A Ovelha

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- O que eu posso te dizer é que eu compreendo que você considere o que eu faço perversão. Dependendo da combinação de fatores que envolvem a nossa vida, acabamos condicionados a olharmos a vida dos outros de forma bem restrita. - começou Diego, calmamente.

- Eu não tenho a visão restrita, pelo contrário! Acho que já demonstrei pra você o tanto de conhecimento que tenho!

- Sem dúvida, não questiono isso. Já percebi que você estudou muito do assunto. Mas não há nada que nos revele mais sobre a verdade do que a experiência; você passar por uma situação te faz ver tudo com outros olhos.

- Concordo que SENTIRMOS algo vivenciado é diferente do que SENTIRMOS algo que conhecemos só em teoria. Mas a questão não é essa. Eu não preciso cometer um erro pra saber que é um erro. Não preciso ser um assassino pra entender que matar é errado.

- Logicamente. Mas qualquer erro ou crime é fácil de ser classificado quando se tem vítimas ou danos. Quando atingimos alguém. A homossexualidade, porém, é algo íntimo, é algo da própria pessoa.

- E você quer me dizer que fazer essa escolha não gera vítimas? Quantas famílias são destruídas por isso? Quantas mães inconsoláveis se perguntando onde erraram? Quantos pais envergonhados, humilhados? Por um gesto egoísta da pessoa, toda uma família sofre!

- Exatamente aí que está o problema da divergência de perspectiva. O ato da pessoa assumir quem realmente é não provoca nenhum mal a própria família; é como a família absorve e interpreta isso, com a lente dos próprios traumas, dúvidas e preconceitos, que irá gerar ou não o sofrimento. Outra coisa: muitas famílias sofrem muito mais pelo que os outros vão pensar do que pelo que realmente sentem.

- Mas as regras são claras. A Lei é clara.

- Olha, independe de qual referência vamos usar. É a Bíblia? Ok. É o Livro dos Espíritos? Ok. Use a referência que quiser. Se eu quebro a "regra" e não há consequências pra ninguém, isso é problema meu. É entre Deus e eu, não entre eu e os outros.

- Mas agindo assim, você influencia as almas puras. Você induz ao erro.

- Então ver alguém homossexual pode influenciar um inocente a fazer o mesmo?

- Sim.

- Então eu também posso ter sido influenciado; logo, também sou inocente.

- Você deixa de ser inocente a partir do momento que entra nessa vida.

- Mas então se houve influência ou não, não faz diferença. O problema está a partir do que vocês consideram ser uma escolha.

- Só que tem gente que não faria essa escolha se não fosse influenciado.

- E qual a diferença entre quem escolhe ser igual e quem escolhe ser diferente? A escolha é consciente?

- Tem que ser consciente, senão não é escolha.

- Se é consciente, a ponto de ser culpado pela escolha, a influência não determina nada.

- Sim... quer dizer, não... mas...

A sala ficou silenciosa por uns momentos. O sequestrador então prosseguiu.

- Pelo menos concordamos que isso é uma escolha.

- Não, eu só estava tentando mostrar que culpar alguém pela escolha dos outros não faz sentido. Porém, eu discordo que seja uma escolha.

- O que não faz sentido é vocês alegarem que nasceram assim, Deus não cria alguém de uma forma que Ele mesmo repulsa.

Meu Namorado Bilionário - VOLUME 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora