06• Chave Seis

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Dia 7, terça-feira.

Eu já tinha treinado um pouco com o Marcus e agora estava indo para casa.

Entrei em casa e subi as escadas. Estava falando com Dandara no telefone e ela passaria na minha casa mais tarde.

― Posso lhe pedir um favor?

Entrei no meu quarto e tirei a chave e a dica seis da mochila. Depois, coloquei o objeto dourado dentro da gaveta da minha cômoda e deixei o papel amarelado na cama, ao lado da minha mochila cinza.

― Diga. ― me sentei na minha cama e ali eu tive certeza que Dandara sorria de orelha-à-orelha.

― Só leia a dica seis quando eu chegar aí! ― retrucou e eu franzi a testa.

― E por que eu devia esperar por você?

― Bom, talvez seja porque... ― deu uma pausa. ― eu encontrei a próxima chave!

― Hm... faz sentido.

― Então... até! ― se despediu e encerrou a ligação.

Ri e aproveitei para ler um pouco mais o livro que deixei pegar poeira na estante.

Depois de chegar na metade de Orgulho e Preconceito, o deixei na cama e fui jogar no PS4, até que a porta do meu quarto foi aberta.

― Vamos lá. ― Uma voz feminina falou e eu olhei para o lado. Dandara fechou a porta e se sentou ao lado da minha mochila na cama.

Saí da frente da TV e me sentei na cama.

Peguei o papel amarelado e fitei os olhos de avelã da garota à minha frente.

― Você vai me ajudar a procurar a chave seis? ― Perguntei antes de ler o bilhete.

― Não sei... depende. ― respondeu cruzando os braços.

Dei de ombros e comecei a ler em voz alta.

DICA 6

Se você chegou até aqui, é porque entende um pouco de francês (ou apenas colocou tudo no tradutor).

Mas, mesmo assim: parabéns!

A sexta e penúltima chave está muito fácil. Eu prometo!

"Aqui, podem haver inocentes. Mas na grande maioria, não.

As pessoas suam de nervosismo. Outras, apenas se entregam por conta da pressão.

Neste recinto, vários interrogatórios são feitos.

Você está preso pelo nome da lei. É a frase mais dita aqui.

Leve o baú para esse lugar e mostre para a Lopez.

Onde eu estou?"

Quando terminei de ler, Dandara me fitou com as sobrancelhas levantadas.

― Uma delegacia?! ― ela perguntou, sem acreditar.

― Parece que sim. ― respondi, enfiando o papel amarelado no bolso da calça. ― Vamos? ― perguntei me levantando.

― Oh, não. ― ficou em pé na frente da minha cama e eu franzi a testa. ― Não gosto da vibe.

[...]

Parei em frente à delegacia mais próxima e fiquei ali, parado, com o baú nas mãos.

Olhei de um lado para o outro, procurando por uma pessoa com o sobrenome Lopez.

Uma mulher negra e um homem ruivo estavam adentrando a delegacia quando a moça olhou para trás e me avistou.

Ela olhou para o objeto nas minhas mãos e deu um sorriso fraco. Falou algo com o cara ao seu lado e começou a andar na minha direção.

Engoli em seco.

― Detetive Lopez. ― começou, me mostrando o seu distintivo e eu gelei. ― Esse baú é seu? ― cruzou os braços, séria.

― N-não exatamente.

― Eu estou com a chave seis e a dica sete. ― informou, me fitando com os seus olhos cinzas. ― Me acompanhe. ― pediu, maneando a cabeça para dentro da delegacia.

Lopez começou à andar em direção à porta do local e eu quase tropecei enquanto corria em sua direção.

Entramos no local e os meus ouvidos foram dominados por um falatório.

Andamos até uma mesinha, onde Lopez foi para trás e abriu uma gaveta.

― Aqui está. ― falou, pousando a chave dourada e um bilhete em cima da mesa. ― Eu achei esse negócio de caça-às-chaves bem idiota, mas fazer o que, né? Não sou eu quem decidiu fazer isso. ― fez uma careta.

― Obrigado, detetive Lopez. ― falei, me referindo a chave seis e a dica sete. As enfiei no bolso da calça.

― Há quanto tempo você está procurando pelas chaves? ― apoiou as mãos sobre a mesa de madeira.

― Comecei semana passada.

― Detetive Lopez! ― alguém gritou e a mulher a minha frente revirou os olhos.

― Já estou indo! ― respondeu no mesmo tom de voz. ― Está gostando de procurar e vasculhar Ipanema? ― perguntou, se virando para mim.

― Com certeza, detetive Lopez.

― É quase igual ao meu trabalho, não acha?

A mulher fechou a gaveta que tinha aberto e deu a volta na mesa, ficando ao meu lado.

― Pode me chamar de Violeta. ― pediu me lançando uma piscadela e eu sorri.

― Lopez! ― gritou a voz novamente e a detetive bufou.

― Já vou!

Ela pegou uma pasta em cima da mesa e fitou os meus olhos.

― Sabia que eu sou a mãe da pessoa que fez esse joguinho das chaves? ― fez uma pergunta retórica e eu sorri com a informação. ― Boa sorte. ― falou, prestes a se afastar.

― Seu filho é bem criativo ― retruquei e a mulher negra parou de andar, me olhando sobre o ombro. ― em relação as charadas. ― continuei e a detetive concordou com a cabeça. ― Ele parece ser bem legal. ― concluí e ela sorriu, ficando de frente para mim.

Lopez olhou para os lados antes de me responder.

― De uma coisa você já sabe: é ele.

Trancado a Sete ChavesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora