09• Carta Dois

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Lorran marcou mais um gol para o time Gaviões e o jogo acabou.

― Meu Deus, não acredito! ― o garoto de cabelos castanhos ao meu lado gritou.

― E os Gaviões ganham dos Leões de 5 à 3. ― o narrador do jogo informou.

― Campeões, capitão! ― falou Marcus, tirando a camisa.

Os jogadores logo foram chamados para receber as medalhas e tirar a foto do time.

Subimos em cima da plataforma e ganhamos as medalhas de ouro. Depois, o troféu chegou e eu o levantei com as duas mãos, sorrindo.

A plateia já comemorava na arquibancada.

Saí da quadra, com o objeto dourado e pesado nas minhas mãos e fui até Dandara, que já tinha descido da arquibancada.

― Parabéns! ― Ela gritou com um sorriso nos lábios.

Sorri e a loira me abraçou, mesmo eu estando suado.

Depois, fui até o vestiário e tomei um banho. Já vestido, telefonei para o Pedro.

― Pai? ― perguntei enquanto calçava os meus tênis.

― Oi, vencedor! Quanto foi o placar? ― perguntou animado.

― 5 à 3!

― Que orgulho, parabéns!

― Obrigado, pai.

― Temos que comemorar! Chame os seus amigos para dormir aqui em casa. ― pediu e eu levantei as sobrancelhas.

― Sério?

― Claro, por que não? Vocês podem ir amanhã à escola juntos.

― Obrigado, pai! ― respondi e encerrei a ligação.

[...]

Assim como eu, Marcus, Lorran e Dand tinham tomado banho na escola.

Agora, estamos no uber, indo para a minha casa.

Eles falaram com os seus responsáveis e eles deixaram ― o que é uma raridade.

― Pronto! ― falei enquanto saíamos do carro e adentramos a casa, Marcus já olhava para os lados.

― Faz um tempinho que não venho aqui. ― ele retrucou, fechando a porta atrás de si.

― Oi, crianças. ― disse Pedro assim que adentramos a sala e Dandara riu. ― Lorran? ― perguntou para o garoto de cabelos castanhos ao meu lado. ― Pensava que você e o Eric não eram mais amigos. ― falou e Carvalho encolheu os ombros.

― Bom, agora somos amigos novamente. ― pousei a mão no ombro de Lorran e o mesmo deu um sorriso de canto.

― Boa noite, Sr. Müller. ― cumprimentou os irmãos Barbosa.

― Boa noite. ― meu pai respondeu, sorridente. ― Vou pedir uma pizza para vocês. ― informou e eu sorri.

― Eu tinha esquecido o quanto o seu pai é legal. ― cochichou Lorran para mim.

― Vocês podem dormir no quarto do Eric. ― sugeriu se afastando. ― Chamo vocês quando a pizza chegar. ― completou, entrando na cozinha.

― Bom, vamos lá! ― falei, prestes a subir as escadas até que Dandara correu até mim.

― Posso falar com você, Mill? ― ela perguntou, ficando na minha frente.

― Claro. ― respondi, parando no primeiro degrau da escada.

― À sós. Lá em cima. No seu quarto. ― a loira disse e eu franzi a testa.

― Ah, vão logo com isso! ― pediu Marcus, tampando os olhos. ― Não quero ver essa cena. ― exclamou e Lorran semi-cerrou os olhos, confuso.

― Cala a boca! ― a garota gritou, me puxando pelo braço e o loiro riu alto.

― Ele não estava pensando que... ― Falei, enquanto subíamos as escadas e Dand concordou com a cabeça enquanto entrávamos no meu quarto ― ... Ok, acho que seu irmão não aceita a minha homossexualidade ― Completei, deixando o troféu em cima da estante.

― É que você é tão fora dos estereótipos, acho que ele esquece às vezes. ― Minha amiga rebateu, trancando a porta.

― Como assim? ― Franzi a testa, me sentando na cama.

― Deixe isso pra lá. ― Fez uma careta. ― Temos que esconder o baú.

― Você tem razão. ― Respondi pegando o objeto de madeira de baixo da cama. ― Posso ler a carta dois? ― Perguntei fitando os olhos de avelã da garota em pé à minha frente.

― Agora? ― Perguntou e eu assenti. ― Ahh, ok! Mas rápido, senão o Marcus vai continuar com aquele pensamento podre.

Peguei a carta de número dois e comecei a lê-la:

CARTA DOIS

Bem-vindo à carta dois!

Meu pai é o dono da loja de bugigangas que você visitou para ganhar a chave dois.

Ele fez o baú com as próprias mãos quando eu era pequenininho.

O Thiago (meu pai) me deu esse obejto de madeira no meu aniversário de sete anos.

Ele disse que era para eu guardar os meus brinquedos ali dentro.

Perguntei ao Thiago porque o baú tinha sete cadeados. Então ele respondeu: porque você está fazendo sete anos.

Uma coisa idiota? Talvez, mas dali em diante, sete se tornou o meu número da sorte/favorito.

Não é à toa que são sete charadas, sete dicas, sete chaves e sete envelopes.

Bom, essa foi a carta dois!

Espero que eu tenha tirado algumas dúvidas que você tinha.

Até a carta 3!

Atenciosamente, Pessoa Misteriosa.

― O que acha, Mill? ― retrucou Dand quando eu terminei de ler.

― O quê? ― guardei a carta dentro do objeto de madeira.

― O que você acha de esconder o baú dentro do seu armário?

― Acho uma boa ideia. ― me levantei e fiz o que a loira sugeriu. ― Pronto.

Saímos do quarto e Marcus e Lorran entraram para guardar as mochilas.

― Demoraram. ― disse Lorran, pousando a sua mochila preta no chão.

― Culpa do Mill! ― rebateu Dand ao meu lado e o loiro levantou uma sobrancelha.

― Espero que tenham trocado a roupa de cama. ― o meu melhor amigo falou e o garoto de cabelos castanhos ficou sério.

― Cala a boca, Marcus! ― eu e Dandara gritamos ao mesmo tempo e ele riu.

― A pizza chegou! ― gritou meu pai do primeiro andar e nós descemos as escadas.

Fomos para a cozinha e nos servimos.

Depois me sentei no sofá, entre Dand e Marcus. Lorran se sentou no chão, próximo à loira.

― Vamos ver algum filme? ― perguntou o menino de cabelos castanhos.

― Filme de terror. ― sugeriu o loiro, pegando o controle remoto em cima da mesinha de centro.

― Vocês sabem que eu tenho medo dessas coisas! ― retrucou a menina sentada ao meu lado, tampando os olhos.

― Medrosa! ― ri e ela me mostrou a língua.

― Problema seu. ― Marcus respondeu a Dandara, dando play no filme e eu e Lorran rimos.

Trancado a Sete ChavesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora