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Capítulo 09

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Capítulo 09

Marina Marques

Jordana me mostrava o presente de Natal que Edu deu para ela. Uma Mercedes Benz A 200. Ela estava simplesmente admirada, comentou que Edu adorava essa marca. Já estava até com a cadeirinha para Helena, acoplada no bando traseiro.

— Por um momento, eu quis negar. Nora percebeu na hora meu olhar de pânico, aí Chiara apareceu dizendo que eu deveria me acostumar, já que fazia parte da família — ela desatou a falar, do seu jeito meio retraído, mas estava feliz demais para conseguir guardar só para si — e eu estava roubando muito o carro de Edu, achei que poderia ser bom ter um.

— Se tratando de Eduardo e vendo o presente que ele deu pra Chiara, foi até modesto — eu brinquei e ela riu, assentindo — e é lindo, a sua cara.

— Não é? — ela perguntou emocionada, tocando na ponta do laço enorme que estava no carro — parece até que eu to sonhando.

— Mas também, depois de tudo o que vocês passaram, você merece viver o seu conto de fadas perfeito.

— Li esses dias sobre acreditar nos desejos... Parece que faz com que aconteçam — ela falou presunçosa — mas e você e Fred? Sei que estão tentando, mas quem conhece aquele casal engraçado e aquela conexão toda, sabe que não estão nada bem.

— Eu não sei mais o que fazer — falei baixo, o tom da voz foi se perdendo até virar um sussurro.

— Facilitar não é mesmo o caminho?

— Facilitar, Jordana? — perguntei indignada — você acha que tem alguma chance de dar certo, ceder aos planos de Fred só porque ele quer? E eu, o que eu quero não importa mais?

Ela me analisou por um segundo, coçou a nuca sem saber como argumentar, então voltei a falar:

— Você queria um marido, queria se casar e ter filhos. Sempre quis. Pode ter acontecido na ordem errada, mas no final você teve o que queria, exatamente o que queria, não foi? Mas esse não é o meu sonho. Não quero ser a esposa e mãe dos filhos de alguém. Não quero me reduzir a isso.

— Você acha que sou só a esposa e mãe do filho de alguém? — ela perguntou e eu a olhei, finalmente. Neguei com a cabeça, me sentindo culpada por colocar dessa maneira — vamos aproveitar a noite. Vocês dois se amam, não é? Vão acabar se entendendo em algum momento.

— Eu acho que pra sempre vamos carregar o peso daquele aborto — eu falei mais baixo, instintivamente olhando ao redor para me certificar de que ninguém estivesse ouvindo.

— Eu acho que vocês já superaram isso — ela falou cautelosa — que foi um baque, mas vocês lidaram com isso quando aconteceu. Fred é engraçado e bonzinho, mas ele é orgulhoso, não teria voltado pra você sem ter te perdoado.

Decidi não prolongar, mas eu não achava que ele tivesse perdoado genuinamente. Eu diria que ele relevou e passou por cima, cobriu com alguma coisa, para poder ficar comigo, porque me amava. Porque estava mais difícil ficar longe.

[...]

No domingo, manhã de Natal, eu e Fred ficamos na cama dele, cheios de fogo. Eu não queria sair daqui, do aconchego e da pegada dele para cumprirmos a agenda de final de ano da família perfeita dele. Mas seria capaz da mãe dele aparecer aqui e nos levar pelo braço.

Eu fui para o banho primeiro, enquanto ele estava escorado na pia, pelado, mexendo no celular. Terminei meu banho e me enrolei na toalha, passei por ele e me levantei na ponta dos pés para roubar um selinho que ele nem esperava, então me segurou e me deu um beijo gostoso.

Fui me trocar enquanto ele tomava banho, e depois passei um pouco de maquiagem. Sequei os cabelos e passei perfume. Fred ficou pronto quase junto comigo e comemoramos termos acabado ao mesmo tempo.

Tínhamos um hábito saudável de falar da vida alheia, porque quem conhece o Fred, sabe que ele é expert nisso. Único fracasso da vida de fofoqueiro dele, foi não ter descoberto o namorado misterioso da Chiara.

— O romance nem vingou e eu fiquei sem saber — ele falou enfático, me fazendo rir — agora como que troca um boy misterioso pelo Ravi, que é claramente louco por outra? — ele perguntou incrédulo.

— Deixe seu amigo te ouvir falando assim.

— Amor... — Fred falou, me olhando rapidamente — o cara tem um romance conturbado com a Denise, e a Chiara fica aí no meio, sabe Deus porquê. E ainda provoca!

Bruninho não participava das nossas fofocas matinais. Chegamos à casa dos pais de Fred e fomos muito bem recebidos para o café da manhã, na área externa gourmet. Eu conversava com a minha sogra, enquanto Fred estava distraído digitando no celular. Bruninho gritou pelo pai num campo na área de lazer e ele foi, deixando o celular com a tela desbloqueada ali.

Eu nunca fui de fuçar o celular dele, embora nunca tivéssemos estabelecido um bloqueio sobre. Só nunca senti vontade de olhar e procurar algo. Do jeito que Fred era, se ele aprontasse algo, não conseguiria guardar, era óbvio. Ser transparente demais chegava a ser quase um defeito dele.

Mas subiu uma notificação de Margarete Marques. Toquei na tela para o celular não bloquear e peguei o celular. Nora falava sobre os planos megalomaníacos da irmã para a festa da Helena, disse até que Jordana estava ficando maluca, nada acostumada com tanto luxo e dinheiro. Mas eu achava que era questão de tempo até ela relevar e lidar com isso como algo rotineiro da vida dela. Não achava que se tornaria uma maluca deslumbrada, mas pararia de se chocar com coisas caras demais.

Nair continuou tagarelando e eu peguei o celular de Fred. Olhei para ela, que parecia distraída com um arranjo de flores enquanto falava e falava. Toquei na conversa, sabendo que Fred iria me odiar por cinco minutos por eu fazer isso.

Subi a conversa toda, desde quando ela se desculpou por eu ser tão mimada. Sempre se colocando de vítima, a mãe rejeitada pela filha e não o contrário. Fred respondia sempre educado, mesmo que não desse muita corda para alimentar falar mal de mim. Era o mínimo, no entanto.

No final, estavam conversas de convite para um almoço hoje, lá em casa, nada chique, mas de coração. Revirei os olhos ao ler. Fred respondeu que falaria comigo e logo confirmaria.

— Sabe, não que eu esteja pressionando... Mas quando você e Fred tiverem um neném... — olhei para Nair, que cerrou os olhos como se projetasse — vai ser a coisa mais linda do mundo.

— Você sabe que eu tenho pavor dessa conversa — eu falei enfática.

— Meu marido diz que você é estranha — ela falou, rindo e eu fiz uma careta — qualquer mulher iria querer se casar e entrar pra essa família.

— Menos a que eu amo — Fred falou e eu olhei para trás, o vendo parar atrás de mim. Ele inclinou e deu um beijo na minha cabeça.

— Formam um casal tão lindo... Não vejo a hora de poder bancar a maluca, igual Nora vem fazendo. Festa de um ano, batizado, depois casamento... Ela está se realizando.

— Está mesmo — Fred falou, se divertindo — e depois vai pressioná-los ainda mais pro segundo bebê.

— Do jeito que a Jordana é bobinha, vai ceder fácil — ela falou, abanando a mão — sabe uma curiosidade secreta minha? — ela perguntou mais baixo, para enfatizar o segredo e Fred esperou atencioso — saber como Luísa está com isso tudo...

***

e chegouuuu

quem aí já foi ler a história completa na amazon? Me contem o que acharam e não se esqueçam de avaliar o livro. É mtooo importante!

Espero que gostem

beijooooo ♥♥♥

Minha Louca TentaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora