07- A missão

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"O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou de uma nação" - Oscar Wilde

Eliza Armstrong: 

A noite me abraçava enquanto eu me escondia por entre a penumbra do local. O estacionamento escuro da empresa das Indústrias Lombardi parecia um pouco mais agradável antes de me aproximar da entrada lateral.

Não há local melhor para começar a busca do que pelo subsolo da empresa, o local onde o restante da sociedade não veria o que o glorioso deputado e chefe de família exemplar estava fazendo às escondidas. Porém, fui surpreendida com um portão de segurança máxima, e é claro, que após andar quase que na ponta dos pés, desviando de todos os alarmes, desativar todas as câmeras e apagar quase todos os seguranças eu não estaria com a mesma energia.

E para a minha infelicidade o portão era praticamente impossível de ser profanado — a menos é claro que você o explodisse, o que claramente eu não fiz por motivos óbvios — e o simples fato que uma espécie de galpão de uma empresa de produção de aviões possuir esse tipo de preocupação com o que há dentro já de se estranhar.

Pela primeira vez durante uma missão, encontrei-me tendo que parar para pensar no que faria a seguir — já que claramente todos os meus planos estavam dando errado — porém, minha linha de pensamento foi interrompida quando um farol de caminhão aproximou-se, vindo em direção ao portão onde eu me encontrava.

Quase que na velocidade da luz, alcancei a lançadora — antes presa em meu cinto — e consegui uma "rota de esconderijo" pelo telhado, misturando-me com a escuridão.

Um grande caminhão de carga parou diante da entrada, e dele, dois homens vestidos com roupas de segurança saíram do lado do passageiro e da direção. O primeiro foi em direção a porta do baú de carga, que dele cerca de mais cinco homens saíram, entre eles, Brandon Lombardi, filho mais velho de Arthur Lombardi.

O Lombardi caminhou até o portão, para logo em seguida inserir a sua impressão digital no local adequado, abrindo-o imediatamente como em um passe de mágica.

Com um gesto de mão, Brandon indicou o espaço liberado pelo às suas costas, e de repente, os homens começaram a descarregar o grande caminhão. A julgar pelo tamanho de uma série de caixas que começaram a ser tiradas de dentro, aquelas não poderiam ser bombas nucleares — para o alívio do mundo — mas ainda assim, para seja lá o que o psicopata chefe fosse fazer, seria um estrago grande.

— Acho que essa é a minha hora! — falei baixo, apenas para mim mesma!

E, com um salto de costas, lancei-me em direção ao chão novamente, caindo exatamente no círculo de homens que pararam estáticos o que estavam fazendo para me encarar.

— De joelhos soldado! — Abri um sorriso de lado para o homem.

Eu estava imersa em um círculo de cinco homens ao total — isso sem contar o Lombardi — logo, teria que ser mais ágil todo que todos que estavam aqui. Tendo isso em mente, segurei com a mão direita uma corrente que estava no chão, e com um volta dupla, lancei-a em direção ao pescoço do primeiro segurança às minhas costas.

Com muita força, puxei a corrente para o lado, usando a força do próprio segurança para derrubar o que estava ao lado dele. Em sequência, dando um impulso na porta do grande carro, lancei-me pelos ares, agarrando-me ao pescoço do primeiro que encontrei, este que fiz questão de derrubar usando os pequenos botões de choque que carrego. Derrubando mais um dos cinco.

Ainda próximo ao carro, desviei de uma série de tiros que começaram a ser lançados em minha direção, e para defender-me de maneira mais prática, apenas joguei o que gosto de chamar de cortina de gás.

Era um pequeno recipiente do em formato de spray, que quando destampado e jogado no chão liberava uma nuvem de gás que apagava qualquer pessoa por alguns minutos. Tendo isso em mente, apenas a agarrei com a mão direita e logo em seguida joguei aos pés dos demais.

Um a um, os homens foram caindo quase de imediato e enquanto eles tossiam atrás de livrar-se dos gás que instalou-se em seus pulmões, meus olhos procuravam o sexto homem que faltava no local.

Cinco estavam caídos aos meus pés, mas ainda faltava Brandon Lombardi, que em meio aquela confusão sumiu de meu ponto de visão. Afastei-me alguns passos dos demais, enquanto me aproximava mais das caixas que foram jogadas no chão com toda aquela confusão.

Elas estavam devidamente lacradas, aparentemente haviam saído da fábrica de produção neste momento, e em todas havia o aviso de: "cuidado, frágil".

— Procurando algo? — Uma voz um tanto quanto conhecida ecoou atrás de mim, e em um movimento de reflexo virei-me para encarar.

Meu rosto deparou-se com uma adaga prateada há centímetros dele, esta que foi barrada por meu braço que segurava fortemente o de Brandon Lombardi. Nós estávamos cara a cara, meus cabelos eram cobertos pelo capuz negro, e do meu nariz abaixo a máscara de mesma cor protegia, logo, não haveria como ele me reconhecer.

— Quem será você por baixo desse capuz? — questionou ele, mesmo sem ser exatamente uma pergunto.

— Sinto muito, é segredo que permanecerá em sigilo! — lhe respondi, para logo em seguida desferi-lhe uma cabeçada forte em seu rosto, fazendo-o soltar a lâmina.

Em seguida, acertei-lhe um chute na parte posterior à perna, o que serviu para desequilibrá-lo. Então, como garantia de que ele não levantaria — pelo menos, não por enquanto — usei toda minha força para segurá-lo pela gola da camisa e jogá-lo em direção à janela do caminhão.

O jovem Lombardi bateu a cabeça na janela, que por sua vez se desfez em pedaços, e logo em seguida caiu no chão, praticamente aos meus pés.

Confesso que temi que ele tivesse morrido — o que tecnicamente deveria ter acontecido com tamanha força do impacto — a última coisa que precisava era estar por perto durante as investigações do filho do deputado e empresário Arthur. Mas, para minha sorte — ou talvez azar — logo ele começou a mexer-se, em busca de ajuda.

Antes de sair de fato do local, parei no estacionamento da indústria, ao lado de uma moto — que provavelmente pertencia a algum dos seguranças do prédio — decidi que o mais "adequado" seria ligar para a emergência, isso não era o procedimento normal das minhas missões, mas considerei a mais justa a se fazer no momento.

Então, apanhei o telefone celular de um dos homens que estava jogado no chão, e rapidamente disquei o número da emergência, que tocou cerca de três vezes antes de alguém atender.

— Há o corpo de seis homens no terreno das Indústrias Lombardi! — Informei a princípio — Incluindo o filho mais velho de Arthur Lombardi. Eles precisam de uma ambulância!

Quem está falando? — A voz feminina no telefone perguntou.

A princípio, pensei em inventar um nome falso — mais um para a minha lista — depois, cogitei usar o mais utilizado Víbora Negra, mas de repente as palavras de Damon Weber vieram à minha mente. Então, decidi dar a mim mesma o privilégio de usar esse nome — pelo menos, enquanto estivesse por aqui.

— A Justiceira! — disse por fim, antes de desligar o celular e arremessá-lo na parede atrás de mim, pisando em cima, apenas para garantir.

Por alguma razão — e extrema falta de cuidado — a moto estava com a chave na ignição, então aproveitei-me disso para garantir a minha carona de volta para casa — tenho certeza que o segurança não irá sentir falta — e eu certamente faria questão de fazer algumas mudanças nela no dia seguinte.

Ignorando o aperto causado pelo capuz ao colocar o capacete, dei partida na moto e corri em disparada, cortando a noite em direção ao meu apartamento. Eu provavelmente teria um dia e tanto na manhã seguinte ao lado dos Lombardi.

A Justiceira {CONCLUÍDA}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora