Já de banho tomado, tranquei a porta do meu quarto e liguei a luz. Já estava escurecendo.
Me sentei na cama e tirei o baú de baixo dela.
Tirei todas as sete chaves de dentro da gaveta e comecei a abrir os cadeados, um por um.
Até que o objeto de madeira fez um "click", indicando que ele acabara de ser destrancado.
Abri a caixa e me deparei com sete envelopes e uma folha branca dobrada.
Peguei o único papel diferente e li o que estava ali:
Só abra quando ler todas as sete cartas.
Só por esse recado, eu senti uma leve vontade de desdobrar o papel, mas o deixei quieto dentro do baú.
Peguei um dos envelopes e li: carta um.
Meu coração estava saltitando de animação. Engoli em seco e abri o papel. Comecei a lê-lo:
CARTA UM
Se você chegou até aqui, parabéns! Ganhar do meu professor de karatê não deve ser fácil.
Talvez você tenha se desapontado quando abriu o baú e se deparou com sete envelopes amarelados.
Se quiser, nem precisa continuar com isso. Porque, acredite, você vai se enjoar rapidamente pela minha vida entediante.
Bem, sou um aluno do 3° ano do ensino médio e adoro livros.
Tenho vários hobbies, mas um deles é ler.
Adoro um suspense e terror, mas o meu livro favorito é um romance de época.
Isso explica porque as dicas e os envelopes são de folhas amareladas.
Meu livro favorito é Orgulho e Preconceito e sempre vou à livraria de Ipanema quando posso.
E quando soube que a pessoa que eu gosto vai para àquela livraria todo dia, depois da aula, costumo ir bastante lá, para observá-la de longe, enquanto admira os livros na estante.
Bom, essa foi a carta um.
Espero que você tenha se interessado um pouco na minha pessoa.
Até a carta 2!
Atenciosamente, Pessoa Misteriosa.
Dei um sorriso de lado ao ler a carta. Mas depois franzi a testa. Só tinha uma pessoa que ia à livraria todo dia depois da aula.
Dandara Barbosa.
[...]
No dia seguinte...
Dia 9, quinta-feira.
Fechei a porta do meu armário do vestiário e Lorran se aproximou.
― O treinamento de hoje de manhã foi puxado, né? ― perguntou se encostando em um dos armários vermelhos.
― Pois é. ― respondi, ajeitando a mochila nas minhas costas. Eu já o olhava de forma diferente. Sabia que Lorran gostava da Dandara, mas não queria arriscar e perguntar sobre o baú. E, pelo o que eu saiba, ele não tem Lopez no nome.
O problema é que existem cinco turmas de terceiro ano, contando com a minha. Era impossível saber o nome de todos os alunos.
― Está nervoso para o jogo hoje à noite?
― Com certeza. ― Respondi fazendo uma careta.
Meu estômago embrulhava só de lembrar que a final seria hoje à noite.
― Você está bravo comigo? ― perguntou se desencostando do armário e eu franzi a testa.
― O quê? Não.
― É que você pareceu irritado quando eu falei sobre o dia que você caiu na pista e... ― o interrompi.
― É o seu jeito. Eu não vou ficar irritado porque você foi você mesmo.
― Mas mesmo assim ― deu uma pausa. ―, me desculpe se eu te magoei. ― completou e eu esbocei um sorriso sem mostrar os dentes, concordando com a cabeça.
Saímos do vestiário e fomos até Marcus ― que já tinha terminado de treinar já um tempinho ― e Dandara no corredor.
― A estrela do time Gaviões está pronta para o jogo de hoje? ― perguntou Dand.
― Com certeza. ― respondeu o seu irmão, passando as mãos pelo cabelo loiro.
― Eu estava falando do Eric. ― corrigiu a loira e eu e Lorran rimos. Marcus revirou os olhos. ― Está pronto para a final, Mill?
― Estou nervoso.
― Vocês irão ganhar, tenho certeza. ― minha amiga afirmou e eu sorri com o incentivo.
O sinal logo tocou e começamos a andar em direção às nossas salas.
― Eric? ― perguntou a loira atrás de mim e nós paramos de andar. ― Posso falar com você?
― Vish. ― Marcus falou baixinho, enquanto se afastava. Lorran ficou parado ao meu lado apenas querendo saber da conversa.
Fofoqueiro.
― Mas a aula já vai começar. ― protestei.
― Vai ser bem rápido, eu prometo. ― implorou e eu cedi.
Andamos até um canto do corredor e Lorran foi para a sua aula.
― O que tinha dentro do baú? ― perguntou, enfim.
― O quê?
― O que tinha dentro do baú?
― Envelopes amarelados.
― Esse garoto ama um papel, né?
― Dentro deles têm cartas falando sobre o autor.
― E quem é o autor?
― Até agora eu não sei. Ele se denominou como Pessoa Misteriosa. Só li a carta número um.
― Nossa, se eu fosse você leria tudo de uma vez! Mas enfim, quando descobrir quem é, me avisa. Quero muito saber. ― pediu e eu concordei com a cabeça.
― Tenho que ir. ― falei para a minha amiga e me afastei.
[...]
― Ok, eu estou mais nervoso do que antes. ― retrucou Lorran assim que terminamos de vestir o uniforme do time.
― Vai ser de boa. ― prometeu Marcus. ― Os Leões não são tão bons quanto nós. E com esse capitão aqui ― falou pousando a sua mão no meu ombro. ― com certeza vamos ganhar.
Ri de nervoso.
― Venham aqui, Gaviões! ― pediu o treinador e nos reunimos no meio da sala. ― Vocês sabem o que fazer! Não é a primeira vez que enfrentamos uma final. Ano passado ganhamos. Vamos fazer o mesmo hoje! ― gritou e todos começaram a cochichar.
O professor olhou o seu relógio de pulso e nos fitou.
― É agora! ― ele gritou e todos nós nos direcionamos para a saída.
― Céus, eu acho que vou desmaiar. ― retrucou Lorran no meu lado esquerdo.
― Nem inventa! ― disse o loiro da direita e eu ri.
Entramos no campo e meus ouvidos já foram dominados pela gritaria.
Olhei para a arquibancada e avistei Dandara ao lado de outras garotas. Quando me viu, acenei com a mão e ela lançou um beijo no ar.
Nos posicionamos na quadra e ficamos em posição, apenas esperando o jogo começar.
― Será que vamos ganhar? ― Lorran perguntou, mas teve de gritar já que estava longe.
― Tá tudo bem, cara. ― tentei confortar o meu amigo. ― Vamos ganhar.
― Vamos ganhar. ― repetiu afirmando para si mesmo.
Então... o apito soou.
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Trancado a Sete Chaves
Fiksi RemajaEm pausa/em andamento/em revisão *** +16 Um garoto descolado, com uma caixa de madeira e à procura de sete chaves. Essa é a vida divertida do estudante Eric Müller. *** Pode ter gatilhos como: ansiedade, depressão, bullying, violência, gordofobia e...
