Capítulo 26
Fred Toledo
Pela manhã, eu fiz duas reuniões online e Edu apresentaria o projeto presencialmente. Ele estava fazendo o possível para suprir minha falta, sendo muito compreensivo. Depois, monitorei meu filho, se estava indo em dia nas matérias da escola, entregando as atividades em dia. Na semana de provas, ele teria que ir para o Rio, não teria outro jeito.
Pedimos almoço e quanto chegou, Marina foi com Bruninho pegar, na portaria. Eu estava pondo a mesa, quando minha ex-sogra apareceu.
— Você gosta mesmo da garota, não é? — ela perguntou e eu a olhei, me sentindo culpado, mas por outro lado, todos sempre souberam que eu nunca amei a Bruna. Assenti, balancei a cabeça devagar e ela suspirou.
— Torcemos tanto pra você e Bruna darem certo... Mas juntos era dor de cabeça pura, não se suportavam.
— Era... — falei vagamente — mas acho que hoje estamos conseguindo ter uma boa relação. Pelo bem do nosso filho.
— Ainda bem — ela falou, erguendo as mãos como se agradecesse aos céus — acho que ela vai se tornar uma pessoa mais resiliente e calma, quando sair dessa.
— Espero que seja logo.
— Contei a ela que a sua namorada está aí — ela falou e eu a olhei surpreso — não quero que ela se engane com vocês dois. Não acho que ela ainda te ame como um homem, mas ainda sonha com uma família perfeita. Não quero que crie alguma esperança.
Eu fiquei quieto, não tinha como argumentar. Ela tinha razão, mas eu queria poupar Bruna de qualquer estresse.
— Como ela reagiu?
— Falou que imaginava... Reclamou de você, por não querer dizer. Disse que detesta Marina, mas pelo menos ela adora o Bruno, isso ninguém pode negar, os dois se dão muito bem e isso a deixa mais tranquila.
Eu apertei os lábios, não sabendo o que dizer. Tânia contou que Bruna tinha planos de fazer a reconstrução da mama depois que estivesse completamente curada, que fosse liberada para isso. Deixei claro que poderia custear qualquer coisa, que fazia questão. Mas sabia que eles não precisavam de nada financeiramente.
— Eu poderia negar — ela falou, deixando escapar uma risada, porque conhecia a filha — mas a minha filha vai querer extorquir você.
— Eu sei, trabalho pra isso.
Não fui para o hospital à tarde, porque queria aproveitar o último dia com Marina. Escolhemos um filme de ação, depois transamos. Transamos muito, maravilhosamente. Tudo pareceu estalar e ficar nulo ao nosso redor. Com uma última estocada, montado sobre ela, que estava de bruços, eu comecei a gozar e ela também. Marina deu um gemido desesperado e afundou o rosto no travesseiro. Eu, afoguei o meu em seu pescoço, morrendo em um orgasmo primitivo, tão louco e violento. Estremeci sobre ela e fechei os olhos, relaxando depois dessa onda incrível.
Puxei para fora, sentindo falta do calor da boceta quente e enxarcada e caí deitado ao seu lado.
— Você nem foi e eu já estou louco de saudade — sussurrei.
— Como você acha que vai ser daqui pra frente? — ela perguntou — Bruna vai terminar o tratamento... E nós dois?
— Espero te fazer um pedido e que você não saia correndo — eu falei baixinho e ela chegou para mais perto.
— O que a mãe dela diz sobre mim, sobre eu estar aqui?
— Todo mundo sabe que eu e Bruna não demos certo, que não nos amamos pra ficarmos juntos. A mãe dela acha que ela vai sair dessa se tornando uma pessoa melhor... Em tudo.
— Não acham que isso vai te fazer apaixonar? — Mari indagou confusa e eu neguei com a cabeça.
— Posso te confessar uma coisa? — perguntei e ela franziu o cenho, ponderando, mas balançou a cabeça positivamente. Tomei uma respiração profunda e a olhei, tão bonita e relaxada depois de um orgasmo arrasador.
— Fala — ela falou curiosa.
— Se eu sentisse que Bruna me amava, se fosse genuíno, se ela fosse realmente apaixonada por mim, eu teria tentado dar certo — eu falei e ela continuou me encarando, parecia surpresa, mas era a verdade — pelo nosso filho, pela nossa família, pra não desapontar nossos pais. Eu tentei por muitos anos, Mari. Não saía de casa pedindo o divórcio porque queria ser solteiro. Saía de casa e pedia socorro, porque nós dois não nos suportávamos. Teve um ano que não transamos. Que casal consegue? Nós dois... Se eu fico uma semana sem você, parece que vou enlouquecer.
— Você ficou um ano sem sexo? — ela perguntou, me fazendo rir.
— Não. E acredito que nem ela. Saíamos aos fins de semana pra lugares diferentes, nosso filho ficava com a babá. Voltávamos no dia seguinte e fingíamos que nada aconteceu. Mas se eu falava em divórcio, era motivo pra brigar — falei, sem mágoa sobre isso — nós dois não nos suportávamos ao ponto de não sentirmos tesão um no outro. Tudo foi morrendo, só restou animosidade. Foi quando te conheci, me apaixonei e fui morar com Edu. Quando não voltei pra casa dos meus pais, acho que todo mundo percebeu que não tinha mais volta. E ela ficou com raiva, porque soube que eu saí de casa porque estava gostando de você. Dificultou o que pôde naquela época, você sabe.
— Pelo menos estão se entendendo agora.
— Um dia enchi a cara e acordei com ela no meu quarto, me levando café. E propondo uma trégua.
— Ficaram?
— Não. Ela negou prontamente. A falta de desejo é tanta que ela falou incrédula, esclareceu na hora. Bruna querer voltar comigo era só por status, pra não ter que procurar outra família perfeita. Como Luísa querer manter aquela coisa esquisita com Edu.
— Sinto muito — ela falou confusa.
Ficamos nos encarando por um momento, ela tocou meu rosto e acariciou a barba com o polegar.
— Como você se sentiu quando soube que eu fiz um aborto? — ela perguntou, nunca realmente conversamos e esclarecemos essa história. Brigamos, nos magoamos, sofremos. Depois voltamos e achamos que tínhamos enterrado o assunto. O que não era uma completa verdade. Por um segundo, revivi a sensação tenebrosa daquele dia.
— Foi como se eu tivesse ganhado uma passagem ao inferno. Fiquei queimando lá por dias, cego de ódio, me sentindo enganado, traído, incapaz. Me sentia péssimo, insignificante pra você. Achava que você deveria ter me contado, pensei que poderia ter te convencido a não tirar... — falei, quase reascendendo o que senti, mas afastei para longe —por muito tempo eu fiquei no escuro com você. Te amando ao ponto de ignorar tudo isso só pra não te perder.
— E agora você entende?
— Não — falei lamentoso.
— Eu tenho pavor a pensar em ter filhos — ela falou angustiada, o olhar pareceu marejar e ela levou minha mão até o peito esquerdo, o coração batia descompassado — me dá medo, eu tenho medo de reproduzir pra outro ser humano o que minha mãe fez comigo. Não posso simplesmente arriscar. Eu não posso reclamar, sempre tive casa e comida. Mas sempre fui desprezada e foi duro aprender a lidar. Porque ninguém acreditava em mim. Ninguém duvida de uma mãe, Fred. Você acreditou nelas em algum momento.
— Acha que ela não ama você?
— Acho que ela não sabe lidar comigo. Ela se irrita só por me ver. E eu não posso explicar os motivos. Tem dias que está tudo bem, conseguimos conviver numa boa. Mas na maioria deles, não.
— Sinto muito, Mari — sussurrei, não sabendo como lidar com isso. Por meses eu insisti em me aproximar da família dela e isso só desandou nosso relacionamento.
— Está tudo bem agora.
— To ansioso pra conhecer seu apê novo — falei e ela riu, assentindo — aposto que vou ficar maluco pra mobilhar.
— Nem vou protestar, porque você tem bom gosto — ela falou presunçosa — mas não temos pressa, as prioridades são outras agora.
— Tem razão — eu falei, então ouvimos vozes vindas da sala. Nos levantamos e nos vestimos apressados. Mais tarde, fui levá-la ao aeroporto.
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Minha Louca Tentação
ChickLitVolume 3 da série tentação Vol. 1 e 2: Doce tentação •Disponíveis na amazon
