Capítulo 38

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●O encontro●

|| Ryan Miller ||

Estava batendo meus pés insistentemente por baixo da mesa. Na real, eu não via a hora da porra de tudo isso acabar.

Bebi mais um gole de whisky. Só mais um.

Eu voltaria para casa, para o fodido apartamento, aquele que era dela, me fazia lembrar dela. Iria me embebedar, e se a minha mente permitir me enterrar em alguma boceta qualquer.

Mas não, eu sabia que isso era impossível. Porque todas as vezes que eu ia por esse caminho a lembrança dela corrompia minha mente e eu parava no ato. Tive que me contentar com as punhetas debaixo do chuveiro, em água fria.

Durante esses anos fiquei que nem um louco. Eu a havia perdido, era como se fosse uma droga. Desde que a perdi, desde que eu não tenho mais notícias suas eu estou em estado de abstinência.

Estou feito um louco. Parece que todo rosto que eu vejo, eu possa encontrar ela.

- Eu só espero que quando eles anunciarem o nome, possamos subir até o palco. - Roxanne disse animada ajeitando o decote extravagante em seu vestido.

- Eles vão. - minha mãe disse.

Ela havia saído da clínica. Só para esse evento. Seria muito estranho se a Senhora Miller não estivesse presente.

Jason estava me analisando, eu não iria fraquejar em sua frente. Por isso sustentei o seu olhar. Agora ele sabe que eu não estou sobre o seu domínio completamente. Ele não poderá me controlar mais. Não mais.

Vi como ele estava indiferente como tudo ocorreu perfeitamente bem. Ele não esperava por isso, ele esperava um vacilo meu. Mas tudo ocorreu da maneira certa. As cargas foram entregues.

- Vai começar... - Roxanne agarrou meu braço ansiosa.

Seu gritinho quase rompeu meus tímpanos. Rolei meus olhos por tamanha besteira.

Ela, e outras mulheres do salão haviam feito de tudo, exatamente tudo, para conseguir ser a próxima embaixadora da temporada. Eventos beneficentes, era tudo uma besteira, era só mais uma questão de status e alimentar o alter ego delas e, causar inveja nas outras dondocas.

- Eu mal posso esperar para eles chamarem o meu nome. Os jornalistas estão todos lá, não estão?! - Roxanne estava descontrolada.

- Eles precisam pegar o melhor foque. - disse ela, e mais uma vez ajeitando seus decotes.

Porra.

Já estava prestes a me levantar da mesa e dar o fora daqui quando a música foi interrompida.

Pude sentir o suspiro de todos no salão, especialmente das mulheres.

- Senhores, desculpe interromper... - o apresentador começou a descer sobre as escadas.

- Primeiramente, uma boa noite a todos. Estou imensamente feliz por mais uma temporada. A ajuda dos senhores é de imensa importância, principalmente das nossas senhoras. Não podemos nos esquecermos delas.

- Eu vou passar mal... - Roxanne sacudiu meu braço.

- Eu não vou pedir uma vez mais. Só. Para. Porra. - rugi.

- Todos bem sabemos o quão importante é esse evento. O quanto vocês se empenharam em prol dessa fundação. Milhares de verbas foram destinadas. Mas, acima de tudo, não podemos deixar de homenagear como nossas mulheres se empenharam nessa temporada. Eu peço uma salva de palmas para cada uma delas aqui presente.

Um coro de palmas se instalou no ambiente.

- A uma delas, uma em específico que se sobressaiu. Aquela que foi brilhante no que fez...

- Ah, meu Deus... - Roxanne se levantou da cadeira como as outras mulheres.

Eu mal olhava para frente.

Tudo perda de tempo para mim.

- Essa senhora foi a que mais se empenhou. Ela é a verdadeira embaixadora dessa temporada. Ela merece.

Olhei para o lado e vi como Roxanne estava sorrindo.

- Vai ser eu... vai ser eu.

Uma luz entrou em foque para as escadas.

Desviei meu olhar, já estava ficando com dor de cabeça.

- Ela é a verdadeira embaixadora dessa edição. Meu sinceros cumprimentos para essa rainha.

- Uma salva de palmas para Khaterine Trainor. - o apresentador elevou a voz.

Eu teria prestado atenção em como ele disse o nome. Ou quem foi a escolhida.

Mas o que desviou minha atenção foi a taça de vinho sendo despedaçada no chão. A taça do meu pai.

Olhei para ele, e jamais poderia esquecer do semblante de espanto que se instalou em seu rosto.

- Não pode ser... - minha mãe disse.

Quando foquei meus olhos na mulher que estava caminhando sobre o corredor para descer os degraus o meu coração errou uma batida.

Era uma miragem. Tinha que ser.

Precisei focar minha visão.

Nada fazia sentido. Nada convergia minha atenção, nem o coro das palmas e muito menos as vozes ao meu redor. Minha atenção estava na mulher descendo os degraus. Em como os refletores, as luzes se convergiam para ela.

Como ela estava esplêndida.

Não, não, não...

Não poderia ser.

Me levantei da cadeira. Minha cabeça estava zumbindo.

Queria me mover até ela, mas minhas pernas estavam enraizadas no mesmo lugar.

- Jill... - sussurrei como se isso fizesse com que ela me escutasse.

Quando ela desceu todos os degraus eu jamais deixaria de reconhecê-la. Minha Jill, minha loirinha.

Era ela.

INTENSO DOMÍNIOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora