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Percy’s Pov

Eu sei apreciar um bom silêncio. É o momento que tudo se acalma e meu coração bombeia devagar. Desde que conheci Annabeth, o silêncio que compartilhamos também é bem vindo, por nós dois. Não é incômodo ou desconfortável, é apenas eu e ela na presença um do outro, aproveitando nossa companhia. Eu gosto disso, sempre gostei.

Mas o silêncio no carro é pesado. Denso demais. Eu poderia cortá-lo como uma faca se quisesse.

Desde que parabenizamos Juniper, nos despedimos dos nossos amigos e entramos no carro para irmos até sua casa, Chase ficou em silêncio. Eu fiz algumas perguntas, porque queria que ela falasse algo, qualquer coisa, comigo. Que me olhasse. Seus olhos não param em mim por mais de apenas segundos. 20 segundos para ser mais exato. Eu contei.

Eu consigo sentir a tensão em seu corpo no carro, no momento que entramos no seu prédio, no elevador, no caminho até seu apartamento.

A loira está inquieta como se quisesse falar algo. Mas algo a impede e não sei o que.

Observo de perto Annabeth destrancar sua porta e ela adentra o local, me dando espaço para fazer o mesmo. Loki vem até nós e me abaixo para o pegar no colo. O gato ronrona enquanto acaricio sua cabeça que se inclina em direção ao meu peito para se esfregar. Bob se aproxima apenas para roçar seus pelos na minha perna, se afastando novamente enquanto eu ando mais para dentro do espaço.

Não vejo os dois filhotes em lugar algum na sala, mas sei que Annabeth montou uma cama para os dois em seu quarto e que eles ficam muito lá, então é onde devem estar nesse momento. Também não encontrei Dobby, mas por ele estar bastante próximo dos caçulas da casa, provavelmente está vigiando os dois de perto.

Me viro apenas para encontrar Annabeth ainda perto da porta, agora já fechada. Ela olha para o chão aos meus pés antes de subir devagar para os meus olhos. Franzo o cenho para a sua expressão. A última vez que ela esteve tão distante assim de mim foi quando seu pai morreu. Foi doloroso assistir ela daquela forma, porém tinha um motivo. Hoje, entretanto, não tem. A não ser que seja a data da morte do seu pai. Busco em minha memória e lembro que é amanhã, dia 25. 2 meses da morte dele. Talvez seja por isso e eu acabei não percebendo.

Annabeth umedece seus lábios e ponho seu gato no chão, que mia em protesto.

— Annabeth, quer conversar? — pergunto calmo.

Seu peito sobe e desce conforme ela respira fundo e finalmente sai do pequeno corredor, vindo até mim. A loira não desvia o olhar quando está próxima o suficiente para eu segurar sua mão. Determinação transparece em cada traço em seu rosto e aperto suas mãos, esperando que as palavras saiam da sua boca.

Mas não é o que eu esperava ouvir agora.

— Eu acho que amo você, Percy. — minha boca se entreabre de surpresa e pisco devagar conforme as palavras penetram meu cérebro, minha pele — Quer dizer, eu sei que amo você. Sei disso há uns dias agora e precisava te dizer isso, eu precisava que você soubesse disso.

Annabeth me ama.

Ela acabou de dizer que me ama e minha boca formiga para beijá-la. Quero beijá-la como nunca antes. Quero a pegar em meus braços, levantando-a do chão, e grudar minha boca na sua para que ela sinta o que eu estou sentindo agora.

Inspiro oxigênio por um segundo, pronto para responder, para dizer de volta. Mas Annabeth começa a falar de novo.

— Isso é mútuo? Eu acho que é, pela forma que você me olha, mas eu preciso de uma confirmação para saber que não é coisa da minha cabeça. — ela respira fundo e aperta minhas mãos.

Mutual • PercabethHistórias para pegar e não largar. Descubra agora