Marina Marques
Dias atuais...
Eu estava pronta no meu quarto à espera de Frederico. Iríamos jantar nos seus pais, depois esticaríamos para alguma balada, onde beberíamos o suficiente para passarmos um tempo reclamando da ressaca amanhã.
Saí do meu quarto para beber água e esbarrei com a minha mãe na cozinha. Ela, Dona Margarete, não perdeu a chance de me lançar esse olhar de escárnio, me analisando de cima a baixo.
— Vai pra onde vestida desse jeito? — perguntou e eu a olhei de volta, mas antes que pudesse pensar em responder, ela atalhou: — está parecendo uma vagabunda nesse vestido decotado.
De qualquer maneira, não respondi. Já tentei buscar algo que explicasse nossa péssima relação, mas o que realmente se aplicava? Era assim estranha comigo, mas na contramão adorava a filha mais nova, Tereza. Nós duas éramos irmãs de sangue, mas crescemos parecendo duas rivais.
Minha mãe não perdia a chance de insultar, brigar, me culpar e causar cenas em que meu pai conivente se fazia de cego por não ter coragem de me defender. Eu ainda não era a expert em lidar, as reações saíam do meu controle mais fácil do que eu gostava, por isso, tentava ao máximo ignorar. Estava realmente cansada de comprar brigas que não aguentava pagar.
Fred deveria, sim, me agradecer por mantê-lo longe dessa família desmantelada. Digo em relação a mim. Eu era a filha indesejada? Vai saber, mas eu lidava com o descaso e desprezo de quem deveria cuidar de mim desde muito nova. Não houve uma fase em que fomos mãe e filha, como ela era mãe para Tereza.
Bebi água e voltei para o meu quarto, onde Tereza estava, com o guarda-roupa aberto para pegar algum vestido meu. Desde que comecei a sair com Fred, os lugares que frequentávamos exigia roupas mais requintadas, o que rendia vários questionamentos sobre com que dinheiro eu comprava os vestidos caros. Estavam longe de ser as grifes milionárias que Chiara usava, por exemplo. Mas era com o meu dinheiro, do meu trabalho. Não havia um velho rico me bancando e mesmo que meu namorado de trinta anos vivesse me oferendo coisas e até mesmo dinheiro, eu não aceitava.
O meu sonho de consumo era conseguir juntar dinheiro o suficiente para sair de casa, mas o que eu ganhava não era muito. Ajudar nas despesas de casa e manter despesas pessoais levava todo meu salário. E Frederico não poderia sonhar que eu, pelo menos quisesse mais dinheiro, senão iria fazer algum drama sobre eu não aceitar ajuda dele.
Nossos maiores desentendimentos atuais eram porque ele estava morto de inveja da nova vida de Edu e Jordana. Ele queria um conto de fadas também. Soava patético, ele, namorar comigo, e querer viver num reino encantado.
Não falei nada sobre minha irmã pegar minhas roupas emprestadas, porque qualquer comentário se tornaria uma discussão sobre meu egoísmo e petulância nessa casa. Já havia aceitado e desistido de nadar contra elas duas, porque qualquer palavra entendida errada por elas, causava um cenário de três contra uma, e eu não conseguia lidar.
Peguei uma bolsa onde havia colocado o que precisaria para um fim de semana com ele, sem ter que vir para casa.
Fred chegou e eu desci sem nem me despedir, mas ao passar pela sala, minha mãe fez questão de dizer ao meu pai sobre a minha roupa e sobre não saber para onde e o que eu estava indo fazer. Já que nos finais de semana eu desaparecia, então só poderia estar fazendo vida. Só isso explicaria de onde vem o meu dinheiro.
Meu trabalho de segunda à sexta em uma agência que controlava vários nomes da mídia digital, obviamente não contava. Ela duvidava muito que algo ligado a internet pudesse dar algum dinheiro.
Fred pressionava sobre conhecer minha família, mas qual seria o sentido de colocá-lo perto delas? Meu pai, eu não sei, provavelmente seria amigável, mas e elas? Iriam fazer o possível para nos afastar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Minha Louca Tentação
ChickLitVolume 3 da série tentação Vol. 1 e 2: Doce tentação •Disponíveis na amazon
