Capítulo 11
Marina Marques
No momento em que Fred chegou para o maldito almoço, pouco antes do nosso voo, eu já estava irritada. Ignorei todas as piadinhas de Tereza, como se eu tivesse mesmo inveja dela. Segundo ela, eu não me deixava ir além com Fred porque tinha inveja do relacionamento dela com o Lucas. Porque nunca o superei. Mas eu nunca fui apaixonada, era outra história. Eu era magoada, sofri com provocações dentro de casa, depois criaram um cenário onde eu fui a irmã mal caráter. Com o tempo eu relevei, ela parecia realmente apaixonada por ele, segui em frente e conheci o Fred.
Nosso começo era bizarro, mas eu amava o jeito bizarro que ficamos juntos. Foi por acaso.
Fred chegou, trazendo champanhe, um que ele adorava. Sorri falso para ele quando abri a porta e ele me roubou um selinho. Não resisti, ele estava gostoso e cheiroso demais, então segurei seu queixo e dei um beijo apertado.
Ele cumprimentou a todos, até meu cunhado, que eu não olhava nem na cara. Como não tínhamos tempo, logo minha mãe serviu o almoço. Eu ajudei, claro. Mas sob alfinetadas de não fazer nada direito. Entre conversas irreverentes, Fred soltou nosso destino final e eu peguei o olhar de minha mãe brilhando em minha direção, mas ela disfarçou e deu um sorriso, comemorando como se estivesse genuinamente feliz por nós dois.
Tereza falou que tinha o sonho de casar na praia, e ele também, que conseguia até mesmo nos imaginar num cenário desses.
— Você é muito sonhador, isso sim — falei para ele, que franziu o nariz e aproximou para me dar um beijo no rosto.
— Se a conversa de casamento existe, quem está enrolando quem? — minha irmã perguntou curiosa e eu revirei os olhos.
— Marina está me enrolando — ele falou, como se estivéssemos entre amigos — ela sabe que o que eu mais quero é casar e ter mais filhos.
— Eu tento imaginar Marina mãe, e realmente não consigo — minha mãe falou quase incrédula — mas confesso que ficaria muito feliz com um netinho... Ou netinha.
Minha vontade foi dizer que não colocaria esse fardo na vida dela, como ela quase mencionou dessa maneira outro dia, mas não queria estragar a bolha de Fred na véspera da nossa viagem. Ele, comunicativo e simpático, também tentava conversar com meu pai e o Lucas.
Depois ainda conseguiram tempo pra falar sobre Jordana, Tereza perguntando se ele não havia se interessado pela minha amiga primeiro. Eu suspirei impaciente, ela sempre procurava um jeito de me fazer parecer inferior.
— Na verdade, Edu se interessou por Marina primeiro — Fred falou e eu o olhei, crescendo os olhos incrédula — Mari apareceu na empresa, precisando entrevistá-lo e ele até cogitou chamá-la pra sair, mas eu corri e tomei a frente.
— Ainda bem — falei incrédula, começando a rir dessa babaquice.
— Jordana sabe disso? — Tereza perguntou e eu revirei os olhos.
— Nunca falamos disso... — Fred constatou.
— Então você quase roubou o marido da amiga — Ela falou como se estivesse brincando, apontando o garfo em minha direção. Respirei fundo, Fred nunca entenderia que qualquer brincadeira se transformaria em ofensa aqui.
Se fosse na casa dele, essa conversa renderia boas risadas, com certeza. Diriam logo que se Edu tivesse me chamado pra sair, realmente, nós dois teríamos terminado de enlouquecer um ao outro. Como já havia dito para Jordana uma vez, ela foi muito resiliente e paciente com ele, buscou entendê-lo por amá-lo. Se eu me apaixonasse por uma personalidade igual a de Eduardo, as coisas teriam sido de outra maneira.
Isso me dava toda certeza do mundo de que as coisas acontecem do jeito que tem que acontecer. Fred era a minha cara metade, apesar de qualquer impasse. Ele era o homem que me entendia, me amava, me fazia amar como eu nunca consegui antes. Ele me protegia, me mimava, nós dois nos complementávamos em tudo, principalmente no sexo. Abrir essa questão não me fazia pensar em outro homem como "e se...". Não existia o "e se fosse de outro jeito". O jeito certo, apesar de estar um pouco torto, era esse aqui. Era eu e ele juntos.
— E eu aposto que ela se interessou por mim primeiro — ele falou presunçoso, me fazendo rir, porque assim que falou estressado que me arrumaria a entrevista eu o chuparia, eu aceitei. Eu fiz porque não poderia perder o emprego, que sempre esteve por um fio, tanto que foi só Bruna aparecer lá, que fui demitida. E o motivo era o assédio sutil do marido da minha antiga chefe. Para ela, eu era culpada, ela só precisou de um motivo mais consistente que não rendesse um processo contra ela e o marido.
— Claro que foi — falei, tentando brincar, fazendo de tudo para manter o clima ameno — foi quase amor à primeira vista.
— Quase? — Fred perguntou incrédulo, me fazendo rir, por um segundo me esquecendo de onde estávamos.
— Sim, você estava estressado demais aquele dia.
Como tudo correu bem, saímos no horário para não perdermos o voo. Lá, Edu e Jordana já nos esperavam. Ela estava carrancuda por não querer passar a virada longe da filha, ao mesmo tempo que queria muito aproveitar.
— Quando a gente voltar, ela nem vai se lembrar que somos os pais dela — ela falou melancólica, me fazendo querer rir, mas me segurei pelo seu olhar feio.
— Ela vai se divertir muito com a tia Chiara — Edu prometeu — e a minha mãe estava louca por isso. Quando mencionei que estávamos pensando em viajar, ela desmarcou todos os seus outros planos.
— Pelo menos todo mundo ama ela — Jordana falou, dramática que era.
Entramos no jatinho e escolhemos nossos acentos. Eu e Jordana tiramos foto, ela falando pela milionésima vez que não estava acostumada com essa vida de gente rica, o que fez Edu revirar os olhos.
— Vovó me deu cem reais — ela sussurrou para mim — como se desse pra comprar um almoço no lugar que eles frequentam — ela falou, me fazendo gargalhar.
— Ela teve boa intenção — eu falei — vai dar pra comprar lembrancinhas...
— É — ela suspirou, olhando pela janela. Depois de decolar, nos serviram champanhe e alguns petiscos.
[...]
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Minha Louca Tentação
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