Capítulo 23

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|| Ryan ||

Eu o odeio. O odeio com todas as minhas forças.

Ele é meu pai, eu sei. Mas não sei se chamá-lo dessa maneira é a mais correta.

O homem a minha frente dita ordens, e jamais, de maneira alguma, deseja ser interrompido e muito menos desrespeitado. Tudo, necessariamente tudo, tem que ser da sua maneira.

E, porra, no início eu estava até disposto a seguir as suas regras e seus planos, mas não sabia que iria custar tanto. Não sabia que no processo eu iria mudar, não sabia que eu iria me envolver. Eu achava que daria conta, que sairia disso tudo sem nenhum resbalo e nenhum arranhão, iria sair ileso.

Mas, bem... eu não contava com isso. Não nego que eu também planejei, tive parte nos planos. Contudo, eu só pensava no final, não imaginava que no processo iria acontecer imprevistos.

Eu ainda consigo?

Eu ainda sou Ryan Miller, sempre consigo o que quero.

- Você escutou o que eu acabei de dizer, Ryan? - Jason perguntou.

Suas sobrancelhas estavam retorcidas em desgosto.

Foda-se, se eu precisaria vê-lo para causar esta reação, se pudesse ver o seu semblante de raiva, que ele tentava mascarar, mas sem sucesso, eu faço questão de ser o seu tormento, de só estar no mesmo ambiente em que o dele.

A cada maldito dia, eu desejo lembrâ-lo de tudo que ele perdeu e, que eu não sou o filho que ele desejou, sonhou e fez planos de algum dia seguir seus passos e ocupar o seu lugar.

- A cada palavra, pai! - minto, porque escutar os seus sermões e suas ordens, como se ele fosse o imperador não faz parte da questão.

Ele se ajeitou em sua cadeira, curvando sua coluna para frente e de modo que ele apoiou seus dois cotovelos em cima da mesa, e juntou suas duas mãos e me observou atentamente.

- Então você já sabe qual será o próximo plano a seguir!

Sentado em sua frente, tendo a mesa que nós separava, eu mexi desconfortávelmente na cadeira de seu escritório e respirei, era como se a minha respiração estivesse travada e só agora eu a soltasse.
- Devemos esperar mais tempo. - falei.

- De forma alguma, ela esta vulnerável, esse é o momento certo para seguir com o plano. Eu não a trouxe para essa casa sem propósito algum, Ryan. Eu espero que você não me decepcione e que não coloque tudo a perder, não quero objeção de sua parte. Não seja um desmiolado, siga as razões. Pense em tudo aquilo que perdemos.

- E quanto à ela?

Sua expressão se retorçeu mais ainda.

- Ryan, filho, não tenha isso em mente.

- Pai...

- Pode ir, filho. Feche a porta quando sair. - com um aceno fraco de mão ele indicou a porta. E voltou a analisar os milhares de papéis que estavam em sua mesa.

Eu sai do escritório com os documentos em minhas mãos. Era o que faltava. Mas para mim isso era só o começo. Não estava preparado ainda.

[...]

Eu a encontrei no jardim, olhando para os lados. Por mais que o uniforme de empregada que ela usa cobria suas deliciosas curvas, eu era incapaz de negar que mesmo ela vestindo um saco de batatas, ou se ela estivesse toda coberta com uma burca, eu era inegavelmente atraído por ela.

Não sei ao certo quando tomei ciência disso, mas foi devastador quando percebi.

É engraçado porque já fiquei com diversos tipos de mulheres, e mesmo que eu tente ficar com outras só para esquece- lá, tirar ela do meu sistema eu não consigo. E, porra, o meu corpo e minha mente já estão dominados.
Mas eu vou continuar tentando um pouco mais. É preciso, caralho.

INTENSO DOMÍNIOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora