Capítulo 18

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Que tolice a minha em acreditar que  nada iria acontecer.

- Você realmente pensou que ao entrar aqui,  você pertenceria à esse mundo, ou talvez você pense que irá fazer parte dele... querida? Esquece, seja lá o que ele falou para você... - ela chegou pertinho de mim e sussurrou em meu ouvido - você é só diversão. Nada do que ele falou para você que ele ja não tenha falado comigo. Mas,  diferente de você, eu sim sou importante para ele. Você. Não. É. Nada.

Cortando.

Eu estava sendo cortada, metaforicamente dizendo.

Eu realmente não sabia o que dizer.
Quando me virei e dei de cara com essa garota eu não sabia quem ela era, mas como não lembrar dos olhares intensos e odiosos que ela lançou em minha direção quando estava com Ryan a ponto de me beijar.

Ela e  o senhor Jason entraram no quarto e  nos surpreederam e daquele dia em diante nunca mais me senti a mesma.

Estava tudo muito confuso, desde o dia em que Ryan sofreu um acidente e a partir daquele momento em seu quarto que ele deu mais indícios que me queria. Eu me tornei uma bagunça de sentimentos.

Eu não queria brigar. Eu não sei. O tempo me tornou assim. Uma vida inteira sendo reclusa, praticamente.

Me arrependo de ter vindo, sempre os maus momentos se sobressaindo dos bons.

Era meio óbvio que não iria dar certo, quem estou tentando enganar. Esse mundo, esse meio. O dinheiro gritava, berrava. Era apavorante. Tento criar uma barreira em minha mente  e entender que é normal, que pessoas que tem tanto mas tanto dinheiro é normal para muitos que não tem nada. Eu me enquadro nos "muitos". Lembro das necessidades que passei, das minhas privações. Faço questão de lembrar porque isso me fez ser quem eu sou.

Faz parte de mim. Sou o que sou.

Só porque não sou abastada, posso ter vindo de uma família abastada, meus pais podem ter sido ricos. Mas ele não me queria. Isso já não faz mais diferença.
Eu tenho o meu valor, eu sei disso.

Ninguém irá me diminuir, mas viver a situação real é diferente, ficamos sem reação. Em choque. Com vergonha e ao mesmo tempo raiva, muita raiva.

- Ele te disse que você era a mulher mais linda da festa?

Como ela ...

- Não querida, não fique assim não, não, não...

A garota com seu cabelo amarrado em  coque meio bagunçado no alto da cabeça e com o olhar de águia gesticulou em negativa com seu dedo indicador incessantemente.

Até que ela se aproximou mais...

Ela estava fazendo carinho em minha bochecha?

Fico sem reação.

- Você vai superar, assim como eu superei. Vai sim.

Sinto uma lágrima escorregar, molhando minha bochecha.

- Quem é você? - eu mal reconheci minha voz.

Minha garganta estava embargada.

Eu mal poderia vê-la direito porque minha visão estava embaçada. Agora eu é que estava a ponto de desmoronar.

- Não importa quem eu sou e, sim quem você é. Você é lixo, nada mais que isso. Ou melhor, é apenas um brinquedinho, um passa tempo para Ryan.

Cada palavra estava me perfurando como se fosse faca. Não a parte em que sou lixo.

Eu me lembrei.

Me lembrei que eu já passei por situações das quais eu nunca falei e que me marcaram, mas eu sigo em frente.
Engulo em seco e levanto minha cabeça.

As coisas para mim sempre foram dessa forma.

Recebi tudo de pior e de forma gratuita.

- Eu não me importo - começo a falar e engulo o choro.

- Nãoe importo se vou ser um passatempo para ele, pelo menos eu vou estar aproveitando com ele emquanto isso não acabe. - falo.

Senti minha bochecha queimar.

O estalar do seu tapa ricocheteando pelo banheiro me espantou.

Ela me bateu. Eu levei uma bofetada.

Não, isso não.

Coloco minha mão em minha bochecha e sinto o sangue escorrer.

Essa...

Levanto meu olhar e encontro a sua cara de satisfação.

Foi tarde demais, eu iria revidar, no entanto ela foi mais rápida. Senti uma dor intensa no estômago pelo soco em que levei e minha cabeça ficou zonza. Piorou no momento em que bati na quina do lavatório.

   
                               ...

- Fala comigo, por favor... 

Eu estava dolorida, tudo doía. Minha cabeça estava queimando, uma dor de cabeça infernal.

Não sabia onde estava, abri meus olhos e vi o clarão da luz da lâmpada.

Minha cabeça estava acomodada, estava macio.

Será que já acabou? Eu posso ter um pouco de paz?

- Jill, não dorme, por favor, acorda. - a voz era ao mesmo tempo autoritária, doce e familiar.

Mas, porque eu iria acordar? A realidade pode ser cruel. Cruel até demais.

Meu corpo foi sacudido.

- Não dorme. Você bateu com a cabeça forte demais. Por favor, acorde!

Eu reconheço essa voz. Senti tanta saudade dela. Mais uma vez percebo que estou delirando.

- Jill. - fui sacudida novamente.

Queria gritar.

Me deixe em paz... pare de me cutucar!

- Por Deus, Jill. Aguenta enquanto eles não chegam.

Eu abri meus olhos e vi as íris verdes tão intensas que me custou respirar.

Oh...meu Deus...

- Will... - eu estava chorando.

- Olá, senhorita calça quadrada...

Seu sorriso, seus dentes brancos quase me cegaram.

Eu. Estava. Delirando.

Apaguei.

INTENSO DOMÍNIOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora