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Capítulo 05

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Marina Marques

Se eu soubesse o que me esperava em casa, teria deixado meu celular carregando mais dez minutos, só para não ter desligado no momento em que Fred ligou. Assim, teríamos ido direto para o apartamento dele, onde aproveitaríamos a noite sem nenhum estresse, possivelmente.

Ao entrar em casa, comecei a estranhar os olhares sarcásticos em minha direção. Não que fossem incomuns, acontecia sempre. Mas não assim, mutuamente. No segundo seguinte, recebi uma mensagem de Jordana, mas não pude ler naquele momento. Minha mãe deu um riso sarcástico e cheio de deboche, me lançando um olhar de cima a baixo.

— Conheci seu namorado — ela falou, arqueando rapidamente as sobrancelhas e tudo dentro de mim estalou. Uma sensação de pânico começou a querer me dominar, mas tentei manter a calma e o foco na realidade e não perder o controle.

— O que? — minha voz saiu baixa, o meu coração ameaçava a perder o compasso.

— Ele é o que? Motorista do pai da filha da Jordana? — ela perguntou, porque na cabeça dela, motorista não era uma profissão consagrada e obviamente eu não conseguiria mais do que o que ela julgasse pouco. Quase neguei, mas pensei que melhor pensando isso. Mas também pensei que ela não deveria ter destratado Fred, ele não aceitaria.

— Se for, pelo menos é motorista de alguém rico. Deve ganhar mais de um salário — Tereza falou e eu a encarei, sufocando de raiva.

— Deve morrer de inveja da amiga — minha mãe falou — nunca conseguiria um milionário pra chamar de seu.

Soltei o ar, tão irritada com a mesquinharia delas, mas desisti, sequer cogitei comprar uma discussão. O meu feito de ter mantido as duas longe de Fred todo esse tempo havia acabado. Eu teria que ver isso como algo positivo. Já não estava tudo mil maravilhas para nós dois, mesmo.

Jordana contou sobre o episódio da avó dela com minha mãe, mas a tranquilizei, teria que ficar tudo bem. E se não ficasse, vida que segue. Meu relacionamento não poderia ser tão frágil, já havia se passado dois anos.

Fred ligou e eu nem perguntei o que faríamos, apenas aceitei sair com ele para qualquer lugar. Ele achou graça da minha pressa, mas nem dei tempo de ele contar sobre ter conhecido a sogra.

Tomei um banho rápido. Passei maquiagem, vesti um short jeans e uma camiseta. Prendi o cabelo em um rabo alto e passei perfume. Era um Carolina Herrera que eu havia ganhado há pouco tempo, mas como Tereza vivia usando, estava já quase no fim.

Desci sem dizer nada, estava levando até as roupas para ir direto para o trabalho na manhã seguinte. Já em frente ao prédio, vi Tereza e minha mãe, na janela espionando. Estranhei Fred aparecer com o carro de Edu, mas assim que entrei, ele explicou que o primo foi visitar uma obra com o carro dele e destrocariam logo mais.

— Conheci sua mãe — ele falou, ligando o carro e nos tirou dali. Fred me olhou sério, quando respirei pesado, mostrando que não havia gostado.

— Algum problema? — ele perguntou e eu dei de ombros.

— Não, eu só não queria que se conhecessem — forcei um sorriso para ele, que negou com a cabeça e aumentou a velocidade.

Passamos pelo condomínio de Eduardo para ele pegar o seu carro e seguimos para o dele. Fred me olhava, observador. Eu já começava a me sentir encurralada, não queria simplesmente contar nada para ele. Já imaginava ser taxada de filha ingrata ou mimada demais. Não queria isso.

Ou, na pior das piores hipóteses, ele se veria como o meu refúgio e me pressionaria ainda mais. Ele já sabia o básico, que eu tinha problemas familiares.

Minha Louca TentaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora