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Capítulo 04

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Fred Toledo

Em um dia ensolarado, quando Edu avisou que encontraria Jordana no restaurante da avó dela, eu acabei indo junto. Iria levar Marina para almoçar comigo, mas ela enviou uma mensagem dizendo que não conseguiria sair do trabalho, se desse, nos veríamos mais tarde.

Ao chegar lá, Jordana deixou a filha conosco e saiu apressada, disse que tinha hora marcada com a sogra, algo sobre a festa da Helena.

— Mamãe está agindo como se esse fosse o evento do século — Edu revirou os olhos. Já havia um cadeirão infantil na mesa que separaram para nós e ele colocou a filha ali. Logo depois a sogra trouxe o almoço da pequena.

— Acho que ela viveu esperando pelo momento de mimar os netos — eu zombei dele, que me cerrou os olhos — não que tenha mimado pouco os filhos.

— Estou usando esse argumento para Jordana querer engravidar de novo logo — ele falou, começando a rir sozinho — Helena não pode ter todas as atenções só pra ela, precisa dividir.

— E ela? — perguntei, já sabendo que ela não iria ceder por agora. Não antes de terminar a faculdade.

— Disse que era só você e Marina terem um, que a atenção seria dividida — ele falou e eu suspirei, era querer me ofender tocar nesse assunto. Edu percebeu, porque logo se desculpou.

Ele deu o almoço da filha, enquanto esperávamos pelo nosso. Eu olhava a cena, me perguntando por que diabos não aproveitei nada disso quando tivemos o Bruninho. A idade justificava? Ser muito novo e imaturo, despreparado era o motivo? Ou eu me mantive distante de propósito? Não que nunca tenha feito nada, mas mal me lembrava de ter trocado uma fralda ou ter dado um banho no meu filho bebê. Tudo bem que eu estava na faculdade, mas isso justificava tudo? Eduardo cuidava da filha sozinho e desde que ela nasceu, ele e Jordana conseguiam dividir as tarefas da pequena.

— E acabou! — meu primo comemorou e Helena grunhiu animada, erguendo os bracinhos. Dona Laís veio pegar a neta, reclamando da sujeira que os dois fizeram e logo depois nossa comida chegou.

Eu queria ir embora logo, me contaminava ver a vida que ele construía, a família de Jordana que o acolheu, os dois formando uma família perfeita. Não era que eu não quisesse vê-lo feliz, não queria que tirassem nada de Edu. Eu queria viver algo sublime e completo também, com Marina. A avó de Jordana nos avisou que tinha sobremesa nova no cardápio e Eduardo quis experimentar. Eu soltei o ar e me escorei na cadeira.

— Está tudo bem?

— Calor — resmunguei e ele franziu o cenho, já que agora havia ar condicionado por aqui.

Dona Márcia passou por nós, dessa vez, acompanhada de uma mulher alta, esbelta, com cara de poucos amigos. Ela parou de repente e olhou para mim e Edu. Primeiro, apresentou Eduardo a mulher, soltando uma piada sem graça sobre os burburinhos da filha de Jordana não ter pai.

— Alguém soltou por aí que não sabiam nem como Jordana pagava a faculdade — dona Marcia falou — mas eles até moram juntos.

— Vamos nos casar ano que vem — Edu completou e eu o encarei, querendo rir, porque ele tentava se mostrar comprometido para elas. Todos já sabíamos que ele era um completo apaixonado, mas ele se colocou numa posição de se redimir o máximo possível.

— E Fred é o namorado de Marina — dona Márcia completou e a mulher olhou para mim.

— E desde quando Marina namora? — ela perguntou, arqueando as sobrancelhas e eu suspirei. Já havíamos brigado por ela dizer a avó de Jordana que ficávamos de vez em quando. De vez em quando! Desde que me separei há dois anos, não fiquei com outra mulher, e para ela queria dizer de vez em quando. Mas voltei ao momento atual, onde isso já havia sido esclarecido.

— Margarete é a mãe de Mari, Fred — a senhora falou e eu fui golpeado com a notícia. Me levantei para cumprimentá-la direito e foi a vez de Eduardo querer rir.

— Não consigo entender porque minha filha escondeu isso de mim — ela falou ofendida, mas eu não tinha o que dizer sobre isso. Não dava para amarrá-la e forçá-la a me assumir pra família.

— Aposto que estava esperando o momento certo. Jordana me escondeu Eduardo até aparecer grávida — dona Márcia falou, mas era uma mentira, já que desde que Eduardo ficou com Jordana e se pegou obcecado, vivia por aqui atrás dela.

— Marina sempre foi assim — a minha sogra falou, realmente decepcionada — parece até que não gosta da família... Se eu não tivesse vindo conferir a reforma, jamais conheceria você.

— Sinto muito — falei, me sentindo encurralado. Uma sensação estranha. Na verdade, era como conhecer a paranoica da minha namorada. Era não iria gostar nem um pouco disso.

Para nossa sorte, Jordana chegou, olhando confusa para nós quatro aqui reunidos. Ela cumprimentou todo mundo, perguntou se já havíamos sido apresentados e me lançou um olhar significativo, que dessa vez, infelizmente não decifrei.

— É um namoro tão recente, talvez por isso a senhora não tenha conhecido ainda — Jordana falou para Dona Margarete — Mari devia estar ansiosa para apresentá-lo a todos vocês — dessa vez, eu olhei para Jordana, porque ela estava mentindo deslavadamente.

— Então melhor esperarmos que ela conte — a mulher respondeu, olhando para mim de volta — foi um prazer conhecê-lo, Fred. — ela se despediu com um beijo no rosto.

— Fiz merda? — dona Márcia perguntou, porque Jordana a olhou e negou com a cabeça.

Eu queria insistir por explicações decentes. Que mal haveria nisso? Na minha percepção, nenhum. Marina teria que lidar com isso. Edu recebeu uma ligação e tivemos que sair apressados. Ele apenas deixou o cartão de crédito para Jordana pagar nosso almoço.

[...]

***

Chegueiii

alguém aí? Me contem o que estão achando

vou deixar mais um

to tao ansiosa pra vocês poderem ler a história completaaaa

um beijo

Minha Louca TentaçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora