Cheguei em casa suado e fui até o meu quarto. Deixei a mochila em cima da cama e fui até o banheiro. Tomei um banho rápido e coloquei uma roupa fresca. Essa tarde está muito quente. Rio de Janeiro, né.
Abri a janela do quarto e tirei o material da mochila. Andei até a mesa no canto do local e fiz os deveres de casa.
Quando terminei, me joguei na cama e observei a capa de Orgulho e Preconceito. Peguei o livro e comecei a folheá-lo. Depois resolvi ler o primeiro capítulo.
Fiquei a tarde toda lendo-o e quando parei, percebi que já eram sete da noite.
Me surpreendi ao ver o horário. Não sou o tipo de pessoa que passa a tarde lendo um livro.
Deixei Orgulho e Preconceito no meio da minha estante entre tantas medalhas e troféus e saí do quarto.
[...]
No dia seguinte...
Dia 3, sexta-feira.
Dandara andou até o banco onde estou sentado e começamos a conversar. Estamos na frente da escola, apenas esperando os portões se abrirem.
― Olhe o que eu trouxe. ― falei abrindo a mochila e lhe mostrando o livro Orgulho e Preconceito.
― Você está mesmo lendo isso? ― ela perguntou, como se não acreditasse.
Fiz uma careta, mas respondi à sua pergunta.
― Sim, ontem mesmo eu li uns dez capítulos.
― Uau.
― É sério que você virou um amante de livros de romance? ― Marcus se aproximou e eu dei uma curta risada.
― É só um livro. ― Respondi e meu amigo se sentou ao lado da sua irmã.
― Você diz isso agora. ― ele disse, como se a partir dali, eu fosse virar um louco por livros de romance.
Olhei para frente, ignorando o Marcus, e vi que o mesmo garoto que estava sendo perturbado pelo meu amigo ontem fitava o livro em minhas mãos.
O menino, assim como eu, também estava sentado em um dos bancos de madeira. Ele estava sozinho, abraçando a sua mochila amarela contra o corpo. Seus cabelos estavam com algumas pequenas tranças por seu cabelo ser muito curto. Diferente de ontem, ele não usava os seus óculos. Um sorriso de lado dominava os seus lábios. Era impressionante, mas ele conseguia cair bem naquele uniforme que mais parecia uma roupa de época: calça azul marinho, sapatos pretos, meias brancas e camisa de colarinho da mesma cor.
O garoto levantou o rosto e viu que eu o encarava. Seu rosto corou e ele olhou para o outro lado.
Ri da situação e guardei o livro na mochila.
― O último jogo é semana que vem. Está pronto para ter mais um troféu na sua estante? ― perguntou Dandara me olhando e eu sorri.
― Mal posso esperar.
― Com certeza vamos ganhar. ― Marcus se gabou.
Eu e Dandara rimos e o sinal bateu.
[...]
Depois do meu treino diário com o Marcus, fui em casa e tomei um banho.
Ao terminar e me vestir, me sentei na cama e abri a minha mochila cinza. Vi que a dica dois e a chave um ainda estavam lá e as tirei.
Admirei por um tempo a chave na minha mão e percebi o quanto ela era diferente. A ponta dela era arredondada e o objeto era dourado. Parecia uma chave antiga. Guardei a chave na gaveta da cômoda.
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Trancado a Sete Chaves
Teen FictionEm pausa/em andamento/em revisão *** +16 Um garoto descolado, com uma caixa de madeira e à procura de sete chaves. Essa é a vida divertida do estudante Eric Müller. *** Pode ter gatilhos como: ansiedade, depressão, bullying, violência, gordofobia e...
