Todos curtiam a festa, cada um a seu modo, no estilo "como se não houvesse amanhã".
Jhonny e Alice, que também estavam dançando, aproveitaram uma troca de música para se isolar num lugar mais calmo e tomar um fôlego.
Jhonny abraçou Alice e afastou de seu rosto uma mecha de cabelo molhado de suor.
- Essa mamãe está muito animada, hein? Nesse ritmo, esse bebê já vai nascer andando!
Os dois riram e se olharam, com a mesma admiração do primeiro encontro, mas com um amor muito mais profundo.
- Esse ano não foi fácil. - Respondeu Alice, diminuindo um pouco do sorriso. - Merecemos comemorar.
- Você está coberta de razão. Acho que foi um dos anos mais difíceis da minha vida, mas também está terminando da forma mais maravilhosa possível, muito melhor do que eu poderia desejar. - Disse Jhonny, colocando a mão na barriga de Alice e sussurrando. - Nosso amor criou vida própria.
- E logo vai estar aqui fora, falando: "ei pai, ei mãe, vocês não entendem nada da minha vida!".
Os dois gargalharam.
O mistério dos crimes estava resolvido. Os criminosos estavam presos. Os negócios voltaram a prosperar. Todos na família estavam com saúde. Finalmente, a paz voltara a reinar.
O que mais poderiam querer?
XXX
Diego estava impaciente na fila do banheiro.
Já faziam uns 15 minutos que estava aguardando, e sua bexiga já tinha ultrapassado todos seus limites de resistência. Além disso, sabia que levaria mais um tempo para tirar toda aquela fantasia apertada e suada.
- Aiii gente, será que vocês não conseguem acelerar??? Eu sou o superman, mas minha bexiga não é de aço não!!! - falou Diego, mas ninguém na fila deu muita importância. Foi então que ele avistou Betinho, quase no começo da fila.
- Psiu! Psiu! Betinho! Betinho! - Chamava ele, mas o menino pareceu nem notar. - BETINHOOOO!!!
Com o grito, o garoto se virou para trás e viu Diego.
- Oiii tio! Tá aí no desespero "tamém"? Fila "maior gigante" né?
- Betinho, meu querido, você sabe que você é tipo, meu sobrinho preferido né?
O menino olhou com desconfiança.
- Mas a gente nem é da mesma família, tio.
- Mas eu te considero como se fosse, sabe né? O Sezão é, tipo assim, meu irmão mais velho! Bem mais velho, diga-se de passagem.
- Eu acho que cês dois não tem idade tão diferente não tio... acho que devem até ser meio que da mesma época, só tão meio mal conservado mesmo.
Diego semicerrou os olhos, com vontade de estrangular o menino pelo comentário, mas agora não estava em posição de repreende-lo.
- Betinho, será que você não faz o favorzinho de trocar de lugar com seu tio? É que eu to REALMENTE muito apurado!
Desta vez foi Betinho que semicerrou os olhos.
- Ih tio, não vai rolar não. Nóis tamo no meio de uma brincadeira de esconde-esconde, e eu to me arriscando demais aqui nessa fila. Olha aí, falando em fila, chegou minha vez. Té mais tio!
- Não, espera aí... Betinho... BETI... - Diego gritou, mas o menino correu para dentro do banheiro. - Droga de menino insolente! Foi-se o tempo que as crianças respeitavam os mais velhos!
Diego continuou na fila, angustiado, observando as crianças correndo de um lado pro outro. Foi então que percebeu Helena, vestida em sua fantasia de mosca, parada atrás de uma pilastra, olhando em direção a porta que dava passagem para o escritório de Alexia. O segurança que cuidava da porta estava distraído, conversando com uma morena sorridente, que também demonstra muito interesse no rapaz.
Enquanto o segurança paquerava a moça, Helena foi correndo meio abaixadinha, e passou pela porta, sem ser vista.
Ocorreu então uma ideia a Diego.
"Se uma menininha conseguiu essa façanha, eu também consigo!"
Ele foi, disfarçadamente, andando em direção a porta, fingindo estar falando ao telefone. O segurança não desgrudava os olhos da moça, que enrolava uma mecha de cabelo com o dedo, mas sem desgrudar os olhos do segurança também.
E num momento de troca de olhares do casal, Diego... VRUM! Passou pela porta e correu até o escritório de Alexia, certo de que lá teria um banheiro disponível. Começou a andar rapidamente, explorando o local, em busca de um lugar para se aliviar. Aquela roupa de superman nunca pareceu tão quente e apertada.
- Banheiro, banheiro, cadê você? - Sussurrava Diego. - Não tem como a Alexia, fresca daquele jeito, usar o mesmo banheiro dos empregados.
- Eu tenho um banheiro próprio sim. - Disse uma voz atrás de Diego. - Mas não é por frescura. É porque, na minha idade, meu joelhos não aguentam muito o subir e descer de escada.
Ao escutar a voz, Diego parou de andar e fez uma cara de "fui pego". Se virou e deu de cara com Alexia, em pé, com as mãos na cintura, o olhando com feição de mãe brava, que acabara de pegar o filho aprontando.
- Alexiaaa! Minha rainhaaaa! A estrela tecnologia da Dollar! Desculpa invadir aqui o seu palácio, mas realmente estava impossível esperar mais tempo lá embaixo para usar um banheiro. Eu te dou minha palavra de honra, como seu eu fosse um leal escoteiro, que eu uso o banheiro e já deixo você voltar para o seu descanso da beleza.
Alexia abriu um meio sorriso, e Diego não conseguiu identificar se era um sinal amistoso ou de repulsa.
- Não se preocupe. Você faz parte dos meus convidados de honra. Me siga. Eu vou mostrar onde é o banheiro.
- Você é mesma uma lady! - Disse Diego, e passou a seguir Alexia, que saiu andando pelo corredor. Após passar por umas três portas, ela parou e se virou para Diego.
- É ali, na última porta a esquerda. Logo após o quadro da canoa.
- Logo após o quadro né... nossa, muito obrigada, querida. Deixa eu ver o quadro... cadê... ah, aqui, o quadro da canoa. Achei! Excelente! Você é um exemplo de anfitriã. Inclusive, você que decorou tudo aqui? É muito lindo, você tem um gosto esplêndido.
- Faço questão que tudo tenha minha personalidade. E fui eu, sim, que decorei tudo. Tudo aqui, é exclusivo. Tive muito trabalho e gastei muito dinheiro para decorar tudo e só conseguir peças exclusivas, mas é o custo de sermos únicos.
Diego olhou então o quadro na parede, e uma sensação ruim lhe percorreu o corpo.
- Tudo é exclusivo? Tudo mesmo?
- Tudo. Cada tapete, cada luminária. As peças que você encontra aqui, só vai encontrar similares em outras propriedades minhas. É como se fosse minha... assinatura.
Diego encarou por alguns segundos aquele quadro. A canoa solitária. Alexia insistia que tudo era exclusivo, mas ele começou a achar que era conversa fiada, pois aquele quadro não lhe era estranho.
Uma canoa. Solitária.
Foi então que lembrou de onde o conhecia.
Deixa eu ver o quadro... ah, aqui, achei.
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Meu Namorado Bilionário - VOLUME 2
General FictionJohnny e Alice, agora recém casados, vivenciam as alegrias e as dificuldades de se adaptar ao estilo de vida um do outro, vindos de condições sociais tão diferentes. Nesta nova etapa eles também enfrentarão - junto com seus amigos Wanda, Sezão, Die...
