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Capítulo 06

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Capítulo 06

Fred Toledo

— Como foi com a sogrinha? — Edu perguntou com uma pitada de sarcasmo e eu o olhei feio, que começou a rir — Desculpa, cara, mas você insistiu até que conseguiu, né?

— Foi bom.

— Bom? — ele perguntou, arqueando uma sobrancelha.

— Quando você conheceu a mãe de Jordana, ela te detestou de cara.

— Com razão — Eduardo retrucou rapidamente, sempre se colocando como o culpado que foi.

— Elas são curiosas... Tipo, muito... Mas foram simpáticas — dei de ombros — esperava que Marina relaxasse mais.

— Ela não vai — Edu falou, negando com a cabeça — ela e Jordana ficaram conversando na noite passada... Ela não vai bloquear suas vontades, mas não se sente nada confortável com isso.

— É difícil, cara — eu falei cansado — e eu não quero ser o cachorrinho adestrado da Marina. Igual você é da Jordana — eu provoquei e ele me lançou um olhar frio, mas nem ousou negar.

— Pelo menos ela aceitou meu pedido de casamento — ele retrucou minha provocação infame, me atingindo forte. Logo trocamos o assunto, precisávamos trabalhar.

Eu havia separado um espaço para Marina no meu closet, e não sabia se comemorava ou ficava desconfiado com ela passando tantos dias seguidos por aqui, trazendo pertences pessoais.

— Não suporto aquela casa — ela falou enfática — e não vou me casar com você... agora.

— Marina — eu resmunguei, parando em pé nos pés da cama, onde ela sentou e deixou o corpo cair deitado — o que houve?

— Queria me encolher e chorar feito uma menininha.

— Você é uma menininha — eu constatei e ela riu cansada, fechando os olhos — o que houve?

— Eu acho que não sou nada do que você quer que eu seja. Às vezes acho que vamos conseguir levar, mas e se não conseguirmos? — ela perguntou, sem coragem de olhar para mim e cobriu os olhos com o antebraço — parece que estamos nos soterrando nisso, sabe?

— Que conversa é essa? — perguntei confuso.

— E se eu nunca quiser ter filhos? — ela perguntou, mantendo o olhar escondido para não me enfrentar — casar, eu sei que vamos em algum momento. Pelo menos morar juntos... Vai acontecer, não vou fugir pra sempre. Mas e...

— Você nunca vai querer? — eu perguntei, me referindo aos nossos filhos. Ela descobriu os olhos devagar e nos encaramos por um momento. Foram poucos segundos, mas pareceu uma eternidade dolorosa. Para nossa sorte, meu telefone começou a tocar e eu fui atender, era meu filho.

Falei com Bruninho, olhando Marina deitada na cama sem reação. Ele queria sair para comer pizza, aproveitar que a mãe tinha um encontro hoje e não nos víamos há alguns dias. Eu tinha sorte de ele não se importar em tomar iniciativa, talvez as avós incentivassem, assim ficávamos mais próximos, mesmo com meu tempo corrido.

Falei com Marina e a arrastei para o banheiro. Nos arrumamos e passamos para buscar meu filho, que contava animado sobre as últimas notas das provas que havia feito.

— Ansioso porque vou passar o natal com você — ele falou para mim, animado — vou até comprar presente pra minha avó e tia Nora.

— E os planos da sua mãe? — perguntei, esperando que ninguém tivesse convidado a Bruna.

Minha Louca TentaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora