08• Carta Um

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Já de banho tomado, tranquei a porta do meu quarto e liguei a luz. Já estava escurecendo.

Me sentei na cama e tirei o baú de baixo dela.

Tirei todas as sete chaves de dentro da gaveta e comecei a abrir os cadeados, um por um.

Até que o objeto de madeira fez um "click", indicando que ele acabara de ser destrancado.

Abri a caixa e me deparei com sete envelopes e uma folha branca dobrada.

Peguei o único papel diferente e li o que estava ali:

Só abra quando ler todas as sete cartas.

Só por esse recado, eu senti uma leve vontade de desdobrar o papel, mas o deixei quieto dentro do baú.

Peguei um dos envelopes e li: carta um.

Meu coração estava saltitando de animação. Engoli em seco e abri o papel. Comecei a lê-lo:

CARTA UM

Se você chegou até aqui, parabéns! Ganhar do meu professor de karatê não deve ser fácil.

Talvez você tenha se desapontado quando abriu o baú e se deparou com sete envelopes amarelados.

Se quiser, nem precisa continuar com isso. Porque, acredite, você vai se enjoar rapidamente pela minha vida entediante.

Bem, sou um aluno do 3° ano do ensino médio e adoro livros.

Tenho vários hobbies, mas um deles é ler.

Adoro um suspense e terror, mas o meu livro favorito é um romance de época.

Isso explica porque as dicas e os envelopes são de folhas amareladas.

Meu livro favorito é Orgulho e Preconceito e sempre vou à livraria de Ipanema quando posso.

E quando soube que a pessoa que eu gosto vai para àquela livraria todo dia, depois da aula, costumo ir bastante lá, para observá-la de longe, enquanto admira os livros na estante.

Bom, essa foi a carta um.

Espero que você tenha se interessado um pouco na minha pessoa.

Até a carta 2!

Atenciosamente, Pessoa Misteriosa.

Dei um sorriso de lado ao ler a carta. Mas depois franzi a testa. Só tinha uma pessoa que ia à livraria todo dia depois da aula.

Dandara Barbosa.

[...]

No dia seguinte...

Dia 9, quinta-feira.

Fechei a porta do meu armário do vestiário e Lorran se aproximou.

O treinamento de hoje de manhã foi puxado, né? ― perguntou se encostando em um dos armários vermelhos.

Pois é. ― respondi, ajeitando a mochila nas minhas costas. Eu já o olhava de forma diferente. Sabia que Lorran gostava da Dandara, mas não queria arriscar e perguntar sobre o baú. E, pelo o que eu saiba, ele não tem Lopez no nome.

O problema é que existem cinco turmas de terceiro ano, contando com a minha. Era impossível saber o nome de todos os alunos.

Está nervoso para o jogo hoje à noite?

Com certeza. ― Respondi fazendo uma careta.

Meu estômago embrulhava só de lembrar que a final seria hoje à noite.

― Você está bravo comigo? ― perguntou se desencostando do armário e eu franzi a testa.

― O quê? Não.

― É que você pareceu irritado quando eu falei sobre o dia que você caiu na pista e... ― o interrompi.

― É o seu jeito. Eu não vou ficar irritado porque você foi você mesmo.

― Mas mesmo assim ― deu uma pausa. ―, me desculpe se eu te magoei. ― completou e eu esbocei um sorriso sem mostrar os dentes, concordando com a cabeça.

Saímos do vestiário e fomos até Marcus ― que já tinha terminado de treinar já um tempinho ― e Dandara no corredor.

A estrela do time Gaviões está pronta para o jogo de hoje? ― perguntou Dand.

Com certeza. ― respondeu o seu irmão, passando as mãos pelo cabelo loiro.

― Eu estava falando do Eric. ― corrigiu a loira e eu e Lorran rimos. Marcus revirou os olhos. ― Está pronto para a final, Mill?

― Estou nervoso.

― Vocês irão ganhar, tenho certeza. ― minha amiga afirmou e eu sorri com o incentivo.

O sinal logo tocou e começamos a andar em direção às nossas salas.

― Eric? ― perguntou a loira atrás de mim e nós paramos de andar. ― Posso falar com você?

― Vish. ― Marcus falou baixinho, enquanto se afastava. Lorran ficou parado ao meu lado apenas querendo saber da conversa.

Fofoqueiro.

― Mas a aula já vai começar. ― protestei.

― Vai ser bem rápido, eu prometo. ― implorou e eu cedi.

Andamos até um canto do corredor e Lorran foi para a sua aula.

― O que tinha dentro do baú? ― perguntou, enfim.

― O quê?

― O que tinha dentro do baú?

― Envelopes amarelados.

― Esse garoto ama um papel, né?

― Dentro deles têm cartas falando sobre o autor.

― E quem é o autor?

― Até agora eu não sei. Ele se denominou como Pessoa Misteriosa. Só li a carta número um.

― Nossa, se eu fosse você leria tudo de uma vez! Mas enfim, quando descobrir quem é, me avisa. Quero muito saber. ― pediu e eu concordei com a cabeça.

― Tenho que ir. ― falei para a minha amiga e me afastei.

[...]

― Ok, eu estou mais nervoso do que antes. ― retrucou Lorran assim que terminamos de vestir o uniforme do time.

― Vai ser de boa. ― prometeu Marcus. ― Os Leões não são tão bons quanto nós. E com esse capitão aqui ― falou pousando a sua mão no meu ombro. ― com certeza vamos ganhar.

Ri de nervoso.

― Venham aqui, Gaviões! ― pediu o treinador e nos reunimos no meio da sala. ― Vocês sabem o que fazer! Não é a primeira vez que enfrentamos uma final. Ano passado ganhamos. Vamos fazer o mesmo hoje! ― gritou e todos começaram a cochichar.

O professor olhou o seu relógio de pulso e nos fitou.

― É agora! ― ele gritou e todos nós nos direcionamos para a saída.

― Céus, eu acho que vou desmaiar. ― retrucou Lorran no meu lado esquerdo.

― Nem inventa! ― disse o loiro da direita e eu ri.

Entramos no campo e meus ouvidos já foram dominados pela gritaria.

Olhei para a arquibancada e avistei Dandara ao lado de outras garotas. Quando me viu, acenei com a mão e ela lançou um beijo no ar.

Nos posicionamos na quadra e ficamos em posição, apenas esperando o jogo começar.

― Será que vamos ganhar? ― Lorran perguntou, mas teve de gritar já que estava longe.

― Tá tudo bem, cara. ― tentei confortar o meu amigo. ― Vamos ganhar.

― Vamos ganhar. ― repetiu afirmando para si mesmo.

Então... o apito soou.

Trancado a Sete ChavesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora