10- Guerra declarada

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"A nossa vida é aquilo que nossos pensamentos fizeram dela" - Marco Aurélio 

Eliza Armstrong:

Na manhã seguinte, não se falava em outro assunto senão ao novo ataque da Justiceira à família Lombardi. Nos noticiários não se falava em outra coisa, nas ruas as pessoas comentavam o assunto, algumas criticavam a mulher mascara, outras — em específico, as que gostam da família — a chamavam de oportunista, vândala entre outros adjetivos daí para baixo.

Inclusive, neste momento, o grandioso Arthur Lombardi está dando uma coletiva de imprensa ao lado de outros deputados e responsáveis pela segurança de Nova York. Arthur tinha alguns ferimentos em seu rosto que eram contidos com maquiagem, além de alguns curativos em outras regiões do corpo, como pescoço e mãos.

Em minha mesa, de um lado encontrava-se o notebook onde transmitia as palavras de Arthur, e do outro lado, um segundo computador pessoal meu exibia as minhas inúmeras tentativas de decodificar os dados copiados do pen drive. Porém, falhando drasticamente em todas as tentativas.

E enquanto eu permanecia em minha incansável tentativa, a voz rouca de Arthur ecoava pela sala, seguida da enxurrada de questionamentos feitos por uma série de jornalistas desesperados por respostas.

" A justiceira é uma fora da lei que deve ser vista e tratada como tal. É a segunda vez que esta faz um ataque direto à minha família e sai impune. Tendo isto em mente, eu veio aqui decretar aberta a caça a esta delinquente e todos os seus cúmplices"

Revirei os olhos enquanto ouvia tudo aquilo, neste meio período, Arthur parou sua chuva de palavras e ameaças vazias apenas para responder a pergunta de um jornalista.

A porta do meu escritório foi aberta, e por ela, Anthony Lombardi atravessou a entrada, entrando em meu "ambiente de trabalho", fazendo com que eu fechasse o mais rápido possível a página com a criptografia do pen drive, jogando em seguida algumas folhas sobre ele para disfarçá-lo.

— Meu pai pediu para lhe entregar isso! — Anthony estendeu uma pasta com alguns documentos — Elas dizem respeito a suas ações na empresa!

O rosto do loiro estava com vestígios de uma mancha roxa que foi devidamente coberta com uma base e provavelmente pó.

— Achei que não se envolvesse com os problemas da empresa! — falei sorrindo, enquanto recebia os papéis, colocando-os sobre minha mesa em seguida.

— E não me meto, mas para a infelicidade do meu pai fui sua última escolha! — ele disse — Brandon teve que voltar para o hospital, e ele está na comitiva de imprensa. Acredito que já sabe o que aconteceu, não é?

Eu cruzei minhas pernas por debaixo da mesa, enquanto enrolava meus dedos das mãos uns nos outros sobre a mesa. Fazendo um leve assentir de cabeça, expondo uma expressão preocupada.

— Vem sendo dias complicados para sua família! — disse

— Sabe, a realidade é que eu não entendo o que ela quer! — Anthony, sentou-se por livre e espontânea vontade diante de mim, enquanto dividia sua atenção entre o chão e o vídeo onde o pai estava — Se ela é de fato uma heroína, o que ela quer com a minha família?

— Talvez ela não seja o que todos pensam! — falei — Talvez, ela esteja fazendo apenas o que convém a si mesma. Não existem heróis ou vilões neste mundo, apenas pessoas que fazem o que bem entendem, e cabe aos demais vê-lo como bom ou ruim!

De certa maneira, eu falei a verdade sobre o que eu pensava. Com a prática, aprendi a expor minha opinião sem deixá-la tão clara assim, isso ajudava ao disfarce a soar com mais naturalidade.

— Ela já salvou pessoas! — ele disse, sua voz carregada de certeza — Ela tem boas intenções, mesmo que rebuscadas, só não entendo o porquê dessa insistência em perseguir minha família!

— Como te falei, talvez ela não seja o que pensam! — repeti novamente.

— Ou meu pai não seja o que diz! — ele concluiu de longe.

Naquele momento, engoli em seco.

No fundo, eu sentia um pouco de piedade daquele homem diante de mim. Ele era uma criança perdida encarnada no corpo de um homem adulto, alguém que só queria uma quantidade mínima de atenção e admiração de seu pai — que na sua visão desinformada, era uma homem íntegro, exemplar e que fazia tudo por sua família — era alguém que estava perdido às cegas em meio à um tiroteio.

— Ela atacou sua família, e ainda assim você a defende! — falei, surpresa.

— Ela me atacou, e mesmo assim não consigo odiá-la — ele rebateu — Ela poderia ter me matado como fez com aqueles homens, mas mesmo assim não o fez!

— Não sei dizer se o acho bondoso demais ou inocente demais! — informei

— Bem... — Anthony ergueu-se de seu assento diante de mim — De qualquer maneira, ela faz o que todos tem vontade de fazer, mas ninguém tem coragem. E ninguém é perseguido de maneira tão persistente sem está devendo algo.

Em resposta, apenas dei um leve assentir de cabeça em confirmação e enquanto o assistia sumir pela porta da minha sala, encontrei-me pensando na guerra que acabei de declarar contra os Lombardi. 

A Justiceira {CONCLUÍDA}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora