04• Chave Quatro

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― Você sabe que eu quero ser maquiadora, então feche os olhos, fique quieto e me deixe fazer o seu delineado. ― reclamou Dandara e eu a obedeci.

Eu e Lorran já estamos de banho tomado e eu vesti a roupa extra que trouxe na mochila.

Agora, estamos no quarto da Dandara, servindo de cobaias. Ela quer ser uma maquiadora profissional e queria colocar o que aprendeu no curso de maquiagem em prática.

― Pronto, pode abrir os olhos. ― ouvi a voz da minha melhor amiga e assim eu fiz. ― Perfeito! Olhe como você está lindo! ― exclamou pegando um espelho pequeno e me mostrando.

Fiz uma careta e a loira ficou tristonha.

― Não gostou? ― ela perguntou, deixando o espelhinho em cima da cama.

― Não acho que combine comigo. ― ri e ela bufou.

― Combina comigo? ― perguntou Lorran e eu virei o rosto para o fitar. Ele também estava com um delineado, mas o seu era mais puxado para o lado.

― Com certeza! ― afirmou a minha amiga. ― Preciso tirar uma foto. ― tirou o seu celular do bolso traseiro da calça. Ela tirou a foto e o garoto ao meu lado sorriu. ― Agora você. ― disse se virando pra mim.

― Ah, por quê? ― resmunguei e a loira fez uma cara de brava. ― Ok! ― desisti e Dandara riu.

― Você tem medo de mim! ― gargalhou e tirou a foto do meu delineado. ― Perfeitos. ― sorriu nos fitando. Eu e Lorran nos entre olhamos e caímos na risada.

― Maquiadora Dandara Barbosa? ― Perguntou uma voz familiar vindo da porta e a minha amiga saiu da nossa frente.

Era o Marcus. Encostado no batente da porta.

― Maquiadora Dandara Barbosa! ― gritou a loira, como se aprovando o novo apelido. ― Se quiser, pode ser a minha terceira cobaia. ― falou para o seu irmão e o mesmo arregalou os olhos.

― Deus me livre! ― exclamou rindo e entrando no quarto. ― Lorran? É você? ― perguntou se sentando na cama da sua irmã.

― Sim? ― o menino de cabelos castanhos falou.

― Desculpe, não o reconheci por causa da maquiagem exagerada. ― reclamou se virando para a loira em pé.

― A maquiagem não está tão pesada assim. ― retrucou ela fitando os olhos de Lorran e eu percebi que o mesmo corou.

― Ela tem razão. ― concordei com a minha amiga. ― Não está tão forte.

― Viu?! Eu sou uma ótima maquiadora. ― Dandara se gabou e o seu irmão riu.

― Claro.

[...]

Cheguei no meu quarto e tirei a dica quatro de dentro da mochila, me sentando na cama.

DICA QUATRO

Eu disse que a charada três era fácil! Bom, a próxima já é um pouco mais difícil, mas nada que você não descubra.

"Aqui, se encontram futuros dançarinos.

Os alunos machucam os seus pés e outros, arrasam no seu trabalho.

Algumas pessoas chegam para evoluir. Outras, para o lazer.

Onde eu estou?"

Terminei de ler e franzi a testa.

Reli a carta umas cinco vezes e ainda não tinha descoberto.

Me joguei na cama e bufei. Essa era impossível.

Onde está essa chave?

Me sentei novamente e coloquei os meus tênis de corrida. Correr me ajuda a pensar.

Saí de casa e percorri as ruas da cidade.

Eu devia ter corrido por horas, pois quando parei para descansar, já estava escurecendo.

Apoiei os meus braços nos meus joelhos e respirei fundo.

Olhei para o lado direito e vi um local onde se praticava dança.

Então lembrei da carta. Ela falava algo sobre dança.

Olhei pela entrada do local e levantei o tapete em frente a porta. Lá estava a chave, como eu tinha imaginando.

― Isso! ― gritei, feliz por ter achado.

Eu tenho muita sorte.

Enfiei a chave e a dica cinco dentro do bolso e comecei a correr em direção à minha casa.

[...]

Subi as escadas correndo, entrei no quarto e tranquei a porta.

― Seu pai me deixou entrar. ― disse uma voz feminina atrás de mim e eu me virei assustado.

Dandara Barbosa estava sentada na minha cama, com a minha camisa branca da escola no colo e o baú em cima da cama.

Gelei.

Eu não tinha o deixado ali. Eu o guardei embaixo da cama.

À não ser que ela...

― O que você faz aqui? ― perguntei pegando o objeto de madeira e dando dois passos para trás, como se protegendo ele da minha amiga.

― O que têm aí dentro? ― ela perguntou se levantando e deixando a minha camisa em cima da cama.

― O que você faz aqui?

A loira bufou.

― Você esqueceu a sua camisa lá em casa, então eu estou devolvendo.

― Já devolveu, agora pode ir. ― falei destrancado a porta e a deixando entre aberta.

― O que têm aí dentro? É isso que você está me escondendo? ― perguntou dando dois passos na minha direção e eu encostei as minhas costas na porta, assim a fechando. Comecei a suar frio. ― Sinto que você está me escondendo algo importante. ― retrucou e eu engoli em seco. ― O que têm aí dentro?

[...]

― E quantas chaves você achou? ― Dandara perguntou, colocando um fio de cabelo atrás da orelha.

― Acabei de encontrar a quarta. ― informei, tirando a dica cinco e o objeto dourado do meu bolso da calça.

Eu já havia contado tudo e agora estamos sentados na minha cama, sentados de frente um para o outro.

E é claro que ela surtou.

― Você sabe que isso é perigoso, né? ― retrucou e eu franzi a testa. ― Você não sabe o que tem aí dentro, Mill! E se tiver drogas... ou pior: uma arma que foi usada numa cena de crime! ― falou e eu caí na risada. ― Estou falando sério! ― gritou, me dando um leve soco no ombro.

― Acho que você está exagerando.

― Tá, mas e se o cara que fez esse jogo maluco é um psicopata, apenas esperando por uma vítima?

― Hm... ― dei uma pausa. ― Acho que não. ― respondi voltando a rir.

Dandara fez cara de brava e eu fiquei sério.

― Só... tome cuidado. ― ela alertou, me abraçando de lado.

― Eu estou fazendo isso.

Saí do abraço e abri a gaveta da cômoda. Deixei a chave quatro lá e a fechei.

Minha amiga se direcionou para a porta e a abriu. A segui e fiquei na sua frente.

― Você... guarda isso em segredo? ― perguntei e ela assentiu.

― Boa sorte, campeão caçador. ― Se despediu, batendo continência e eu ri.

― Até, maquiadora Dandara Barbosa. ― Falei e a garota sorriu.

Ela se afastou e eu fechei a porta do quarto.

Trancado a Sete ChavesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora