Capítulo 15
Fred Toledo
Jordana sempre dizia que ficava receosa quando tudo estava perfeito demais. Segundo ela, quando ela e Edu emplacavam em uma fase sem problemas, algo muito ruim acontecia logo depois. Hoje, nem eu e nem ninguém próximo a eles acreditava que algo poderia abalar aquela relação. Não era como se fosse perfeita, mas eles a tornaram sólida.
Eu e Marina, no entanto, agimos como se tivéssemos deixado nosso relacionamento perfeito, mas em pouco tempo percebi que não era sólido. No meio da semana fomos eu, ele e Helena almoçar no restaurante da avó de Jordana. Em um momento, Edu precisou sair para trocar a fralda da filha e pôde ir até o escritório, para ter privacidade. Ele demorou mais do que eu gostaria que tivesse demorado. Nesse meio tempo, a irmã de Marina apareceu e veio me cumprimentar.
Ela comentou sobre o aniversário do namorado, e disse que adoraria nos convidar, mas como Marina não olhava na cara do Lucas, isso parecia impossível. Eu caí na besteira de perguntar o motivo e aí veio a bomba. Ela teve um caso com o cunhado. Não entendi muito bem a história, mas se ela não amava o cara, guardou essa mágoa por quê?
— Achei que com vocês dois juntos as coisas iriam melhorar, mas ela parece nunca ter superado essa história — Tereza revirou os olhos e negou com a cabeça — mamãe acha que se você a pedisse em casamento, talvez ela esqueceria e voltaria ao menos a ser civilizada com ele, afinal não tivemos culpa.
— Eu já a pedi em casamento — disparei, mordido pela desconfiança — e ela negou.
Tereza pareceu aturdida com a novidade e pareceu pensar por um momento.
— Acha que ela pode ser apaixonada pelo Lucas até hoje? — ela franziu o cenho, parecendo preocupada — isso explicaria as recusas do pedido, não?
Antes que eu pudesse tentar tirar mais conclusões, Edu voltou com Helena e a colocou no cadeirão. Ele acenou para Tereza, que foi até o balcão fazer seu pedido. Meu humor ficou ácido, eu estava com raiva, nesse momento. Ser apaixonada pelo cunhado poderia explicar muita coisa, não?
Me querer longe da família, por exemplo, para não expor outro cara para ele. Não querer casar comigo, porque queria casar com ele. Um bolo se formou no meu peito e tudo parecia amargar, nem consegui comer.
O vídeo da entrevista de Luísa foi lançado às nove da noite, mas fingi não ver o celular. Marina enviou o link, sabia que eu estava interessado em ver. Não a respondi. Assisti o vídeo, vendo minha namorada à vontade em frente às câmeras, a desenvoltura dela foi impecável para uma primeira vez. Ela adorava trabalhar nesse meio digital, se empenhava muito, merecia ser reconhecida dentro daquela empresa. Nos comentários, o pessoal elogiou muito Marina. Alguns haters de Luísa disseram que Mari conseguiu até mesmo deixá-la mais amigável, já que Luísa era sempre petulante, falsa. E era verdade.
Marina enviou um print do seu perfil no instagram, em questão de minutos havia ganhado quase três mil seguidores e ficou chocada. Dei parabéns por isso, fui seco, porque estava irritado com as possiblidades que inventei na minha cabeça.
Mas não me tiraria a razão, a culpa também era dela. Digo também porque eu sabia que não era perfeito. Mas eu queria iluminar nosso caminho, que nossa relação fosse mais aberta e sólida, mas não, nós dois criávamos um problema, batíamos na tecla do problema e não resolvíamos. Depois apenas ignorávamos e fingíamos que estava tudo bem. Foi assim com o aborto, foi assim com o pedido de casamento e eu sabia que seria assim com a conversa sobre filhos.
Pensei que não dava para viver empurrando com a barriga, daqui a pouco nossa vida teria passado e seríamos dois velhinhos juntos por amor, mas com tantas mágoas que não nos suportaríamos.
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Minha Louca Tentação
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