Vi Alexandre sentado sozinho em um banco e pedi para que Marcus, Lorran e Dand me acompanhassem.
― Gente, conheçam Alexandre Santiago, meu novo...
Crush.
― Amigo. ― apontei para o rapaz e ele nos olhou, tímido.
Meus amigos se entre olharam e Dandara foi a primeira a se sentar ao lado do garoto.
― Eu sou a Dandara. ― ela disse, estendendo a mão para o outro. Eles se cumprimentaram. Logo reparei no nervosismo adolescente de Alexandre.
― Você não é aquele nerd que o Cardoso estava perturbando outro dia? ― o loiro indagou e eu o fuzilei com o olhar. ― Marcus. ― falou rapidamente, sentindo o peso do meu olhar.
Alexandre sorriu fraco.
― Garoto da quadra. ― Carvalho murmurou e voltou a sua atenção para Alexandre. ― Meu nome é Lorran.
― Você e o Eric se conhecem há muito tempo? ― Marcus cruzou os braços e vi Alexandre franzir a testa.
― Quando viraram amigos? ― a irmã Barbosa perguntou.
― Por que começaram a conversar como velhos amigos de repente? ― Lorran perguntou e eu franzi o cenho.
Ale apertou os lábios.
― São muitas perguntas...
―Que tipo de música você curte? ― Dandara perguntou, ignorando o comentário do outro.
Quando ela faz uma nova amizade, a primeira coisa que pergunta é sobre o gosto musical da pessoa. Não julgo.
― E-eu... ― a voz do garoto falhou e o sinal bateu.
Ele soltou um suspiro. Meus amigos se afastaram e Alexandre se levantou, me olhando.
― O que você pensa que está fazendo?
― Apresentando meus amigos a você. ― respondi o óbvio, ajeitando a alça da minha mochila.
― Não parecia isso.
Franzi o cenho.
― Então o que parecia?
Ela riu.
― Parecia uma missão cupido.
[...]
Hoje recebemos a nota da prova de física. Quando a aula terminou, todos os alunos foram para o corredor da escola, conversar sobre as suas notas.
― Essa professora corrigiu a minha prova igual a cara dela! ― exclamou Lorran, indignado e eu dei uma gargalhada.
― Não fala assim, a professora de física até que é bonita. ― Dandara tentava segurar a risada.
― Você fala isso porque não foi você que tirou um seis! ― Carvalho semicerrou os olhos.
Ele estava quase amassando a prova em suas mãos.
― Bom, eu tirei 10. ― Marcus deu de ombros, se gabando. ― E o Eric também.
― Ok, não precisa esfregar na cara. ― Lorran pediu e eu ri.
― Pelo menos você tirou uma nota acima da média. ― a loira retrucou, sempre enxergando o lado positivo das coisas.
― Seis é a média, Dandara.
― Não foi você que disse que a prova de física estava fácil? ― provoquei e nós rimos.
Alexandre tinha passado direto por nós, mas Marcus o impediu de sair da escola.
― Santiago! ― ele gritou e o garoto nos olhou por cima do ombro. ― Quanto você tirou em física?
Ele nos olhou e parou os seus olhos sobre mim.
― Ele é tímido, você sabe disso. ― sussurrei para o loiro.
― Se não quiser responder, tudo bem. ― Dand exclamou e Alexandre se aproximou, devagar.
― Tirei 10. Fiquei surpreso, porque a prova estava realmente difícil. ― respondeu sem gaguejar, o que me fez sorrir.
― Não é possível! Essa professora me odeia, só pode ser isso! ― Lorran bufou e Ale riu.
― É só uma prova, Carvalho. ― Marcus retrucou. ― Pare de fazer uma tempestade em copo d'água.
Alexandre olhou algo no seu celular e nos fitou.
― Eu... tenho que ir. ― ele ajeitou o seu óculos no rosto.
― Ah, tudo bem. Até amanhã! ― Dandara falou e Ale sorriu, se afastando.
― Eu também tenho que ir. Até amanhã, gente! ― comecei a me afastar deles e eles acenaram.
Saí do colégio e corri até Alexandre.
― Aula de francês? ― perguntei, enquanto caminhávamos lado à lado.
― Sim, e não, você não vai comigo.
― Você vai comigo. ― corrigi e o garoto parou de andar. ― Eu vou fazer uma aula experimental.
Ele semicerrou os olhos e eu ri.
[...]
Parei o automóvel e saímos. Estávamos em frente à um lugar com um jardim na frente e um caminho de pedra que levava até a porta de vidro.
Passamos pelo pequeno jardim e Ale abriu a porta.
Nos deparamos com várias cadeiras e um balcão ao lado esquerdo. Uma recepção. O garoto andou até uma mulher loira atrás do balcão e eu o acompanhei.
― Oi, Alexandre. ― a moça falou, sorridente.
― Oi. ― respondeu ele. ― Esse é o Eric. ― informou, apontando para mim. ― Ele está comigo para uma aula experimental.
― Ah, ok. ― a recepcionista anotou algo em uma folha. ― A aula de vocês começa em 30 minutos.
Nos sentamos em um dos bancos e Ale tirou um livro da mochila para passar o tempo. Eu afundei na cadeira sem nada para fazer. O tempo se arrastou, mas finalmente deu quatro horas e nos levantamos.
― Me segue. ― pediu e assim eu fiz.
Passamos por um corredor, subimos algumas escadas e paramos em frente à uma porta vermelha.
Ale bateu três vezes na porta e entrou.
― Salut, enseignant. ― ele disse fazendo um hight-five com o homem alto de pele mais escura que a sua no palquinho da sala.
Eu sorri com aquilo.
― Salut, Alexandre. ― o professor respondeu, sorridente e se voltou para mim. ― Qui es-tu?
― Ele é o Eric. ― o garoto se sentou em uma cadeira do outro lado da sala. ― Veio para uma aula experimental.
― Você gosta de francês, Eric? ― o professor perguntou, fazendo algumas anotações no quadro enquanto outros alunos entravam na sala.
― Acho um idioma... interessante. ― sorri enquanto me sentava um pouco longe de Alexandre.
― Eu sou o Badeux. ― se apresentou e eu sorri. ― Em uma escala de 0 à 10, o quanto você sabe francês, Eric?
― menos 3. ― respondi e ele riu.
Ficamos em silêncio enquanto o professor fechava a porta.
― Badeux. ― o chamei e ele se virou para mim. ―, como é "beijar" em francês?
Alexandre arregalou os olhos com a pergunta, corando de leve.
Mais uma vez, o professor riu e se virou para mim.
― Embrasser.
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Trancado a Sete Chaves
JugendliteraturEm pausa/em andamento/em revisão *** +16 Um garoto descolado, com uma caixa de madeira e à procura de sete chaves. Essa é a vida divertida do estudante Eric Müller. *** Pode ter gatilhos como: ansiedade, depressão, bullying, violência, gordofobia e...
