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Annabeth's Pov

Me sento em cima do pano enquanto assisto Tyson e Estelle se alongando junto aos professores, com Percy vigiando de perto de braços cruzados. Viemos para uma parte mais afastada, mas hoje a praia não está vazia, já que as crianças estão em férias de verão.

O sorriso no rosto do meu sobrinho faz meu peito esquentar. Sua alegria sempre me contagiou de alguma forma, principalmente agora. E é interessante que a irmã de Percy entrou na mesma animação que ele assim que começaram a conversar no carro.

Quando os professores começam a explicar que vão começar a praticar na areia antes de ir para a água, ambos focam total atenção nas instruções antes de subirem nas suas pranchas softboard.

Um movimento ao meu lado chama a minha atenção e vejo Percy se sentando perto de mim, mas não próximo o suficiente para nos encostarmos.

Espero ele dizer algo, mas ele continua em silêncio olhando para as crianças. Suspirando, decido quebrar o silêncio.

— Obrigada por fazer isso. — ele traz sua atenção pra mim e seus olhos verdes tiram o meu fôlego por um segundo — Eu não agradeci antes.

Tombando a cabeça para o lado, Jackson parece bastante relaxado aqui, como se a praia fosse o seu lugar favorito. E talvez seja.

— Não precisa agradecer, Annabeth. Mas eu aceito. — ele diz com um sorriso pequeno e a expressão serena.

— Você gosta muito daqui, não é? - pergunto.

Ele acena.

— Gosto de ver o pôr do sol, mais precisamente. A vista é linda e o local me acalma. É uma pena que ainda esteja de manhã.

— Por que mora em Nova York, então? Quer dizer, tem mais lugares pelos Estados Unidos que tem praias melhores.

— Verdade, mas por incrível que pareça, eu gosto daqui. Meus amigos estão aqui, eu cresci e estudei aqui, então é a minha primeira casa.

— Seus pais não são de Indiana? - pergunto incerta, porque lembro de ele comentar rapidamente sobre isso.

— Não, meus pais são novaiorquinos, na verdade. Eu nasci e vivi minha vida inteira aqui. Minha mãe que se mudou com o Paul e Estelle para Indiana quando eu tinha 19 anos e como meu pai é empresário, ele foi realocado para comandar uma filial em Boston quando eu tinha 17 e mora lá desde então.

Franzo o cenho, incomodada de repente.

— Já reparou que eu não sei quase nada sobre você? — ele ergue as sobrancelhas — É sério. Nós conversamos mais sobre mim e você nunca fala da sua vida.

Ele pisca me encarando por um tempo, como se estivesse considerando me contar algo.

— O que? Você matou alguém e não quer me contar? Relaxa, duas pessoas só conseguem guardar um segredo se uma delas estiver morta. — sussurro a última frase, me lembrando da série de televisão e Jackson franze o cenho antes de soltar uma gargalhada.

— Isso nem fez sentido. — ele diz negando com a cabeça e encolho os ombros, voltando minha atenção para o mar.

Ficamos em silêncio por um tempo, escutando o som da onda e os professores instruindo e demonstrando para as crianças.

— O que você quer saber? — sua voz é baixa, mas é como se ele estivesse falando bem do meu lado.

— Qual é o seu animal favorito? — faço uma pergunta aleatória e ele pensa por uns segundos antes de responder.

Mutual • PercabethOnde histórias criam vida. Descubra agora