.
Lembro claramente que naquele dia, após os dois soldados me levarem de volta para o Berço do Diabo — como assim era conhecido o local onde os soldados eram criados — tive minhas mão acorrentadas ao pé da cama, fiquei lá por cerca de três dias seguidos, fazendo o que ele chamava de "Abdicação à estupidez"
Era um método de duração longa, é verdade, mas eficaz. Eu tinha que ouvir ele próprio dizendo tudo que eu não queria ouvir, tudo que ele sabia que iria me machucar, mas eu não podia chorar, cada lágrima que escorreu era mais uma dia queimando naquele inferno, até que um dia, elas pararam de surgir, tudo que ele falava parou de importar, tudo que ele fazia — como por exemplo, queimar a minha pele para ver até onde eu aguentaria sem gritar ou chorar — tudo isso parou de surtir efeito. Eu passei no teste dele.
É claro que ele ficou orgulhoso — seja lá o que orgulho significava para ele — mas enquanto isso, eu continuava caminhando em uma linha irregular entre o pânico e perder minha mente por completo.
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A Justiceira {CONCLUÍDA}
ActionEliza Armstrong uma agente que serve à uma organização secreta é enviada para a cidade de Nova York com uma única missão: quebrar o grande sistema de corrupção, latrocínio e lavagem de dinheiro que está se formando dentro de uma das maiores empresas...
