Capítulo 19

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- Ela acordou.... - uma voz ao fundo falou.

- Com licença, eu preciso vê-la. Saiam da minha frente. Agora!

Era Ryan. Ele estava praticamente aos berros.

- Já disse, eu não respondo por mim se vocês me impedirem. - Bradou.

- Ryan, se controle. - uma voz apaziguadora.

- Não me venha com essa, saiam da minha frente.

Meus olhos se abrem,  eles estavam pesados mas fiz um esforço. Minha boca estava amargando. Era horrível.

Preciso de água... muita água.... e muita consciência.

- Ela está sonolenta. Os medicamentos ainda estão fazendo efeito, peço que se controle, pelo bem dela! - foi uma alerta.

- Jill... - escutei Ryan falar baixinho em meu ouvido.

Sinto seu cheiro forte de madeira misturada com folhas. Senti falta disso.

- Will... - chamei.

Me custou pronunciar, mas fiz um esforço.

- Quem é Will? - Ryan perguntou.

Meus olhos ainda permaneciam entreabertos, de modo que eu estava vendo Ryan por um fenda.

Meu pulso estava ligado no soro.

- Will..

Eu queria chorar, mas mantive forte. Segurei minhas lágrimas.

- Não se esforce tanto. Acabou, Ryan. Infelizmente eu tenho que seguir com os protocolos, estou visando o melhor para a paciente.

- Só mais uma pergunta... quem fez isso, Jill? O que aconteceu?

- Eu não me lembro... - tentei me levantar, mas algo estava me prendendo no lugar.

- Você não se lembra? - Ryan estava confuso.

Eu também estava.

Eu não me lembrava muito , bem provável que eu nem queira. Programei meu cérebro, dei o comando.

- Ryan, por favor... - era o médico quem estava a todo momento tentando impedir Ryan de ficar perto de mim.

Eu estava em hospital porque ao meu redor era branco, tudo branco.

- Ela precisa descansar, quando acordar  e já estiver melhor, aí tudo bem.

- Vai ficar tudo bem, Jill.

Era o que eu mais queria. Infelizmente, palavras não tem muitas garantias.

Ele se foi.

Bom, eu voltei para a escuridão. Os medicamentos foram fortes o suficientes para mim apagar outra vez.

                                 ...

Eu acordei, mas não estava em uma cama de hospital.

- Fique calma...

- Onde estou? - perguntei em meio à confusão.

- Você esta em casa, bom... em um quarto que o patrão disponibilizou para você - soltei um suspiro que estava prendendo.

Era confuso. Toda vez em que eu acordava estava em lugar diferente. Da proxima vez quem sabe eu não esteja no mundo das fadas.

Era Andreia caminhando até mim e medindo alguns frascos de remédio no criado mudo ao meu lado.

- Eu sinto que um caminhão passou por mim... - custando a falar fiz um pequeno esforço para me levantar um pouco da cama.

Não prestei atenção aos detalhes do quarto. Minha cabeça era um turbilhão agora.

INTENSO DOMÍNIOOnde histórias criam vida. Descubra agora