Percy's Pov
Faço uma careta quando erro o acorde pela terceira vez. Achei que não era possível perder a prática de tocar violão, mas pelo jeito estava errado. Não toco no instrumento provavelmente há 2 anos, e apesar de eu nunca ter sido o melhor musicista do mundo, eu conseguia tocar as músicas sem dificuldades desde que coloquei na minha cabeça aos 11 anos que queria aprender a tocar algum instrumento.
Mas desde a minha consulta com Hazel, em que decidi voltar a atuar e consequentemente voltar para a mídia, ela me aconselhou a voltar a tocar como hobbie, um modo para me relaxar e distrair do caos que minha vida vai se tornar.
Pra ser bem sincero, se não fosse pelas minhas consultas com Levesque eu provavelmente nunca mais voltaria a atuar, viveria o resto da minha vida no anonimato. Teria ficado em Indiana na casa onde cresci e que me refugiei durante esses dois anos, junto com minha mãe, Paul e Estelle.
Escuto uma batida na porta e levanto meu rosto assim que ela se abre, minha mãe coloca o rosto para dentro do quarto com um sorriso no rosto. Retribuo no mesmo momento. Se não fosse também por essa mulher bem a minha frente, que veio no primeiro voo de Indiana no momento que contei a novidade só pra ficar essa semana comigo, eu não teria coragem pra tentar novamente.
- Oi amor, eu fiz a sua vitamina favorita de morango - desço meu olhar e reparo no copo em suas mãos. - E os cookies estão no forno.
- Azuis? - pergunto tirando o instrumento do meu colo e pegando o copo quando ela se senta na minha frente.
- Azuis. - ela abre um pequeno sorriso, que ilumina todo seu rosto.
- A senhora deveria parar de me mimar tanto, vou ficar mal acostumado. Quem vai fazer os cookies quando a senhora voltar pra casa?
- Você, já te passei a receita. - solto uma risada e dou um gole na bebida.
Ficamos em silêncio por um momento, apenas nos encarando. Minha mãe tem o costume de saber exatamente o que estou pensando, o que foi péssimo pra mim em alguns momentos da minha adolescência preciso dizer. Mas aprendi com o tempo a fazer o mesmo, consigo ter uma noção do que uma pessoa está pensando pelo modo que me olha.
Assim como também aprendi a neutralizar minhas expressões e meus olhos, depois de anos lendo teorias que eu estava namorando Thalia ou apaixonado pela Rachel só pela forma como olhava para as duas, tive que aprender a evitar esse tipo de comentário. Porque no início é engraçado, mas depois se torna cansativo como criaram uma imagem minha de pegador que dá em cima de qualquer pessoa que se aproxima de mim...O que não é totalmente mentira, porque eu tive minhas fases. Mas a internet não precisa comentar sobre isso.
Então foi engraçado ver Annabeth tão intrigada comigo naquele trailer. Ela não sabe esconder sua curiosidade e confusão, seus olhos estavam brilhando e sua testa estava enrugada, enquanto ela tentava saber o que eu estava pensando enquanto a encarava.
Pra ser sincero, eu não consegui pensar com muita clareza naquele momento. Seus olhos nublaram um pouco minha mente, e isso não acontece com muita frequência. Mas foi algo de uma única vez, afinal foi a primeira vez que nos vimos, qualquer um ficaria meio perdido nos olhos cinzas de Chase.
Percebo um olhar estranho da mulher de cabelos escuros na minha frente e franzo o cenho antes de erguer o copo para beber mais.
- O que? - pergunto.
- Você está com aquele olhar distante e um sorriso no rosto. - sorriso?
Paro o copo no meio do caminho ao perceber o pequeno sorriso no meu rosto. Que diabos? Desfaço o sorriso em uma careta e bebo vários goles da vitamina para tentar disfarçar.
- Falou com o seu pai? - agradeço mentalmente por ela não perguntar o motivo do sorriso. Eu não saberia responder.
- Sim, ele disse que qualquer coisa é só ligar que ele pega o primeiro voo de Boston pra cá.
- Eu digo o mesmo, entendeu? Não pense duas vezes antes de me ligar, mas eu tenho certeza que vai dá tudo certo. Você não é o mesmo de antes, Percy. - aceno como agradecimento, mesmo que eu não tenha certeza disso as vezes. - Como está Grover e os outros? Não falo com eles há um tempo.
- Estão bem. Thalia inclusive estava falando sobre sua macarronada outro dia e Rachel sente falta do seu café. - minha mãe abre um sorriso genuíno.
- Estou com muita saudade de todos, talvez eu devesse fazer uma visita nesse tempo que vou estar aqui.
- Sim, por favor. Não fique trancada o dia todo aqui enquanto eu saio pra trabalhar. Não tem nada pra fazer aqui dentro. - imploro.
- Bom, isso não é verdade. Essa casa está uma zona. - arregalo os olhos.
- O único lugar desarrumado é a cozinha, e isso porque a senhora não para de cozinhar desde que chegou. - resmungo.
- Alguém tem que fazer uma comida decente nessa casa, já que o dono não faz - diz com um sorriso gentil enquanto se levanta da cama para se dirigir a porta - Vou tirar os cookies do forno, depois você desce pra gente comer assistindo A Origem dos Guardiões.
Minha mãe sai do quarto mas fico uns segundos encarando a porta branca fechada. Um sorriso se forma em meu rosto e nego com a cabeça incrédulo com essa mulher e com o tamanho da saudade que sinto de vê-la todos dias. Mas não vou dizer isso em voz alta porque só faria ela querer ficar aqui mais tempo ou até mesmo se mudar, e ela tem uma vida em Indiana com Paul e minha irmã mais nova que não vou pedir pra ela largar.
Pego meu violão de volta em meu colo pra voltar a praticar, lembrando agora de como minhas roupas estavam no chão do meu quarto quando fui tomar banho mais cedo e desde que voltei não vi nem uma única peça no local. Solto uma risada.
- Inacreditável, Sally Jackson.
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Mutual • Percabeth
FanficPercy e Annabeth não se gostavam, mesmo nunca tendo trabalhado juntos e agora vão ter que atuar no mesmo filme. Sob o olhar das câmeras, da mídia e dos segredos do passado que os atormentam, vão descobrir que são mais parecidos do que pensavam.
